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Um passeio pelo lado meio esquisito da imaginação de Fernanda Nia

Publicitária carioca lança primeiro livro na Bienal de São Paulo

especial hq

*Por Meiri Farias

Você já imaginou como determinada situação deveria ser e depois percebeu que ela é bem diferente e talvez frustrante na verdade? Se a resposta for sim, você precisa conhecer a Niazinha do “Como eu realmente” e seus passeios pelo lado meio esquisito da imaginação.

Foto: Page "Como eu realmente"

Foto: Page “Como eu realmente”

É da Fernanda Nia, publicitária carioca, a imaginação por trás do “Como eu realmente”. Fernanda criou o blog em 2011 e concilia aventuras de Niazinha e Srta. Garrinhas com sua carreira como freelancer nas áreas de Comunicação, Design e Ilustração. A página vem chamando atenção pela familiaridade de suas tirinhas “Julgando pela quantidade de pessoas que diz que se identifica talvez a Niazinha represente um alter ego coletivo”, diz.

O primeiro livro do “Como eu realmente” acabou de ser publicado pela Editora Nemo e trás uma seleção as tirinhas do site e conteúdos exclusivos. O lançamento em São Paulo acontece durante a Bienal do livro no dia 30 de agosto, às 14h. Além do lançamento, Fernanda participa de outros eventos desta edição.

Curioso sobre as venturas da Niazinha? Conversamos com a Fernanda e ela nos contou um pouco sobre como tudo aconteceu:

“A ciência diz que não existe propagação do som no vácuo, mas toda vez que sou mandada para lá tenho certeza que consigo ouvir os discretos zumbidos ritmados, distantes como estrelas cadentes, da risada da Srta. Garrinhas zoando minha desgraça” (Como eu realmente)

Armazém de Cultura: Como surgiu a ideia do blog?Fernanda Nia:

Recebo bastante essa pergunta e, por mais esquisito que seja, dou sempre a mesma resposta boba: surgiu no banho, aquele lugar mágico de onde vêm à maioria das nossas grandes ideias. Hahah, vou explicar melhor. Eu tinha tido uma ideia mais cedo de que criar um blog de tirinhas seria uma ótima forma de extravasar minha criatividade de piadinhas bobas e cotidianas, e foi enquanto me arrumava para a faculdade – incluindo banho – que bolei todo o conceito de sempre haver comparações entre situações de como deveriam ser/como realmente são e tal. A proposta central do “Como eu realmente”.

AC: A Niazinha vive situações comuns no cotidiano de várias pessoas. A personagem funciona como uma espécie de alter ego da sua personalidade?

Fernanda: Bom, talvez sim, porque a maioria das situações pelas quais ela passa eu passo também. Quer dizer, eu me inspiro na minha própria vida e nas minhas próprias experiências para fazer as tirinhas – mesmo que vagamente, algumas vezes. Mas, julgando pela quantidade de pessoas que dizem se identificar, talvez a Niazinha represente um alter ego coletivo, hahahahah.

Foto: Page "Como eu realmente"

Foto: Page “Como eu realmente”

AC: Você começou com o blog e agora lançou o livro. Você acha que a internet é o caminho para os quadrinhos ou ainda existe espaço para o impresso?

Fernanda: A internet é sem dúvida nenhuma uma ferramenta de impulso e divulgação para qualquer material, seja digital ou impresso. Sim, acho que no mercado brasileiro ainda há grande espaço para o material impresso – principalmente quadrinhos, que não possuem um leitor digital tipo Kindle ainda, por serem coloridos -, mas o poder da internet deve estar sempre aliado a qualquer publicação. Hoje em dia, tudo tem que ser multimeios.

AC: Quais foram suas primeiras influências no quadrinho e na literatura? O que costumava ler quando criança?

Fernanda: Nos quadrinhos, o que mais marcou minha infância foram os mangás. Lembro como se fosse ontem o primeiro volume em que botei minhas mãos, um Dragon Ball volume 6. Na literatura, os livros que despertaram minha paixão pela leitura foram Harry Potter – que só tinha até o 2 quando comecei! – e O Diário da Princesa. Acho que muito de como eu me expresso, seja verbalmente ou nos quadrinhos, e muito do meu humor hoje em dia é fortemente influenciado por autores como o Akira Toriyama *e a Meg Cabot.

AC: E atualmente, que trabalhos você acompanha?

Fernanda: Que pergunta DIFÍCIL!! Hahahah. Tenho acompanhado muita literatura jovem adulto, principalmente de fantasia, que é o que mais me fascina – tipo um Instrumentos Mortais da vida, ou as distopias -, mas sou incapaz de dizer não a qualquer livro com um texto bem escrito. Metáforas e reflexões me inspiram demais a criar também. Estou até lendo, inclusive, um livro lindo de poesia independente da autora Sarah Kay, No Matter the Wreckage, e cada página é um suspiro. Em quadrinhos, acompanho de vez em quando os mesmos títulos de quando era criança – já que muitos mangás estão em publicação até hoje, tipo One Piece -, mas também tenho desprendido muita atenção ao material de grandes quadrinistas independentes. Uma arte bonita, assim como o texto bem escrito na literatura, me inspira e me fascina. Fora os autores brasileiros, como o Ricardo Tokumoto e o Will Leite, a quem eu muito admiro e sempre acompanho o trabalho.

“Deve ser por causa de pessoas como eu, que perdem 80 pontos de QI ao telefone, que o telemarketing continua crescendo cada vez mais no Brasil. Aliando isso a pressão do clássico “a senhora foi contemplada com um super desconto, mas só se aceitar agora”, fico tão lezada que em poucos dias está chegando na minha casa meu mais novo descascador de uvas verdes que também serve como visor usb blu-ray da janelinha do micro-ondas ou aparelho de bronzeamento artifical localizado (??)” (Como eu realmente)

AC: O lançamento do seu livro em São Paulo acontecerá na Bienal. Qual sua expectativa como autora? E como leitora, tem alguma atração ou escritor que quer encontrar?

Fernanda: Estou até agora me sentindo extremamente honrada, com certeza, hahahahahah. É minha primeira participação na Bienal, e, além do lançamento do livro no stand da editora, também serei convidada oficial da Bienal para eventos de atelier aberto e bate-papo. É uma oportunidade maravilhosa e estou ansiosíssima. Só ficarei lá no segundo fim de semana da feira, então já terei perdido alguns dos autores internacionais que eu gostaria de ver no primeiro fds, mas ainda estou super ansiosa para encontrar com alguns outros autores nacionais, como a Paula Pimenta, tanto os que eu prezo como amigos quanto os que eu prezo como fã. Mal posso esperar! Obrigada pelo apoio, Meiri e leitores! Beijos!

Foto: Page "Como eu realmente"

Foto: Page “Como eu realmente”

Nós que agradecemos Fernanda! E aí, gostaram? Dá um ‘curtir’ na página do “Como eu realmente” e conheça um pouco mais do trabalho da Fernanda!

* Nem todos os links são de páginas oficiais dos autores. Algumas são de editoras e outras de fãs que divulgam o trabalho

 

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