Abre Aspas / Música

MPB entre o samba e o choro com uma pitada pop

Bárbara Leite estudou música e fala sobre a importância da dedicação para alcançar o sucesso

* Por Meiri Farias

Foto: Página da artista

Foto: Página da artista

A música da mineira Bárbara Leite chegou em nossas mãos meio pelo acaso, meio sem pretensão. Mas como sabiamente já dizia Guimarães Rosa: “Felicidade se acha é em horinhas de descuido” e o trabalho da artista foi uma grata surpresa. Com influência no samba, choro e MPB o repertório do disco é tão misturado que trás até uma (belíssima) releitura de “Um girassol da cor do seu cabelo” do compositor mineiro Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina.

Como não poderia deixar de ser, o Armazém conversou com a cantora e descobriu suas influências e opiniões sobre carreira, MPB e Internet:

Armazém de Cultura: Como a música entrou na sua vida? Quando sentiu seu talento despertar?

Bárbara Leite: Desde criança gosto e me interesso por música. Meus pais sempre tiveram o hábito de ouvir música em casa. Quando eu via alguém tocar violão ficava encantada e falava que queria aprender. Foi aí que meus pais me matricularam num curso de violão. Eu tinha nove anos nessa época.

Não sei dizer ao certo se houve um momento específico desse “despertar” do meu talento. Mas sinto um enorme prazer no fazer musical. É isso que me motiva, que me impulsiona acima de qualquer outra coisa.

AC: Você fez faculdade de música, mas nem todos que se formam conseguem lançar disco e continuar na carreira. Você acha que a faculdade ainda é um caminho para a profissão?

Bárbara: Acredito que em qualquer área onde se quer atuar e ser bem sucedido, é necessário conhecimento e muita dedicação. Na música isso não é diferente! A faculdade é um caminho muito importante a ser trilhado sim, mas não é o único. Como disse anteriormente, você tem que se dedicar ao máximo, precisa abrir mão de muita coisa e ser persistente! É como diz o ditado: “Rapadura é doce, mas não é mole não”!

AC: Como você define sua música?

Acho um pouco difícil definir minha música, porque não me encaixo num estilo só. O que posso dizer é que ela é feita de misturas. É uma combinação entre as coisas que gosto e a pessoa que sou. Tem a minha identidade.

Ouça “Quem?”

AC: Você gravou uma releitura de “Um girassol da cor do seu cabelo” de Lô Borges. O Clube a Esquina é uma referência para você?

Bárbara: Acho a música muito bonita. Quando estava acertando o repertório do cd, a minha gravadora, a Kuarup, sugeriu que eu regravasse alguma canção e essa era uma das que foram sugeridas. Quando a ouvi, não tive dúvidas ao escolhê-la. Eu queria deixar a minha “marca”, mas ao mesmo tempo me preocupei muito em não descaracterizá-la. Acredito que consegui alcançar meu objetivo. Não tenho o Clube da Esquina como principal referência musical. Passei a conhecer mais a fundo o trabalho deles depois que gravei essa canção do Márcio e do Lô, e afirmo sem sombra de dúvidas que eles têm um trabalho maravilhoso!

AC: Além dele, quais são suas principais influências?

Bárbara: Acredito que minhas influências musicais vêm dos estilos que gosto de ouvir, e não necessariamente de artistas que ouço. Sempre gostei muito de música brasileira. Adoro o Samba, o Choro e a MPB em geral. Misturo isso tudo e o resultado é o meu som.

AC: E atualmente, que artistas tem escutado e recomenda para quem curte o seu trabalho?

Bárbara: Continuo ouvindo os mesmos de antes: Caetano, Djavan, João Bosco, Cartola, Chico Buarque, Jacob do Bandolim, Guinga, Toquinho e por aí vai… Música boa não envelhece! Mas graças a Deus tem alguns novos nomes surgindo no cenário musical e que de certa forma vem mantendo viva a MPB. Desses posso citar: Felipe Catto, 5 a seco, Bruno de La Rosa e muitos outros que são desconhecidos da mídia “globalizada”, mas que tem um excelente trabalho.

AC: Você disponibiliza suas músicas para audição na Internet, o que é uma tendência cada fez mais frequente. Você acha que esse é o caminho para os novos artistas?

Bárbara: Acho que esse é apenas um dos caminhos, e não só para os novos artistas, mas para todos. Com todos os recursos tecnológicos de temos acesso hoje, disponibilizar músicas somente através de um cd seria como dar um tiro no próprio pé. A pessoa tem todo o direito de ouvir as músicas e se gostar, aí sim comprar um disco físico. Acho muito bacana ter o cd em casa. Nele você vê todo o cuidado com a parte gráfica, tem todas as informações técnicas e além do mais, ele acaba se tornando um objeto de afeto. Mas a internet é a principal ponte entre o artista e o público hoje em dia.

AC: Qual é a sua música favorita do disco e por quê?

Bárbara: Tenho um carinho muito especial pela canção “Correnteza”. Ela é a mais singela e intimista do disco. É uma canção que fiz pra mim e me dei de presente de aniversário (risos)! Brincadeiras à parte, ela é uma música que me toca profundamente. A escrevi num momento especial e fui muito fiel ao que estava sentindo e vivenciando na época.

Ouça o álbum completo!

Barbara

AC: Se pudesse escolher qualquer artista do mundo (o céu é o limite!), para parceria em uma música, qual seria?

Bárbara: Escolheria o João Bosco.

AC: Como está sua agenda? Tem previsão de shows em São Paulo?

Bárbara: Ainda não tenho previsão de ir a São Paulo, mas estamos trabalhando nisso. Minha agenda por enquanto se limita a Minas Gerais.

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