Abre Aspas / Música

O drama de Daniel Debiagi tem cheiro de flor

Músico de 32 anos passeia entre o amor e a melancolia em EP com seis faixas

* Por Meiri Farias

“Empresta-me dois ouvidos; leva um mundo do que sinto”, é com esse pedido que a canção de Daniel Debiagi invade o ambiente. Romântico sem ser clichê, o artista que pisou no palco pela primeira vez aos onze anos de idade, já passou por ritmos regionais e líricos, mas o amor pela canção popular falou mais alto. Ainda assim, essas influências estão presentes no EP que o músico natural de Cachoeira do Sul (RS) gravou em 2013.

Foto: Pedro Revillion

De “Meio mundo”, sambinha com eu lírico feminino à la Chico Buarque, à “Empenzar”, tango cantado em espanhol, o disco é diverso e linear ao mesmo tempo. Com poesia inteligente e voz suave, as canções de Daniel conversam com o ouvinte de forma sensível e trazem o drama –flor, a melancolia bonita. Imagem perfeita desse friozinho de inverno que insiste, mas já anuncia a esperança da primavera.

Armazém de Cultura: O casamento entre letra e melodia demonstra muita sensibilidade na sua música. São composições suas? Se sim, o que mais te inspira a compor?

Daniel Debiagi: As composições todas são minhas, no EP Drama-Flor elas tem produção e arranjos da Marisa Rotenberg e do Gelson Oliveira. Duas canções são em parceria na letra com Maikel Rosa (Drama-Flor e Sabes Amor) e o tango com letra em espanhol da Isabel Janostiac (Empezar). Eu gosto muito das palavras, da nossa língua, e minha inspiração vem muitas vezes da sensação que uma palavra ou frase me causa. Outras vezes vem de dentro pra fora, vem de eu tentar traduzir em palavras aquele sentimento que estou vivenciando, seja triste ou alegre. E claro, a melancolia também é muito inspiradora pra mim.

AC: Em entrevista você conta que já passou pela música nativista e lírica. Como essas vertentes influenciam a forma que faz música hoje?

Daniel: Somos um pouco de tudo que vivemos, e somos muito do que ouvimos. Acredito que minha iniciação musical com a música nativista gaúcha me aproximou de muitos ritmos peculiares do sul e da América Platina, como a milonga, o chamamé e o tango, isso tende a aparecer de alguma forma no que componho. A música erudita fez parte de um período da minha adolescência quando fiz aulas de canto lírico, mas a música popular brasileira tocou mais alto no meu coração.

 Foto: Rômulo SeitenfusAC: Na canção “Meio mundo”, o eu lírico é feminino. Um dos artistas mais conhecidos por utilizar esse elemento em suas canções é o Chico Buarque, ele é uma referência para sua música?

Daniel: Chico é mestre pra todos nós, admiro muito sua obra, ele é referência pra mim principalmente nessa criação de personagens para músicas. Meio Mundo surgiu assim, como se fossem palavras de uma mulher livre para amar (mas que aprendeu isso penando por alguém e fez questão de dar o troco). No show ela tem nome – Consuelo – ela aparece quando faço um bloco de canções no feminino, inclusive uma do Chico, Olhos nos Olhos.

AC: O que tem acompanhado no atual cenário da MPB e indicaria para os leitores do Armazém?

Daniel: Admiro e indico os cantautores Alex Alano, Almério, Gisele De Santi e Filipe Catto. Nosso atual cenário anda muito rico, falo da cena independente com raros espaços nas grandes mídias, mas que vem batalhando e ganhando ouvidos principalmente via internet. Algumas web rádios tem dado bom espaço pra nossa música, indico a Web Rádio Brasil, por exemplo.

AC: Tem algum artista que você sonha em dividir o palco ou fazer uma parceria? Qual e por quê?

Daniel: Gostaria de dividir o palco com Adriana Calcanhotto. Se hoje eu componho é por causa dela. Suas canções sempre me inspiraram muito com sua forma simples, sensível, cuidadosa com as palavras, com letras na medida, com frases certeiras, com lindas metáforas.

AC: Se tivesse que escolher um único disco para ouvir para o resto da vida, qual seria?

Daniel: Difícil escolher, ainda mais pra um libriano como eu, mas acho que ficaria com um álbum duplo para ter mais opções! No momento optaria por “Foi no mês que vem” do Vitor Ramil.

Ouça o “Meio mundo”:

AC: Como está sua agenda, tem planos para se apresentar em São Paulo?

Daniel: Estou numa fase de compor, o EP é o prenúncio de um álbum completo que estou desenvolvendo. Voltaremos em cartaz com o show Drama-Flor no segundo semestre em Porto Alegre, e tenho sim muita vontade de levar o show para São Paulo, estou buscando formas de viabilizar isso.

 

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