Dica de segunda

Dica de Segunda: Romance (Filme de Guel Arraes)

*Por Beatriz Farias

Acalme-se. A dica de hoje não é uma homenagem a qualquer que seja a pessoa. Você não precisa ler o texto enquanto ouve a música, e eu não vou falar do Caetano (o que me daria um prazer enorme em fazer, mas seria necessário semanas de incensáveis pesquisas). O filme que te mostro hoje foi encontrado entre um comercial e outro, no anúncio do Festival de filmes nacionais que rola todo ano na Rede Globo, e você (e eu, e grande parte das pessoas), ignora por preconceito e preguiça de mais um enredo qualquer.

Agora te digo: imagine um nome clichê, o Capitão Nascimento, aquela moça que costuma fazer novela das sete e prepare-se para uma surpresa. Admito que minha atenção foi roubada quando ouvi “Nosso Estranho amor” naquele comercial (ok, vou parar de falar do Caetano), e lendo a sinopse, entendi que o enredo fazia referência à música e uma mistura de história lendária que se passa em São Paulo, com direito a vinhos em bares feios e uma vista da cidade a noite.

Capa do DVD

O filme Romance conta a história de Pedro e Ana, atores que se conhecem ao interpretar a peça “Tristão e Isolda” e se apaixonam quase instantaneamente. Sem que o tempo demore a passar, percebem a diferença de objetivos, as aversões a um amor rotineiro e em uma discussão definitiva decidem-se por coisas diferentes (cena essa a preferida de quem vos fala, e não irei contar que toca a música do senhor de quem prometi a um parágrafo atrás não falar mais). A passagem de tempo é rápida, e mostra encontros e desencontros de duas pessoas que ao se reverem, deixaram em dúvida a diferença entre amar o amor ou a outra pessoa e ainda mais a necessidade do amor depender tanto do sofrimento.

Guel Arraes é o diretor do filme que conta com cenas extremamente teatrais: detalhes ganham destaques e os cenários são de um cuidado tão grande que nos parece normal quando as cores mudam de Sampa para Rio, e do Rio ao ensolarado nordeste da Paraíba. A trilha sonora também soa natural aos nossos ouvidos sejam nos ruídos, grandes momentos de silêncio, ou nos maravilhosos cordéis recitados. Naturalidade também se nota no elenco que cuida da parte engraçada do filme: com José Wilker, Andrea Beltrão, Marco Nanini e Wladimir Brichta o que poderia soar ‘escrachado’ soa inovador e ainda te dá a necessidade de entender as múltiplas facetas daqueles que deveriam ser apenas o alívio cômico da história.

Se você está esperando que a mocinha se torne vilã, o mocinho descubra que é o pai da vizinha da tia da mocinha e mais reviravoltas impressionantes, essa não é exatamente o tipo de ação que você terá. Aqui está um filme para se assistir atento ao simples: o diálogo que começa sem fundamento, a cena sem diálogo que falou pelo filme inteiro, a atuação discreta de Wagner Moura ou até mesmo as expressões de Letícia Sabatella (que ganha de qualquer palavra que ela tenha dito), tudo é muito intimo e muito me agrada chegar ao fim tendo todas as sensações ali narrada. Este filme não gerou estardalhaço em sua estreia e nem serve de referência hoje em dia, mas é uma amostra sincera e um olhar atento à experiência de se estar vivo e se apaixonar por isso.

Fique aqui com um trailer não oficial para ter uma pequena ideia do que estou falando (apenas ignore essa música de fundo que faz parecer que algum carro baterá a qualquer momento e todos acabarão mortos):

 

* Beatriz Farias não é formada, não tem curso superior nem vergonha de escrever em terceira pessoa fingindo que não é ela. Gosta de gostar das coisas e são dessas coisas que ela fala aqui

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