Abre Aspas / Música

As prateleiras do mercado de Renato Barushi

Músico mineiro traz referências que vão do Soul ao Samba em seu primeiro disco

*Por Meiri Farias

O que você encontra em um mercado? Frutas? Alimentos em geral? Produtos de limpeza? Filas imensas no domingo ao meio dia? E acima de tudo, uma variedade de produtos, prateleiras e marcas diferentes. A música de Renato Barushi é assim também: o CD é livre de rótulos e agrega ‘produtos’ dos mais variados ramos.

Referências como MPB, Bossa, Reggae, Pop, Blues, Soul, Funk e samba se juntam ao rock nessa prateleira. “Renato & O Mercado” nome do primeiro disco de Barushi surgiu em meio a conversas informais com parceiros e amigos e faz alusão a essas vertentes que influenciaram o trabalho do músico que foi lançado de forma independente. Na entrevista a seguir, você conhece um pouco do trabalho do músico, vamos descobrir o que resultou dessa mistura?

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Foto: Página do artista

Armazém de Cultura: Qual é a maior dificuldade para artistas independentes no Brasil? E qual seria a vantagem?

Renato Barushi: Vivemos em um momento transitório, estão acabando as grandes gravadoras e produtores, com exceção para uns poucos, as leis de incentivo não funcionam tão bem quanto aparentam, creio e vejo a grande maioria se virando como pode, normalmente com recursos  próprios e alguns poucos incentivos diretos e indiretos de pequenas e médias empresas, a maior dificuldade hoje para o indie é custear sua produção e divulgar para o grande publico.  Quanto ao lado bom, é o musical e quem ganha é o público, pois hoje considero a canção independente a forma mais verdadeira de se fazer música, sem rótulos ou formatos para venda, cada trabalho pode e deve ser único, com o formato que o artista desejar, podendo assim, sair do lugar comum, pesquisar outros elementos e surpreender sempre, além do contato direto com quem ouve o seu trabalho!

AC: Você disponibiliza seu trabalho para audição no site. Acha que a internet é o melhor caminho para novos músicos?

Renato: Também disponibilizo o release, fotos, contato, download em meu site e em sites como iTunes, Deezer, Amazon, dentre outros, além de vídeos, reportagens e clipes na web, a internet é uma grande ferramenta, tanto para pesquisa quanto troca de informações, gosto muito, mas não acho que seja “ô” caminho, acredito sejam vários os caminhos, não existe uma receita, assim como compor.

AC: No release diz que o título “Renato e o mercado” faz alusão às várias vertentes que influenciaram seu trabalho, quais seriam essas influências?

Renato: As influências são tamanhas e creio que a cada dia aumenta, faço muita pesquisa, acho importante não se limitar ha um ponto de vista, com o tempo tudo que você gosta e escutou faz parte do que és, digo musicalmente e procuro ouvir música boa, difícil até descrever pois com certeza deixarei alguém ou algo importante para trás, prefiro ser mais superficial e citar alguns estilos como a MPB, bossa, reggae, pop, indie, blue, soul, funk, black, samba, música negra em geral e muito rock!

No álbum Renato & O Mercado quis deixar muitas referências aparentes, e também deixar um projeto mais pop, radiofônico e com letras de fácil assimilação, muito prazeroso de trabalhar, ainda mais com uma turma da pesada gravando, produzindo, e me ajudando, no momento comecei o processo do segundo álbum, espero finalizar até no fim de 2015, chama-se “Remendos” e refere-se ao pedaço de si entregue por cada artista, que contribui e ajuda a construir minha identidade musical.

Renato Barushi

Foto: Página do artista

AC: Tem algum artista ou álbum que te “despertou” para a música?

Renato: A música sempre esteve presente, lembro-me de minha mãe dizer que minha voz destacava no jardim de infância, de aos 10 começar a brincar de tocar as letras das canções, construindo paródias intuitivamente, e de ter grandes referências em casa, principalmente por um tio paterno, único instrumentista de uma família enorme, até então, foi quem inclusive me ajudou a escolher o meu primeiro violão, presente dado por meus pais ao completar 11 anos.

AC: O disco tem participação especial do rapper Lil’Dawg, como aconteceu?

Renato: Através do produtor musical do álbum, Paulo Maitá, falávamos sobre alguém que pudesse agregar valor e talento ao projeto, ele havia dito sobre um cara muito bom que conheceu e havia chegado ha pouco de Houston, entrei em contato e combinamos um encontro durante as gravações, ele chegou e eu estava gravando voz na canção “Filme em Cartaz”, conversamos um pouco e ali mesmo ele fez a letra e gravou, trata-se de uma pessoa especial, super talentosa. Sou fã e fico muito feliz com nossa parceria e amizade!

AC: Qual conselho você daria para alguém que está começando e pretende se lançar de forma independente?

Renato: Faça sempre com amor e verdade!

Ouça “O mar gelou o deserto”

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