Música / Questão de Opinião

Policromo: Primeiras percepções

Irmãs Farias contam sobre o que acharam do disco na primeira audição

Por Meiri e Beatriz Farias

Essa “resenha” está longe de ser completa e absoluta definição que se deve esperar do novo álbum do 5 a Seco. Com o tempo, mais observações e possíveis comentários dos compositores, podemos mudar de opinião ou ter uma ideia completamente diferente do disco. Para quem não conhece o 5 a Seco (o que acho bem difícil se você for leitor atento do Armazém de Cultura), o coletivo de compositores formado por Leo Bianchini, Tó Brandileone, Vinicius Calderoni, Pedro Alterio e Pedro Viáfora, está lançando seu segundo (e aguardado) álbum: Policromo.

secosÉ preciso repetir que esse texto trata-se apenas da percepção das autoras que acompanham o trabalho dos Secos a um bom tempo. Não especialistas, não musicista (a Bia até é, mas deixa pra lá), apenas observadoras atentas. Por isso a proposta principal é gerar debate e questionamento sobre esse projeto sem a mínima pretensão de traduzir verdades absolutas (Talvez se mostre até uma percepção equivocada para alguns, cada um sente a música de uma forma). Antes de falar do Policromo em si, é preciso relembrar o início. O primeiro trabalho do 5 a Seco foi resultado do encontro desses cinco compositores, com suas canções carreiras individuais, mais parcerias que começavam a nascer. O DVD/CD “Ao Vivo no Auditório do Ibirapuera”, foi um registro com participações de Lenine, Chico César e Maria Gadu.

É preciso pensar no policromo em relação ao disco anterior. “Ao vivo no Auditório” é um encontro. Fragmentos dos projetos solos que resultaram em uma mistura quase espontânea. Talvez esse seja justamente o maior mérito do primeiro disco, a espontaneidade e leveza. O Policromo surge de forma completamente diferente. Continua a ser formado principalmente pelas características individuais de cada um dos cinco, mas pensadas e trabalhadas para o coletivo.

Foto: Página do 5 a Seco

Foto: Página do 5 a Seco

Imagino que todo o fã se assusta quando o artista anuncia disco novo, já que o primeiro geralmente é produto de uma vida de composições e o segundo tem tempo limitado para sair do campo das ideias e se concretizar. No caso do 5 a Seco é interessante notar como a sonoridade que despontou no primeiro trabalho é definida agora, Policromo é um disco planejado e organizado e se perde a espontaneidade do anterior, ganha em produção e cuidado. Para quem tinha alguma dúvida, agora é mais fácil de entende qual é a “pegada” do 5 a Seco.

Obviamente a influência das carreiras solos ainda é perceptível. Em “Veio pra ficar” (Pedro Viáfora), “Vem e vai” (Tó Brandileone), “Nem Tchum” (Leo Bianchini), “Você e eu” (Pedro Altério e “Não tem paz” (Vinicius Calderoni), lembram e tem referências claras dos trabalhos individuais). Sem perder a unidade que o disco alcançou revelando todas as cores e sonoridades alcançadas pelo coletivo.

(Com exceção de “Geografia Sentimental” e “O Sonho”, os vídeos divulgados não apresentam as músicas da forma exata como está no Policromo. Geralmente foram apresentadas em show das carreiras individuais)

Épocas. Prelúdio do resto do disco dá a sensação de chegada de uma viagem pelo tempo passado. Memórias, perdas e coisas que ficaram no caminho. Abre a porta para contar as histórias do CD.

“Será que eu suplico e fico a sua espera? Ou me despedaço e faço esse amor morrer?”

Eu amo Djavan. É uma das músicas mais leves e inteligentes do CD. O jogo com as palavras, a referência a Djavan, os trocadilhos traduzem bem a frase “Cantar é bom, entender pra que?”

“Seo Chico achou a rima rara, a dona Chica dimirô”

Você e eu. É uma canção romântica que lembra bastante o trabalho do Pedro Alterio com Bruno Piazza, além de ser mais uma parceria com Rita Alterio, mãe do compositor (Quem lembra de “Em Paz”?). Particularmente, não agradou nossa colunista (e colaboradora nesse texto) Beatriz Farias.

“Se eu quiser bato asas e nem vou olhar pra trás, sou capaz de virar retirante e tudo que era antes, vira nunca mais”

Nem Tchum. Parceria bem humorada entre Leo Bianchini e Celso Viáfora, a “moreninha mais difícil” é comparada a diversas situações antagônicas como “Rubro negro distraído gritar gol do Flu” e “índia do boi garantido vestir azul”, é provavelmente a canção mais divertida do álbum. Prestar atenção na letra é crucial.

“Você é a morena mais difícil, me dá nem tchum, pra cair na minha rede, nem com vodu”

Fiat lux. Uma das músicas mais surpreendentes do disco, a composição de Vinicius Calderoni é um Rap. Sim, isso mesmo que você leu, um Rap sobre ausência e vazios. É bem diferente do que já conhecemos no 5 a Seco, mas o resultado é fantástico. (Beatriz se recusou a colaborar com este comentário porque já está cantando)

“Quanto mais informações recebo, menos ouço os meus próprios gritos de socorro”

Veio pra ficar. É a música mais conhecida dos fãs, pois já fazia parte do repertório antigo e foi gravada pelo Pedro Viáfora no disco “Feliz pra cachorro”. Além do Viáfora, a releitura para o Policromo também tem Pedro Alterio nos vocais. Você conhece 5 a Seco? Então sabe bem o que essa parceria significa.

“Eu não dedico tempo aos temporais, daí não tem por quê portar punhais”

Vem e vai. Se você (como boa parte dos fãs) conheceu o 5 a Seco pela música “Pra você dar o nome”, do Tó Brandileone, “Vem e vai” agradará. É a ‘música para se apaixonar’ do disco. Quem conhece o álbum “Ontem, hoje e amanhã”, já deve ter percebido a temática do amor ideal, encantador, mas que não conhece o bastante, nas músicas do Tó. Você provavelmente vai se encantar.

“Não sei de onde você vem, muito menos o seu nome. Se eu te vi só uma vez, como posso estar insone?”

 Geografia Sentimental. A primeira música divulgada do Policromo, “uma canção em plano sequência, um passeio pela cidade imaginária de nossos afetos”, como foi definida pelos meninos.

“Esquina com a praça da ilusão perdida, distante do bairro de nome aconchego”

O Sonho. A parceria delicada de Brandileone e Alterio fala sobre amor de Pai. Em seu último show no Tom Jazz, Pedro dedicou a canção a seu pai e sua irmã. É a beleza do simples.

“Só eu e você, cara no vento nada pra esconder, de pai pra filha eu vejo o mundo pelo seu olhar”

Festa de rua. Parceria entre os Pedros e Leo Bianchini. O mais interessante é ver a diferença em relação a outra parceria de Bianchini e Viáfora: Amanhecendo, que entrou nos extras do DVD “Ao vivo no Auditório” que é sobre fim de relacionamento, partida. Festa de rua é literalmente uma festa. Particularmente sempre vi muitas semelhanças na voz dos dois e foi uma surpresa muito agradável ouvi-los juntos. Pode até não ter a letra mais surpreendente do disco, mas a quebra de ritmos e sons é encantadora.

“Quando o sol decresce na penumbra escurece, a cena muda, vão atrás do DJ”

 Não tem paz. Vinicius Calderoni sendo Vinicius Calderoni. Pela genialidade (perdão jornalístico pelo excesso de adjetivos, mas vamos concordar que neste caso é impossível controlar), lembra um pouco o caos (no bom sentido) de “Para abrir os paladares”, disco solo de Calderoni.

“Penso que nem sempre o silêncio logo implique em pasmaceira, nem tampouco essa baderna quer dizer revolução”

Primeiro olhar. Depois de “Nem tchum”, “Geografia sentimental” e “Festa de rua”, também do Leo, a música não se destaca. (essa é uma opinião particular que ainda pode mudar, só não me convenceu por enquanto). A melodia é bonita, mas entre “Não tem paz” e a próxima, passa despercebida.

“Dancei canções em você, sem ouvir sua voz”

Ninguém nem eu. Música mais bela do disco. O acréscimo do Pedro Alterio é um presente, mas de qualquer forma a graciosidade da música é de arrepiar.

“Quem será essa mulher que sorriu assim e descobriu em mim, o que ninguém nem eu sabia?”

Passo a Passo. Pedro Viáfora abre e fecha o disco mostrando que é um compositor incrível. Apesar de muitas mudanças desde “Gargalhadas” no primeiro disco, é um alívio ver que a parceria Alterio + Viáfora continua firme, forte e fantástica.

“Pensando se é possível te encontrar, só passo a passo eu posso te esquecer”

O nosso Policromo já chegou!

O nosso Policromo já chegou!

 

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