Abre Aspas / Música

A sofisticação e simplicidade da banda Baleia

Os cariocas voltam a São Paulo em agosto para se apresentar no Sesc Pompeia

* Por Meiri Farias

A banda Baleia começou fazendo versões bem criativas de música pop como “Toxic”, da Britney Spears e “What Goes Around Comes Around”, do Justin Timberlake. A brincadeira virou coisa sérias e o Baleia passou a explorar canções autorais que deram origem ao disco “Quebra Azul”.

Foto: Carolina Vianna

A expressão “Quebra Azul” abre margem para diversas interpretações, assim como as canções do disco. Trabalhando com metáforas, as composições da banda Baleia fogem do lugar – comum e dá lugar a uma pluralidade de sentidos. Cada um sente o som da banda de uma forma, compreende de maneira diferente.

A banda que é formada por Cairê Rego, David Rosenblit, Felipe Ventura, João Pessanha e os irmãos Sofia Vaz e Gabriel Vaz, recentemente se apresentou em São Paulo com a participação do Cícero. (No projeto /remix do blog Música Pavê, ele fizeram uma versão da música “Fuga nº4” do Cícero, enquanto ele gravou a canção Breu do Baleia). No próximo dia 26, a banda retorna a Sampa para se apresentar no Sesc Pompeia*.

Quer conhecer mais sobre o Baleia? Conversa com o Gabriel Vaz e o resultado você lê a seguir:

Armazém de Cultura: A banda começou fazendo versões de músicas de outros artistas. Como foi a transição para um trabalho mais autoral? Aliás, o título “Quebra Azul” tem a ver com essa mudança?

Gabriel Vaz: Sinto que o título “Quebra Azul” abarca muitos significados e um deles, de fato, pode ser o de uma quebra. Mas, como toda expressão poética, o mais legal é que ela contenha pluralidade de sentidos e que exija de cada um de nós nos encontrarmos ali. E a necessidade de nos encontrar foi o que catalisou essa transição para o trabalho autoral do Baleia. Fazer versões era leve e divertido. Mas, com o tempo, percebemos que tínhamos ali a possibilidade de fazer algo mais profundo e o espaço para explorar nossos impulsos artísticos. A banda passou de uma brincadeira para uma brincadeira séria.

 Versão da música  de 2011 da música”What Goes Around Comes Around”, do Justin Timberlake

AC: O disco tem arranjos sofisticados e algumas letras são abstratas e subjetivas. Como é processo de composição da banda Baleia?

Gabriel: Acho que toda letra subjetiva pode dar sensação de abstrato. Eu entendo que elas sejam bem metafóricas e que lidam com temáticas mais complexas ou sutis do que “eu te amo” ou “eu te odeio”, mas para falar de certas coisas, para conseguir expressar certos sentimentos, é necessário sair um pouco dos moldes, destituir palavras de seus sentidos mais funcionais e seguir um instinto mais emocional. No processo de composição da banda, estamos sempre tentando chegar no que nos é mais genuíno, mesmo que para isso precisemos desconstruir a canção. E mesmo que depois a gente acabe dando a volta e chegando na coisa mais simples e direta, porque aquilo é o mais bonito e sincero. No grupo, por mais que alguém traga o rascunho em voz e violão, todos tem o direito de dar pitaco e questionar letra e música. E isso não faz as coisas perderem pessoalidade, pelo contrário, obriga cada um a entender e se aprofundar ainda mais no que está fazendo.

AC: Se me permitem dizer, a capa do disco é muito bonita! tem algum significado especifico?

Capa do disco

 Gabriel:  Obrigado! Os bailarinos na capa são meus pais e da Sofia. É uma foto antiga. O Felipe veio com a ideia de usar essa foto e acabamos escolhendo ela exatamente por não ter um único significado, mas vários. Cada um da banda vê seu próprio sentido ali. Pessoalmente, é muito tocante que sejam meus pais voando no escuro. Grande parte das letras que escrevo tem a ver com a passagem do tempo, a noção da minha individualidade e a nossa velha condição humana. Também acho que nossos pais são como figuras mitológicas particulares que influenciam muito nossa visão do mundo, pra bem e pra mal. Acho que estamos todos herdando o vôo e o escuridão dos nossos antecedentes.

AC: Vocês já fizeram versões para músicas do Cícero e na última semana dividiram o palco com ele aqui em São Paulo. Como é essa “parceria”? Há identificação entre a música de vocês?

Gabriel: Há identificação entre nós como pessoas. Se a música parece ou não, acho que pouco importa. Ficamos amigos e temos admiração pelo trabalho um do outro. O mais legal é essa admiração se estender até o palco, até a profissão. Entrar nesses projetos e um fazer versão da música do outro é pura diversão.

AC: Falando nisso, quais são as principais referências musicais para vocês? E dos artistas contemporâneos, quais indicaria para quem ouve Baleia?

Gabriel: Gostamos muito da música que está sendo feita agora e encontramos nela nossos principais estímulos. Cada integrante tem influências muito diversas. Mesmo. Mas podemos citar alguns artistas que foram importantes pro desenvolvimento do nosso trabalho, até agora. Radiohead, Tune-Yards, Grizzly Bear, Arcade Fire e trilha sonora dos filmes antigos do 007 são alguns.

 Ouça a música “Jiraiya” do disco “Quebra Azul”:

O disco está disponível para audição no SoundCloud

 *Veja mais detalhes do próximo show da banda Baleia na nossa Agenda!

 

 

 

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