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Bruna Caram: Cantadora de histórias especialmente criativa

Entre doçura e intensidade, a cantora quer explorar todos os âmbitos da arte no palco

* Por Meiri Farias

“A voz de alguém quando vem do coração, de quem mantém toda a beleza, da natureza. Onde não há pecado, nem perdão”

A frase acima é da música “Alguém cantando” do Caetano Veloso, mas é a melhor descrição que podíamos encontrar para falar de Bruna Caram. A cantora de 28 anos, também pode ser definida em sua principal característica: O sorriso, ela sorri com os lábios, com os olhos, com os gestos e principalmente com a voz.

Foto: André Seiti

Foto: André Seiti

E é de sorrisos mas também de intensidade e emoção que é formado seu terceiro disco, “Será bem vindo qualquer sorriso” (recentemente Beatriz Farias publicou um texto sobre o álbum em sua coluna “Dica de segunda”), em que interpreta canções de Dani Black, Zé Rodrix, Pedro Viáfora, Mallu Magalhães, Djvan, Paulo Novaes, entre outros.

Neta da cantora de rádio Maria Piedade pelo lado materno e de Jamil Caram pelo lado paterno, Bruna tem a música no sangue. (Você já leu a entrevista que fizemos com o primo dela, Paulo Novaes?). Talvez por conviver com a música em casa, ela consiga fazer do palco seu lar com tanta facilidade. Como dissemos mais cedo, no texto “Especial de Aniversário – Paulo Novaes e Bruna Caram”, a ‘cantatriz’, como se intitula, mescla leveza e intensidade em suas apresentações. A naturalidade com que transita por composições suas e de outros artistas é notável. Bruna é acima de tudo uma interprete de sua arte, sendo ou não literalmente de sua autoria.

Mas é impossível duvidar que essas músicas são suas. Bruna dá vida ao que apresenta e não se limita a simplesmente cantar, mas transforma cada verso e gesto em sentimento. Ouvir Bruna Caram vai além de se encantar com um trabalho bem feito. Você também se sente um pedacinho da canção e por alguns minutos também faz parte daquelas histórias que são dela, dos autores e um pouco nossa também.

Armazém de Cultura: Olá Bruna, tudo bem? Ao assistir seu show, percebemos que você é uma interprete no sentido mais completo da palavra, não apenas cantando a música, mas interpretando com profundidade e delicadeza as composições de outros artistas em seu próprio universo. Como é a escolha do seu repertório? O que te motiva a escolher uma música ou compositor em detrimento das demais possibilidades?

???????????????????????????????????????????????Bruna Caram: Primeiro: obrigada, passei a vida inteira estudando pra chegar a essa interpretação, e vou morrer estudando achando que dá pra melhorar! (risos) Ainda bem! A escolha do meu repertório mudou muito ao longo dos anos. Até meu segundo álbum, eu sofria com cada canção que entrava pro disco ou caía. Queria que coubesse tudo, ficava chateada pela canção, pelo compositor. Desde o álbum mais recente, aprendi a respeitar o que o disco pede. O disco é uma fotografia, é um momento, é um retrato do meu estado de espírito naquela época, do que tenho a dizer, e ele pede um fio condutor, um chão. Eu digo que metade do disco eu faço, metade ele mesmo se faz. As primeiras canções que escolho, por sentir uma necessidade inacreditável de cantá-las, vão tecendo os primeiros fios da trama que virá. As outras vão sendo experimentadas pra ver se cabem ou não. É um processo muito pessoal.

AC: Você também é compositora e músicas como “Pode se animar” e “Feriado Pessoal”, certo? Como é esse processo de composição para você? É muito diferente cantar a música sua em relação a de outros compositores?

Bruna: Sim. Nunca foi diferente, pois sempre cantei as canções dos outros como se fossem muito minhas. Mas hoje começo a sentir não uma diferença, mas um orgulho especial quando canto uma canção minha. Acho que estou começando a pegar gosto por compor. Amo garimpar canções, mas tenho também amado a sensação de contar a história como eu mesma escrevi.

Bruna caram Paulo Novaes

Com Paulo Novaes no vídeo da música “De repente”

AC: A poesia também é frequente no seu trabalho, acompanhamos as publicações #poesiaavulsa. Tem planos concretos de transformar esse trabalho em livro? Falando nisso, outras manifestações artísticas como a literatura, teatro, dança, influenciam concretamente sua música?

#poesiaavulsa

#poesiaavulsa

Bruna: Totalmente! É um dos meus sonhos mais importantes, tenho discutido maneiras de concretizá-lo. Já tenho livro pronto pra lançar, cedo ou tarde ele virá. Os outros âmbitos da arte estão sempre no meu trabalho e viraram uma espécie de marca registrada. Cantar pra mim nunca foi abrir a boca e revelar notas. Cantar é contar histórias, revivê-las, transmiti-las, transcendê-las. Uso tudo o que posso para fazer a música sem compreendida. Uso a voz, o corpo, o humor, a palavra, a intenção, a fúria, a doçura. Por mim até o fim da vida terei trazido absolutamente todos os âmbitos da arte para o palco, de arquitetura a circo. Quero que a música seja muito maior que eu.

AC: Você divulga vídeos extras com frequência (Cantando em casa, Qual canção, o Faixa – a – Faixa na época do lançamento do CD, etc.). Como surge a ideia para esses vídeos?

Bruna: Acho que é minha necessidade de produzir! E sem burocracia. Também gosto de me aproximar do público, de mostrar menos do que a grandiosidade do palco. Como sou exagerada nos recursos de palco, é nesses vídeos despretensiosos que mostro a essência daquele exagero.

“Cantando em casa”

“Qual canção?”

AC: O show de sábado foi parceria com o Paulo Novaes, que além de compositor de algumas músicas do seu disco também é seu primo. Como é essa parceria?

Bruna: Este show é muito especial, e a primeira versão dele apresentamos na Espanha no ano passado, pra onde íamos de férias e aproveitamos pra tentar armar algo. Foi muito especial lá, pois éramos só dois no palco, e compusemos várias novas músicas e abusamos dos recursos pra atrair a platéia estrangeira. Paulinho é meu maior parceiro, um dos meus compositores favoritos, digo que é minha alma gêmea musical. E agora temos o luxo de remontar esse show, dessa vez com banda, com mais canções conhecidas nossas, pra apresentar na nossa própria cidade, de graça, na praça. Minha vontade é rodar com esse show também depois, espero que possamos!

Ouça “Especialmente criativa”

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