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Dica de Segunda Especial – Paulo Novaes

*Por Beatriz Farias

O texto de hoje demonstra mais uma vez o meu orgulho ao constatar o quão bem das pernas anda a música do nosso país, e por isso falo hoje de uma pessoa que conheci dessa forma.

Foto: Hélade Izabela Barboza

Paulo Novaes tem 21 anos, mas a pouca idade já foi tempo suficiente para mostrar seu talento como músico e compositor. Já tocou nas ruas de Montreal, quando esteve no Canadá, e também em Barcelona. Como compositor já teve canções gravadas por artistas como Bruna Caram, Pedro Altério, Luiza Possi, Juca Novaes entre outros e em breve lançará um projeto para o financiamento coletivo do seu primeiro disco.

Nas composições de Paulo, a voz e as melodias se cumprimentam de forma curiosa. Faz que você queira saber mais de música só pra perceber como pode o casamento tão bem feito entre uma coisa e outra. Mas quando a letra chega ao coração não é preciso de muito entendimento, comecei comentando de conhecer e é disso que falo agora. Paulo Novaes conta história tão sinceras que não importa o quão parecido aquela situação é ou não da sua vida, você se apropria. No tempo em que o superficial é tão bem aceito em vários lugares, não se incomode em soltar um suspiro ao ouvir algo como “quero te encontrar mas só se for sorrindo” porque é preciso lembrar que a música é alivio, e para quando não temos o que dizer, a gente ouve e sente.

A seguir a entrevista que o compositor concedeu ao Armazém de Cultura:

Armazém de Cultura: Para começar, como estão seus projetos? Você tem previsão para lançar um disco seu em breve? 

Paulo se apresenta com Bruno Piazza (teclado), Gabriel Alterio (bateria) e Igor Pimenta (baixo). Foto: Hélade Izabela Barboza

Paulo Novaes: No dia 24 de agosto vamos lançar o projeto de financiamento coletivo pelo site Partio. O disco é um sonho muito antigo que, se tudo der certo, vai se tornar realidade em breve. Todo o repertório, conceito e produção musical já estão prontos. O que falta mesmo é o dinheiro, e o financiamento coletivo é uma forma muito justa, no meu ponto de vista, pra que se consiga realizar os projetos, ainda mais num mercado tão competitivo como o de hoje. Fora o CD, tenho um projeto de shows com a Bruna Caram. Já fizemos em Barcelona, iremos fazer agora em São Paulo e também conversando com outras cidades.

AC: Em algumas de suas composições como ‘Esfera’, ‘Será bem vindo qualquer Sorriso’ e ‘O que eu Quero’, sentimos uma temática em comum (a questão de passar por momentos difíceis e reagir da forma diferente do esperado, querendo mudanças, transformações positivas e etc.), essa semelhança é intencional? Como funciona o seu processo de composição?

Paulo: Acho que essa semelhança não é intencional. É simplesmente um reflexo de mim mesmo, que acaba sendo evidenciado através das composições e consequentemente influencia na temática das canções. O processo de composição é quase que cem por cento intuitivo… Dificilmente eu demoro muito pra concluir uma composição. Acredito muito que no momento sagrado em que você compõe, é de onde saem as coisas mais sinceras. As vezes lapidar demais uma musica acaba a tornando muito “quadrada”. É claro que isso não é uma regra… Existem inúmeros compositores geniais que lapidam a canção até a perfeição. Mas acho que deve haver um equilíbrio entre a intuição total e o trabalho total. Assumo que as vezes é uma defeito a pura intuição, mas essa é a verdade que eu acredito e que me fez conquistar o respeito que eu conquistei como compositor.

Ouça “Alma”:

AC: Por falar em composições, como é ver suas canções gravadas por diversos artistas, como Bruna Caram, Pedro Alterio e Bruno Piazza, entre outros?  

Paulo: Não tenho palavras pra descrever a emoção de ser gravado por outro artista. Ainda mais que muitos deles são referências e que influencias significativas na minha musica. A Bruna é minha prima que eu cresci a vendo cantar e sempre a tive como referencia de artista. O Pedro conheci muito cedo e passamos a construir uma troca de influencias muito vantajosa para os dois, além de ser um grande amigo. Enfim… Para mim o maior presente para um compositor é ser gravado e interpretado por outro artista.

Com Bruna Caram, prima e parceira de composições

Com Bruna Caram, prima e parceira de composições

AC: Esses artistas são influências para a sua carreira? Além disso, quem você indicaria dessa nova geração de músicos?

Paulo: Tenho um grupo de amigos compositores que sustentam uma amizade muito sólida e que se influenciam muito. Assim acaba se formando uma nova geração: a influencia musical mutua de um grupo de amigos compositores. Todos são as minhas principais referencias e indico de olhos fechados como Pedro Altério, Dani Black, Pedro Viafora,Paulo Monarco, João Guarizo, Barbara Rodrix.. Enfim. São muitos nomes. Fazer parte disso é espetacular.

AC: Se você tivesse que ouvir um único CD para o resto da sua vida, qual seria?

Paulo: Um disco de uma cantora de cabo verde chamada Mayra Andrade. O disco se chama “Storia Storia”. Não canso de ouvir.

 

Considerações finais: Geralmente escolhemos uma música para sugerir, mas nesse caso não acho justo escolher apenas uma canção para que você conheça, já que como muitas vezes ressaltamos, a música é recebida de forma diferente pelas pessoas. Então deixo aqui o SoundCloud, e você pode aguardar ansioso o CD ser financiado.

 

 

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