Abre Aspas / Música

Revirando a gaveta de Phill Veras

O músico maranhense é autodidata e suas influências vão de Chico Buarque a Marcelo Camelo

*Por Meiri Farias

“Na pele, em toque, o arrepio de corpo em brasa
Por trás dos sons, um barulhinho de prazer
Tira o som dessa TV”

Assim cheguei até a música do Phill Veras, por meio de um vídeo acústico de uma simplicidade absurda onde cantava “Valsa e vapor”. Nas ‘andanças’ entre os novos caminhos da MPB, obviamente já sabia de quem se tratava, mas depois de “E somos nós na valsa no vapor, nada mais além de nós, num disco voador, descobrindo seus lençóis”, não foi difícil me render.

Há musicas que você ama pela letra outras cativam pela melodia, as canções de Phill pairam entre o limite tênue da palavra e do som que impregna sua mente e não larga mais. Caminhando por banalidades do cotidiano como a TV a desligar ou pelo lado mais sofisticado da poesia, as canções do músico maranhense tratam de um mergulho no que há de mais profundo e intimo no amor. Tudo com uma leveza inacreditável.

Phull Veras -

Foto: Diego Ciarlariello

Phill é autodidata e essa característica se faz notável pela forma quase despretensiosa com que interpreta suas canções. E é nas nuances entre intensidade e delicadeza que seu trabalho mostra único e completamente distinto de tudo que já escutamos. Ouvir seu disco é como abrir a dita gaveta e revirar memórias que não vivemos, mas que também nos apropriamos e se registram de forma instantânea e profunda na nossa memória afetiva.

Confira a entrevista!

Armazém de Cultura: Como foi o seu “despertar” para música?

Phill Veras: Sou autodidata, mas tenho muitos músicos na família. Não tenho dúvidas de que isso me influenciou bastante. Ganhei meu primeiro violão aos 11 anos de idade e comecei a tirar as músicas do Nirvana de ouvido. Talvez o Kurt Cobain tenha me despertado para a música.

AC: Ao ouvir “Gaveta”, sentimos que é um álbum muito pessoal. Todas as composições são suas? se sim, o que mais te inspira a compor?

Phill: Sim, todas são músicas minhas, e acho que o que me inspira a compor é simplesmente viver. Escrevo muito sobre as coisas que eu vivo ou já vivi, e o Gaveta é puramente isso, extremamente pessoal.

 AC: A música “Faz”, conta com a participação de Ana Larousse. Como aconteceu? Ana é parceira apenas na interpretação ou também colaborou na composição?

Phill: Eu tinha a música antes de conhecer a Ana, e inclusive mostrei a música pra ela no mesmo dia em que nos conhecemos, sem a intenção de convida-la para gravar. A Ana adorou a música, e a ideia de chama-la me veio nos últimos dias de gravação do disco.

AC: Alguns artistas citam muita dificuldade, até sofrimento na hora de fazer uma música. “Valsa e vapor” do seu primeiro EP descreve sensações e sentimentos com muita delicadeza e intensidade, como é esse processo de composição para você? de quando surge a ideia até a finalização?

Phill: Basicamente do nada, não me programo pra compor, geralmente me vem uma melodia na cabeça, e se não tenho o violão por perto, fico cantarolando a melodia e gravo no celular. Com o violão em mãos, vou lapidando a canção.

AC: Na canção “Mulher”, o eu lírico é feminino. Um dos artistas mais conhecido por utilizar esse elemento em suas canções é o Chico Buarque. É uma referência para sua música?

Foto: Carol Tavares

Foto: Carol Tavares

Phill: Com certeza. Sou apaixonado pela obra do Chico. Escrevi a música com um grande amigo compositor, Marcos Lamy, e fizemos a música quase que homenageando o Chico. Lembro de falarmos muito sobre suas músicas com eu lírico feminino no dia em que escrevemos ”Mulher”‘.

AC: De forma geral, quais artistas influenciaram sua música? E atualmente, o que indicaria para quem curte o seu trabalho?

Phill: Fora o Chico, tem o Caetano, a banda islandesa Múm, o Marcelo Camelo, os trabalhos do Thom Yorke, e uma banda maranhense chamada Soulvenir (que é o que eu tenho mais escutado nos últimos dias, e parte dessa banda vai trabalhar comigo no meu próximo projeto)

AC: Para terminar uma pergunta que sempre fazemos no Armazém: Se pudesse ouvir apenas um disco para o resto da vida, qual seria? 

Phill: Sou do Marcelo Camelo. Desde 2008 eu piro nesse disco.

Ouça “O piano”:

 

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