Abre Aspas / Literatura

Você conhece o Literatortura?

O maior blog de literatura do Brasil foi criado por Gustavo Magnani em 2011 e desde então vem agregando colunistas e colaboradores que ajudam na manutenção do conteúdo no site

* Por Meiri Farias

Além de falar de literatura, o Literatortura traz matérias sobre cinema, seriados, história e cultura em geral. A página que já tem mais de 500 mil curtidas no Facebook e quase 13 mil followers no Twitter, nasceu da necessidade de criar uma base de leitores para divulgar o trabalho de Gustavo Magnani como escritor e explorar um nicho que ainda estava vazio na Internet.

Para entender melhor esse projeto, conversamos com Gustavo que nos conta sobre o trabalho com o Literatortura e seu livro Ovelha, além de suas referências na literatura.

Armazém de Cultura: Você deve ouvir muito essa pergunta: mas como foi o nascimento do Literatortura?

Gustavo Magnani: O Literatortura surgiu basicamente por dois motivos: minha vontade e consciência de que era necessário ter uma base sólida de leitores, para poder ter uma conversa mais interessante com as editoras e poder ter um veículo onde meu trabalho fosse divulgado.

O segundo motivo foi por enxergar um espaço vazio naquilo que se tratava de sites de literatura. Em 2011, a internet já era gigante, mas ainda existiam muitos nichos não-preenchidos. E o Literatortura veio para ocupar esse espaço, junto com outras sites que surgiram depois ou muito próximo dele.

Home do blog Literatortura

Home do blog Literatortura

AC: O blog tem diversas editorias, especiais e colunistas. Como você administra e mantém esse fluxo frequente de conteúdos atualizados?

Gustavo: Bem, eu trabalho, hoje, com dois estagiários. Dividimos essas funções. Atualmente, tenho trabalho menos como blogueiro e mais como editor, tratando do Literatortura, especificamente. Eu decido as pautas que sairão no dia x e os colegas que trabalham comigo fazem o trabalho de publicação/escritura. Já os colaboradores, que não são remunerados, nós temos um diálogo muito bom e existe o prazer deles de escrever e ter um lugar bacana para expor.

Não é difícil administrar essas pessoas. Elas são, em maioria, excepcionais e bastante responsáveis. Às vezes, acontece de uma mensagem, perguntando pela ausência de matérias. Mas, nunca quis passar a ideia de cobrança. Afinal, são colaboradores. Uma pena ainda não poder remunerar todos que participam do litera.

AC: No vídeo “ENTÃO, TAMBÉM FUI REJEITADO POR UMA EDITORA” você fala sobre ter escrito seu livro em quarenta dias, poderia mais sobre essa experiência? E também sobre do que se trata o livro realmente?

Gustavo: Falo sem problema algum. Adoro falar de literatura e, mais especificamente, daquilo que eu ou amigos escrevemos. Eu digo que ele foi escrito em 40 dias, mas, por bobeira minha, não percebi que esse seria um item que as pessoas marcariam (vários leitores me questionam sobre isso), e esqueci de dizer que o livro foi cresceu em mim durante anos. Mas, o engraçado é: eu não sabia disso.

A partir do momento em que eu vi que tinha uma história, ela levou 40 dias para ser escrita. Mas, eu que sou muito pouco romântico com o trabalho do escritor, acabei levando uma bela surra, porque tudo estava pronto. Não, não foi a musa que me deu (risos), mas estava pronto por tudo que eu havia vivido, lido e conhecido até então.

(O vídeo foi publicado originalmente na coluna que Gustavo mantém no Literatortura)

É um livro que envolve religião e eu fui muito religioso em um período da minha vida. Conheci esse mundo de maneira muito profunda e dedicada. Li toda a Bíblia em 3 meses. E não a li como uma leitura comum, li estudando-a, marcando passagens, pesquisando sobre. Foi uma experiência incrível e que me marcou para sempre. Então, eu preciso sempre deixar claro que: escrever o OVELHA levou 40 dias, mas produzi-lo (mesmo que eu não soubesse), foram anos.

E é isso que, por enquanto, eu posso falar do livro haha. Algumas pessoas até podem achar que a minha vontade em não falar dele é puro charme. Mas, não é. É recomendação de quem agencia meu trabalho como escritor e, principalmente, de uma vontade própria. A história é bastante polêmica e eu só quero dar foco pra ela quando o livro estiver pronto pra sair, com editora definida e tudo. Não quero ter que me preocupar com possíveis retalhações agora.

AC: No vídeo você também conta que começou cedo na literatura, escrevendo um livro quando tinha treze, catorze anos. Quais eram suas principais referências literárias?

Gustavo: Naquele momento, minha principal referência era um escritor espanhol chamado Carlos Ruiz Zafón. Eu praticamente copiei a história dele, mas deu alguns toques pessoais. Ficou horrível, obviamente haha. E me sinto um pouco bobo de ter sido tão descarado. Mas, não houve malícia. Eu queria mesmo homenagear um autor que foi tão importante pra mim, naquele momento. Hoje, não leio mais Zafón. Li o último livro dele e me decepcionei amargamente. Prefiro manter na memória o quanto “O Jogo do Anjo” me tirou o ar.

Foto: Página Gustavo

Foto: Página Gustavo

AC: E o hoje, o que costuma ler com frequência? Que gênero e autor prefere?

Gustavo: Não prefiro nenhum gênero em específico. Pra ser um pouco mais exato, eu apenas me afasto de romances, chick-lit, autoajuda e gêneros semelhantes. Não por desmerecimento, mas apenas porque não são o meu perfil. Respeito e me interesso por aqueles que gostam.

Eu acabei de passar por uma fase de ler clássicos e uma literatura do começo pra metade do século XX. Foi uma fase ótima. Li menos do que gostaria, mas isso foi por conta do trabalho mesmo. Ler durante o trabalho acaba atrapalhando a leitura prazerosa. Ao menos pra mim. Quando eu ia descansar, queria jogar videogame, assistir filme, correr, jogar bola. Como leio o dia inteiro (artigos, matérias, notícias), acabei ficando um pouco distante. Mas, estou me policiando mais. E agora, pra ser mais específico, comecei uma onda de literatura brasileira contemporânea. O meu próximo livro é o “Barba Ensopada de Sangue”, do Daniel Galera, ao qual eu já deveria ter lido, mas sabe-se lá porque, não li.

AC: Além da questão das editoras, qual é a maior dificuldade para quem quer escrever e lançar um livro no Brasil?

Gustavo: Acho que é o acesso a informação de qualidade. O escritor precisa entender que nem só de inspiração ele vive (na realidade, muito pouco). Precisa ter ciência de que, veja bem, a literatura é uma arte e, como a música ou o cinema, existem coisas que precisamos aprender para produzi-la. E isso pode ser feito intuitivamente (MUITO raro), ou através de livros, cursos, aulas etc. Isso vai parecer ensaiado, mas juro que não foi, porque hoje mesmo lancei o meu curso de Técnicas Para Escrever um Livro.

Realmente acho que o escritor nacional precisa ter cada vez mais isso em mente. E, está tendo. Mas, vale ressaltar: não existem fórmulas para se escrever. Existem técnicas que podem ser melhoradas, recicladas ou quebradas. E isso os gênios sabiam e faziam. Ou alguém vai dizer que Machado não fazia ideia de como estruturar um romance?

Capa LiteratorturaO Literatortura também tem uma revista que já está em sua sétima edição! confira

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