Abre Aspas / Música

Bruna Moraes e o olhar de dentro

A jovem artista conta influências e mostra a alma através de sua arte

*Por Meiri e Beatriz Farias

A música de Bruna Moraes entra em sua casa, afasta a cortina, clareia a sala da alma e te abraça. Aperta o peito, enche seus olhos de água e o coração de poesia. Só parafraseando a canção “Muito mais”, de autoria da cantora de 19 anos é possível explicar o efeito de sua música. A canção abre a porta e te chama para entrar.

Foto: Página da artista

O que mais impressiona é ver como essa pessoa pequena na estatura, cresce no palco. Sua voz projeta o talento raro e uma sensibilidade apurada. Difícil descrever, mas fácil de compreender ao vê-la em ação. Bruna Moraes canta de alma e seu corpo é instrumento daquilo que sua voz nos fala. A grandeza de sua música é um processo interior, vem de dentro pra fora.

A pouca idade de Bruna não é páreo para o potencial. Seja na delicadeza ou na intensidade, a música realmente te abraça, envolve e guia os seus ouvidos por um caminho de beleza e simplicidade que só a arte mais sincera consegue alcançar.

Armazém de Cultura: Você ainda é bem jovem e já têm uma carreira e inclusive já lançou CD. Sempre teve vontade de cantar?

Bruna Moraes: Essa pergunta é sempre difícil de se responder. Não tem uma data exata! Mas me lembro que, desde muito jovem tenho uma ligação muito forte com a música. Sempre estive ligada nas canções, nos instrumentos e suas linhas melódicas, quando as ouvia com meu pai, que foi uma das minhas maiores inspirações para começar a tocar e cantar. O meu parceiro Ítalo Lencker foi quem me introduziu ao meio musical, como compositora e letrista, e, também como letrista. Daí vieram os festivais e os shows autorais, com as parcerias e composições minhas. Desde então, não parei mais. A música me pegou pelo braço! (risos)

Bruna interpreta “Como nossos pais”, do Belchior, conhecida pela interpretação de Elis Regina:

AC: Você tem músicas suas no disco, e também um blog onde escreve poemas e textos, a literatura é uma forte influência pra você? Quais seus autores preferidos?

Bruna: Costumo ler muito o Manoel de Barros, o Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes. Poesia é meu forte. Ler poesia é a parte mais importante em ser compositor. Escrever poesias, sem compromisso também é importantíssimo, pra mim.

“Há alguns anos olhei nos olhos da música. Revi meus dias e resolvi que os deixaria para trás. Abracei o violão e todos aqueles que estavam sentados nas cadeiras ao meu lado. Há alguns meses percebi que ela poderia ser algo mais, além do alimento da alma. Vi que poderia ser ofício. Então, palavrei nos olhos da música, sentei no banquinho com o violão e aceitei a grande sina de sorrir à música”

Descrição do Blog Bairro da Alma

AC: O seu cd “Olho de Dentro” está disponível para ouvir no Deezer, você acredita que a internet é a melhor plataforma para divulgar novos trabalho?

Bruna: A Internet é o meio mais fácil para se conectar com pessoas mais distantes. Se espalha rápido e é muito prático na divulgação. Acho que tive sorte em estar nessa geração, com os veículos assim, tão acessíveis. Tenho certeza de que ela é a mais nova “mãe” do autoral.

Bruna Moraes

Foto: Página da artista

AC: O disco conta com uma versão da música “Sem Fantasia” do Chico Buarque, que é referência na música brasileira a bastante tempo, como você enxerga essa influencia nessa nova geração de compositores?

Bruna: Eu e meus amigos compositores não deixamos passar essas influências, por serem tão ricas e indiscutivelmente geniais. O período da geração de artistas durante a ditadura de 64 e sua censura, gerou pedras preciosas, e nos deixou um material vasto que, todos, sugamos ao máximo. São canções eternas e, muitas, atemporais. O Chico, o Gil, o Caetano, e vários outros nos servem de professores. Assim como outros compositores que eu costumo ouvir muito, como o Nelson Cavaquinho, o João Bosco, o Cartola, o Noel, o Moacir Santos. A música brasileira está cheia de gênios. Sem falar em seus intérpretes, que me ensinaram a ser cantora: Elis, Leny, Rosa Passos… são nomes infindáveis! Morro de orgulho do meu país e sua arte única e gigantesca.

AC: Por falar em nova geração de compositores, no repertório há também uma música de Pedro Viáfora e Pedro Altério. São influências pra você? O que mais tem ouvido desses novos artistas?

Bruna: São, e muito! Eles, o Paulo Monarco, Dani Black. Tem muita gente boa, por aí. Agora, tenho ouvido muito o Drexler, que, pra mim, faz parte de uma geração nova, apesar de ter o nome e o espaço que tem. Mas o disco novo do 5 a seco, “Policromo”, tem tocado bastante nos meus fones de ouvido.

Ouça “Muito Mais”:

 

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