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A nostalgia bonita nos quadrinhos de Vitor Cafaggi

Os quadrinhos do Vitor têm um tom nostálgico que retorna a infância de forma delicada e sensível

*Por Meiri Farias

Ele cresceu lendo revistinhas do Homem – Aranha, Calvin and Hobbes e como toda criança dos anos 80, assistia Peanuts e foi ao cinema ver “Os Gonnies” e “De volta para o Futuro”. O trabalho de Vitor Cafaggi transita com criatividade por essas referencias trazendo em seus quadrinhos um retrato meio nostálgico de cores e traços característicos a uma viagem bem bonita de retorno a infância.

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Foto: Blog As leituras do Pedro

Vitor criou o blog Punny Parker para divulgar suas tirinhas do personagem título, releitura do que seria a infância do Homem – Aranha. Hoje publica as aventuras de Valente, um cãozinho que vive todos os dramas e novidades da adolescência, inclusive a descoberta do amor e a consequente desilusão. Além do sucesso de seus personagens, o trabalho do Vitor ganhou projeção e novos admiradores ao participar do projeto GraphicMSP, criando em parceria com sua irmã Lu Cafaggi, uma releitura caprichada e sensível da turminha do Mauricio de Sousa. Já falamos muito sobre as GraphicsMSP (aqui e aqui) – e continuaremos falando, pode acreditar – e resultado de Laços é realmente muito especial por resgatar o que há de mais inocente e bonito na infância. Assim como Mauricio diz na introdução do livro “emociona justamente por mostrar as coisas simples da vida do jeito que elas são… Pelo olhar das crianças”. E essa é a melhor definição para o trabalho do Vitor que se pode se encontrar.

Armazém de Cultura: Oi Vitor, tudo bem? Sua presença foi confirmada na Bienal SP para autografar “Valente Para o Que Der e Vier”. Animado? E como leitor, tem alguma atração específica que gostaria de ver na Bienal? **

Vitor Cafaggi: Tô bem animado para o lançamento. Espero encontrar muita gente por lá e saber o que as pessoas acharam desse novo volume. Sobre as atrações da Bienal, não vou poder desfrutar muito delas. Chego em São Paulo no sábado mesmo do lançamento do Valente. Provavelmente vou direto pro stand da Panini autografar o novo Valente. Quando terminar, começa a sessão de autógrafos da MSP. De lá, já devo ir embora. Acredito que não vou ter chance de ver muita coisa.

AC: Você fez um trabalho muito bonito, em parceria com sua irmã Lu Cafaggi, a GraphicMSP Laços. Além do traço sensível, percebemos diversas referências à cultura pop. Como surgiu a ideia para o roteiro? como é desenhar com sua irmã?

com a LU

Fotot: renegadoscast

Vitor: A ideia do roteiro surgiu naturalmente, no mesmo dia em que recebemos o convite para criar a revista. Queríamos uma história simples, que servisse para mostrarmos como enxergamos esses quatro personagens (Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali), as relações entre eles, a amizade deles… Sobre trabalhar com a Lu, foi ótimo. Agente aprende muito um com o outro, a gente conversa muito, não só sobre quadrinhos, a gente pensa parecido. Minha irmã é uma das pessoas mais inteligentes e talentosas que eu conheço, então é sempre bom ouvir o que ela tem a dizer. Na verdade,  confio mais na opinião e no bom gosto dela do que nos meus. Ter mais alguém na minha casa fazendo quadrinhos, torna isso um trabalho menos solitário. Enriquece muito o produto final.

AC: A GraphicMSP “Laços 2” está a caminho, certo? O que pode adiantar a respeito dessa continuação?

Vitor: Estamos terminando o roteiro. Queremos fazer uma coisa diferente em termos de história, mas que ao mesmo tempo tenha um pouco do clima de Laços. Se tudo der certo, devemos começar a desenhar em outubro.

AC: Conversando com o Sidney Gusman, ele contou que este projeto tinha como foco, não somente apresentar novos artistas para o grande público, mas também resgatar aqueles adultos que abandonaram os quadrinhos. O que acha do projeto? Se pudesse escolher outro personagem para fazer uma releitura (independente de ser da Turma da Mônica ou não), qual seria?

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Foto: Armazém

Vitor: A ideia do selo Graphic MSP é que cada autor possa trabalhar com os personagens do Mauricio dentro de seu próprio estilo. É um grande projeto. Todo mundo ganha muito com ele. Os autores, que passam a ser mais conhecidos. Os personagens do Mauricio, que passam a ser vistos de outra maneira e ganham novas camadas de interesse. E, claro, os leitores, que ganham tudo isso. Se eu tiver que escolher um personagem pra fazer uma história estilo Graphic Novel seria o Homem-Aranha. Sem pensar duas vezes.

AC: Nos últimos anos diversos blogs dedicados a quadrinhos surgiram e ganharam projeção (Will Tirando, Um sábado qualquer, RYOtiras, entre outros). Como o seu blog surgiu? De onde veio a ideia de fazer um alter ego do Peter Parker?

Vitor: Não sei exatamente de onde surgiu a idéia do Puny Parker. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele. O Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin,assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De Volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone… acho que a idéia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo.

parker17port

Quando comecei a fazer as tiras semanais do Puny meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Para, assim, melhorar meu traço e minha narrativa e um dia fazer um trabalho digno de apresentar para as editoras. Comecei colocando as tirinhas no meu álbum de fotos do Orkut e avisei aos amigos que ia fazer uma tirinha nova toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas. Meus amigos mostravam as tirinhas para os amigos deles e, com o tempo, mais gente foi conhecendo o personagem. Muita gente me pedia pra fazer as tirinhas em português e, por isso, criei o blog.

AC: Como foi a transição do Puny para o Valente como protagonista das tirinhas?

Vitor: Nesse caso foi bem tranquilo. Até pelo fato dos personagens não serem assim tão diferentes. Valente e Puny Parker têm muito de mim, Puny é minha infância e Valente, a adolescência. Fora que, por alguns meses, fiz as duas tirinhas ao mesmo tempo. Foi bem natural e sem traumas fazer essa mudança. Quando Valente surgiu, o fim das histórias do Puny já estava planejado.

valente 146 cor

AC: O que é mais difícil: Criar o conceito de um personagem e desenha-lo ou fazer uma releitura de um personagem que já existe?

Vitor: Os dois são divertidos. Possivelmente essa é a minha etapa favorita do processo todo. Pensar no personagem, rabiscar ele as primeiras vezes… tudo isso é muito bom. Fazer uma releitura pode ser mais rápido, por você já conhecer bem o terreno em que está pisando. O que leva também a ser uma responsabilidade maior. Criar um personagem do zero abre um leque de possibilidades grande demais. E, por isso, acaba sendo mais demorado.

AC: Quais são suas principais referências no universo dos quadrinhos? E o que indicaria para quem gosta do seu trabalho?

Vitor: Os trabalhos dos Bill Watterson e do Charles Schulz são, com certeza, minhas grandes influências. Considero as histórias do Calvin como a melhor coisa já feita em quadrinhos. E Peanuts é a base de tudo. Mais recentemente, me inspira bastante os trabalhos de Jeff Smith, Bruce Timm, Skottie Young, Sonny Liew, Juanjo Guarnido e Kyle Baker. Um quadrinho que sempre indico é Bone, do Jeff Smith. Acho que quem gosta do que eu faço, tem grandes chances de adorar Bone.

ValenteParaDereVier

**Vitor estará na Bienal no próximo sábado para lançar seu novo livro “Valente para o que der e vier” e também participa da tarde de autógrafos coletiva com artistas que ilustraram as GraphicsMSP.

 

 

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