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Tem na minha estante: Bidu – Caminhos (Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho)

* Por Meiri Farias

 

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A coluna “Tem na minha estante” nasceu para falar dos meus livros mais queridos, sem a preocupação de manter uma periodicidade definida. Um texto mais espontâneo onde comento o motivo para eles estarem em lugar de honra na minha prateleira. O livro de hoje é interessante por ser justamente minha mais nova aquisição: Bidu – Caminhos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho. Outro aspecto curioso por se tratar novamente de uma GraphichMSP.

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 Já falei no ultimo texto, o quanto esse projeto é bonito e significativo. As Graphics não apenas resgatam personagens do Mauricio de Sousa, como também apresenta e projeta os artistas criadores para os leitores. Público esse, que é o principal ganhador quando tem a sorte de folhear um trabalho tão caprichado assim.

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Bidu, acompanhado por Franjinha, foi o primeiro personagem de Mauricio a ser publicado na Folha da Tarde em 1959. O cachorrinho azul foi inspirado em Cuíca, bichinho que Mauricio teve na infância. Na releitura de Damasceno e Garrocho, Bidu passa por muitas dificuldades até ser encontrado por Franjinha e adotado. Mais uma vez, o importante na Graphic não é sua sinopse ou pura e simplesmente o enredo, mas sim os elementos que dão vida a história e faça com que a mesma seja compreendida.

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Podemos notar vários aspectos interessantes em ‘Caminhos’: Cores como azul, roxo e amarelo são predominantes e dançam de forma coordenada e fluída com o desenho de forma que é impossível imaginá-lo de outra forma. Mas o que mais surpreende é o caminho utilizado na progressão do enredo: com pouco diálogo, faz crer que uma onomatopeia vale mais que mil palavras. Chomp, Grrrrr, Splos, Crec, se esses recursos já são muito utilizados em HQs tradicionais, em Caminho se torna um meio fundamental para compreensão do texto. Mais do que recurso para produzir ruído, a onomatopeia se apresenta como elemento visual que contextualiza o enredo sem choque, quebra ou ruptura.

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A noção de continuidade também enriquece a história. Os quatro lados do quadrinho não engessam a cena e tantos as onomatopeias, como os balões quando utilizados, brincam e interagem com o desenho em forma e conteúdo. Como Mauricio diz na introdução “é quase como se os personagens estivesse correndo pelas páginas”. Mais do que correr, eles deslizam.

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 Para terminar esse texto com o mínimo de spoiler possível, peço que reparem no cuidado dos autores na hora de criar a forma dos cachorrinhos se comunicarem ente si. A maneira que seus pensamentos são apresentados é divertida e delicada. E cumpre com sucesso o papel de transmitir a informação de forma inocente e quase despretensiosa. Mais um ponto para as GraphicsMSP. Aguardamos as próximas com ansiedade.

 

 

 

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