Abre Aspas / Música

Matheus Von Krüger voa com os pés no chão

O artista conta como mergulhou para dentro de si mesmo durante a composição de seu novo disco 

*Por Meiri  Farias

Assim como sua musica, Matheus é plural e diverso. Nasceu na Bahia, é de família mineira, passou parte da vida no Maranhão e hoje vive no Rio de Janeiro. O contato com culturas diferentes influenciou sua música que abraça variados gêneros e influências que vão de de João Gilberto à salsa cubana.

Foto: Facebook do artista

Além de sua carreira solo, Matheus também tem projetos paralelo como o bloco Fogo e paixão, que mistura xote, ciranda, coco, funk, maracatu e samba e o Quarteto Primo, onde interpreta musicas de Dorival Caymmi com Malu von Krüger, Eliza lacerda, e Rogério von Krüger.

Conversamos com Matheus sobre o novo CD, projetos e influências. Confira!

 

Armazém de Cultura:  Olá Matheus! Vocês está lançando o seu novo CD “Vagalume”, pode nos contar um pouco sobre esse trabalho? O que mais mudou em relação aos anteriores?

Matheus von Krüger: O Vagalume é fruto de uma nova fase da minha vida. Até 2 anos atrás, trabalhava com psicologia e música ao mesmo tempo. Sempre acreditei que, apesar de serem profissões diferentes, o assunto é o mesmo, movimentar o emocional das pessoas. Em 2012, com o lançamento do DVD “Durantes”, começei a viajar muito pra tocar e senti que era o momento de parar com a psicologia. O reflexo desse novo momento foi as canções do Vagalume. Diferente dos meus trabalhos anteriores, mais da metade das musicas desse disco, compuz sozinho. A partir da frase de Vinicius de Moraes “quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguem”, escrevi “quem pra dentro de si não vai, vai morrer sem saber quem é “. Foi baseado nessa crença do mergulho dentro em si mesmo, que escrevi ou propus todas as poesias que compõem esse disco. A temática das letras foi o meu grande norte para a seleção dessas 10 músicas.

Foto: Trecho do clipe ‘Leva e traz’

AC: Sua música abraça uma notável variedade de estilos e gêneros, o fato de ter morado em diversas cidades diferentes influenciou essa sonoridade tão variada?

Matheus: Certamente meu contato com as culturas de tantos lugares diferentes influenciou minha música. Mas para além dos ritmos e estilos, o que mais ficou dessas vivencias, foi a percepção que quando a expressão é verdadeira, a forma não importa tanto. Pode ser o ritmo que for, o estilo que for, que provavelmente a mágica vai acontecer.

AC: No release do DVD Durantes você fala sobre a preferência pelo palco e a necessidade do público em volta. Qual é maior diferença entre o registro ao vivo e o de estúdio? A interação com o público influência muito no resultado final?

Matheus: Para mim sim, me alimento da interação com a platéia. Me emociono,  me arrepio, me sindo mais vivo. Mas acredito que nesse cd novo, consegui me conectar com uma sensação parecida com o palco. Gravamos, em uma casa de praia, no litoral norte da Bahia, em condições totalmente diferentes de um estúdio de gravação comum.

Trecho do DVD Durantes, música “Um e um milhão”:

Para se ter uma ideia, gravei minhas vozes todas com as janelas abertas, incluindo os sons do ambiente! Esse contato com o que é natural, é o que eu sinto falta nos estúdios de gravação.

AC: Você também tem projetos como o “Bloco fogo e paixão” e o “Quarteto Primo”, é difícil conciliar esses trabalhos paralelos com sua carreira individual?

Matheus: As vezes acho que é mais difícil pro publico, do que para mim. Sinto que gera uma confusão para algumas pessoas com relação ao que esperar artisticamente de mim. “ué, mas o cantor do fogo e paixão gravou um disco com um quarteto vocal só com a obra do Dorival Caymmi?! O que tem a ver uma coisa com a outra?!” Para mim tudo! Acredito que as vivências são inclusivas não exclusivas. No bloco me relaciono com multidões que se permitem cantar os refrões aos berros, no quarteto me relaciono com pequenas platéias que choram com a profundidade emocional, musical e imagética da obra do Dorival. A forma é diferente, mas o assunto é mesmo, os dois públicos estão sendo tocados por uma manifestação artística, e isso que importa certo? A grande diferença desses trabalhos paralelos para minha carreira individual, é que no meu trabalho solo eu reúno todas as minhas características em um só lugar. A profundidade, os refrões as minhas vivências, está tudo lá em só lugar.

AC:  No caso do “Quarteto Primo”, vocês lançaram o disco ‘Dorival’, em homenagem a Dorival Caymmi, pode contar um pouco mais sobre esse projeto?

Matheus: O quarteto é formado pelas irmãs Malu von Krüger e Eliza lacerda, por Rogério von Krüger e por mim. Somos todos primos primeiros entre si.

Quarteto Primo

A muitos anos atrás, cantamos em um coral regido pelo maestro Muri Costa, que acompanhou o Dorival nos últimos 10 anos de carreira profissional, alem de tocar com Nana e Danilo por muitos anos. Nesse coral, Muri escreveu arranjos a 4 vozes para musicas do Dorival com o intuito de lançar um livro com esses arranjos. Junto com isso Malu e Eliza receberam uma proposta de gravar um cd juntas, e foi quando Malu propôs de reunir os primos para gravar os tais arranjos feitos pelo nosso querido maestro, e a proposta foi aceita e realizada!

AC: Além de Dorival Caymmi, que artistas influenciaram o seu trabalho? E atualmente, o que escuta e indicaria para quem gosta da sua música?

Matheus: Posso citar muitos! Os baianos todos, João Gilberto, Gil , Caetano, Novos Baianos, Tom Zé etc… o Milton é uma grande influencia, ouvi muito Jazz Americano, salsa cubana, Chico César, Lenine, Moska, Jorge Drexler etc… Mas hoje em dia quem mais me influencia são meus amigos talentosos! Paulo Monarco, Demetrius Lulo, a turma do 5 a seco, o mineiro Pedro Morais, a capixaba Tamy, o paraibano Luis Kiari, meus amigos Vinicius Castro e João Bernardo e por aí vai. É tanta gente boa fazendo musica linda que não dá nem pra contar!

AC: Para terminar, a pergunta que não quer calar: Tem planos para lançar o “Vagalumes” em São Paulo? Estamos ansiosos para conferir esse trabalho!

Matheus: Claro! São Paulo é uma das minhas prioridades! Eu amo esse lugar, e a maneira com que as pessoas se relacionam com música!

Já temos uma data pré-agendada para outubro em um Sesc aí de SP, assim que confirmar , começo a anunciar!

Veja “Leva e traz”, primeiro clipe do novo disco de Matheus:

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s