Abre Aspas / Música

As três pontas do Oritá

Trio conta sobre o disco, agenda e projetos paralelos

* Por Meiri Farias

São três os poderes que regem a nossa política: Executivo, Legislativo e Judiciário. Na Bíblia, a trindade revela três pessoas em um só Deus. Já a geometria apresenta o três como o número do equilíbrio e perfeição no triângulo equilátero. Perfeição essa buscada pelos artistas no Renascimento, onde utilizavam o “triângulo de ouro” para enquadrar os personagens de suas telas. Três também o número da democracia, já que é a quantidade mínima de pessoas necessárias para tomar uma decisão em grupo e por fim, três são os integrantes do Oritá, trio de musica instrumental e entrevistados de hoje no Armazém de Cultura!

Foto: Marta Najjar

A palavra “Oritá” vem do Iorubá , dialeto africano, e significa “Encruza de três pontas” ou “junção de três pontos”. As três pontas no caso representam o pianista Bruno Piazza, o baixista Fi Maróstica e o baterista Gabriel Alterio. Com influências que vão de Brad Mehldau a Neymar Dias (que participa do disco), o trio junta música erudita a referências populares e se prepara para lançar o primeiro disco, custeado por financiamento coletivo.

Confira a entrevista com o Oritá e saiba mais sobre o projeto e agenda do trio!

 

Armazém de Cultura: O Oritá surge com uma proposta de música instrumental, o que não é comum ao grande público. Como surgiu essa ideia, como foi o encontro de vocês?

Oritá: O Gabriel chegou com a ideia de montar um trio de musica instrumental, mas com uma cara de música popular! sem o compromisso de se fazer jazz ou música brasileira. A idéia era mesmo tocar e gostar de ouvir o que era tocado. O problema é que a gente não sabia quem toparia essa com a gente. Foi quando ele conheceu o Fi Maróstica e disse pro Bruno: “Achamos o cara! Falei com ele, que topou na hora.” No nosso primeiro ensaio tudo aconteceu naturalmente.

AC: Vocês fizeram uma campanha de financiamento coletivo para lançar o primeiro disco do Oritá. Percebemos que essa é uma tendência crescente, vários artistas que entrevistamos escolheram esse caminho para financiar seus projetos (João Guarizo, Paulo Novaes). Além do auxilio na questão financeira, vocês notam uma aproximação com o público, já que estão cada vez mais participantes e podendo colaborar concretamente com o trabalho de vocês?

Oritá: O financiamento coletivo é uma solução rápida e eficiente de se conseguir fazer alguma coisa hoje em dia, na parte da Cultura. todo mundo sabe que não é fácil, mas as pessoas têm se disponibilizado a ajudar e se interessado cada vez mais por trabalhos independentes. Talvez porque há um crescente número de projetos e trabalhos cada vez mais talentosos e interessantes, não sei…o  que se sabe é que o público está mesmo muito mais ativo e próximo do artista. Até quem já é consagrado está realizando campanhas de financiamento coletivo para realizar seus álbuns. No fundo, nada mais justo: eu gosto do trabalho de determinada pessoa, quando posso ajudo como posso!

Crédito na imagem

AC: Quais são as principais influências e referências de você no Oritá e individualmente?

Oritá: Acho que o Oritá tem muita influência do Brad Mehldau, Avishai Cohen e Bela Fléck. A gente começou a tocar junto pra tocar a música desses caras. Com o tempo fomos colocando nossas músicas no repertório e hoje apresentamos um show 100% autoral. Somos alucinados por Dave Matthews Band, Metallica, Ugly Kid Joe, pelo Neymar Dias (que toca com a gente no disco), Maria João e Mario Laginha. A gente acaba sendo uma mistura de referências e não tem como não colocar um pouquinho de cada coisa nas músicas.

AC: Além do Oritá, todos vocês participam ou colaboram de outros projetos. Poderiam contar um pouquinho sobre? E agora, como conciliar com o Oritá?

Bruno: Tem o Música dos Dois, com o Pedro Altério (o Gabriel toca nele, inclusive) e com o Bernardo Bravo (Arlequim – piano e voz), Bruno e Gabriel tocam com a Dalai (rock), o Paulo Novaes (que está pra lançar uma campanha de financiamento coletivo pra gravar seu disco também!) e o Juca Chuquer!

Gabriel Alterio: Além dos trabalhos junto com o Bruno, toca com Neymar Dias, Filarmonica de Pasárgada, Rafael Alterio, Celso Viafora, Pedro Viáfora entre outros.

Foto: Facebook do Oritá

Fi Maróstica: Além dos trabalhos ao lado de Gabriel e Bruno, tem um duo de baixo e voz com a cantora Vanessa Moreno e também participa de trabalhos ao lado de  Antônio Nóbrega, Dani Black, Pedro Altério, Giana Viscardi, Rafael Altério, Rinah, Cincado, Guegué Medeiros, Rodrigo Digão Braz Trio, Fabio Leal Quarteto, Paulo Almeida quinteto, entre outros.

Até hoje nunca tivemos muitos problemas com agendas e em como conciliar tudo isso. Acaba sendo tudo mais tranquilo porque nós do Oritá tocamos em quase todos esses trabalhos também. Então fica uma coisa boa e agradável de se ter.

AC: Em setembro acontece um show fechado para quem contribuiu com o projeto. Quando teremos um show aberto para o lançamento do disco?

Oritá: O nosso show de lançamento é dia 01 de Outubro, no Tom Jazz! A campanha de divulgação começa em setembro. Ainda estamos confirmando outros shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Campo Grande, Itapetininga e Curitiba até o final do ano. É só ficar ligado na nossa página do Facebook  ou no nosso site!

Ouça “Manhã de sol”:

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