Abre Aspas / Música

Lemoskine: Música além da audição

Emergindo no cenário musical de Curitiba, Rodrigo Lemos fala sobre o projeto “Lemoskine”

* Por Meiri Farias

Rodrigo Lemos observa a música por diversos ângulos: É músico, compositor e produtor, e talvez por esse motivo a sua música abre um leque inesgotável de possibilidades e interpretações. Ex-membro dos grupos “Poléxia”, “Sabonetes” e “A Banda Mais Bonita da Cidade”, atualmente desenvolve o projeto “Lemoskine”, que deu origem ao disco “Toda a Casa Crua” em 2012.

Foto: Diego Cagnato

O músico considera o Lemoskine seu trabalho mais anterior, por revelar sua expressão mais natural. Sonoridades completamente diferentes, proporcionam uma experiência sonora (e visual, assistir os clipes amplia consideravelmente a percepção do projeto) bem diversa.  Ouça “Cabeça de disco”, “Música de novela” e “Estilingue”: encontre um lado doce e levemente melancólico, ouça “Toda bonita” e “Nessa mulher”: descubra o lado vibrante e sensorial de Lemoskine. Sentimentos absolutamente diferentes e por vezes controversos, mas que se identificam pela assinatura inegável de Rodrigo Lemos.

Armazém de Cultura: Oi Rodrigo, tudo bem? Seu trabalho com a música é amplo, não é mesmo? É músico, compositor e também já produziu trabalhos de outros artistas. Dentro desse universo e diversas possibilidades, qual é sua parte favorita? O que prefere fazer?

Rodrigo Lemos:  Eu acho que ainda não descobri se tenho uma parte favorita. As diferentes maneiras de me envolver com música me completam; cada uma à sua forma.

Trabalhar com outras pessoas abre muito minha cabeça no sentido de oferecer pontos de vista únicos. Pode ser o de um cineasta, de um performer, ou um outro compositor… Gosto dessa fusão de linguagem, que às vezes me faz pensar em música com outros sentidos e não só com a audição.

Foto: Rosano Mauro Jr.

AC: Como foi o surgimento do Lemoskine?

Rodrigo: Com a dissolução da minha primeira banda (a Poléxia, em 2009), fiquei algum tempo desmotivado; como aquilo já não funcionava, eu andava descrente de que deveria “insistir” na música. Um dilema um tanto comum… Aos poucos, os amigos e as pessoas que acompanhavam o cenário local foram me estimulando, até que decidi que deveria tocar o barco mesmo… Esquecer o que passou e começar a desenvolver algo que fosse novo para mim. No fim de 2010, influenciado pelo nascimento da filha de um casal de amigos bem próximos, lancei a canção “Alice” e com ela vieram outras tantas… A partir daí, acompanhado por vários amigos de outras bandas como a Gentileza e até mesmo d’A Banda Mais Bonita, rolaram os shows, festivais e no início de 2012 era hora de registrar um primeiro álbum de estúdio, que veio a ser o “Toda a Casa Crua”. Com ele também realizei coisas legais, como o lançamento no Teatro Paiol em Curitiba e a indicação para o VMB 2012 da MTV Brasil, na categoria “Aposta”.

 AC: Você já fez parte de bandas como Sabonetes e A banda mais bonita da cidade, esses trabalhos contribuem e influenciam o seu trabalho solo?

Rodrigo: Influenciam; sobretudo do ponto de vista humano. São meus grandes amigos. Não há “isolamento total” nas artes. Acho que as pessoas que convivem – exercendo tarefas similares ou não – acabam se influenciando.

AC: Qual é a principal diferença dos trabalhos anteriores para o Lemoskine?

Rodrigo: O Lemoskine é o meu trabalho “mais anterior”, no fim das contas… Pois tem a ver com a minha expressão natural. A principal diferença, no plano das idéias, é que os filtros diminuem… E, do ponto de vista musical, acho que agora estou mais ligado em música negra e suas ramificações. Tenho mais interesse nessa música quando “estou Lemoskine” do que poderia demonstrar nos outros projetos.

AC: Há quem diga que uma nova cena na MPB vem surgindo nos últimos anos, de Curitiba despontou exemplos como A banda mais bonita, Léo Fressato, Ana Larousse, entre outros. Como musico e produtor você vê um novo movimento se formando?

Rodrigo: Eu vejo vários. Mesmo dentro do que a gente entende como “nova MPB”, existem artistas bem distintos. A cena paulistana, por exemplo, é totalmente diferente da curitibana e da carioca. Há ainda as bandas que acontecem fora dos grandes centros e que acrescentam um exotismo super engrandecedor para a música nacional. Eu confesso que estou bem preguiçoso com MPB… Sempre fui mais interessado no rompimento do “banquinho + violão” e acho que existe gente nova propondo justamente isso.

Foto: Rosano Mauro Jr.

AC: Quais são suas principais influências e referências na música? E o que tem escutado com frequência e indicaria para quem curte o seu trabalho?

Rodrigo: Eu tenho escutado Frank Ocean, Atoms For Peace e Kid Koala… São as bolas da vez no meu player, mas não sei se representam a minha música. Indico Otto, Nação Zumbi, Domenico e China, para quem quiser se aproximar mais do universo do meu próximo disco.

 AC: Tem planos para tocar em SP em breve?

Rodrigo:Tenho, mas ainda não há nada certo. Esses dias aconteceu de uma pessoa postar uma foto de uma parede de uma casa de show “Mundo Pensante”.. e alguém escreveu versos de uma música minha lá… Fiquei triste por ainda não ter me apresentado no local… Mas deve acontecer a partir do começo do ano que vem. Retomei ensaios há pouco tempo e a prioridade agora é erguer o sucessor para “Toda a Casa Crua”.

Ouça “Estiligue”:

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