Abre Aspas / Música

Filarmônica de Pasárgada: Para aplaudir de pé no final

A banda fez show em São Paulo e conferimos tudo das arquibancadas da Praça Victor Civita

* Por Meiri Farias

“Vou me embora, vou me embora prenda minha

Vou correndo só pra ver o meu amor

Sem a tua, sem a tua companhia

Que não sai, que não sai de mim, não sai”

“Uma canção” é a melhor forma de abrir o show (e também o novo disco ‘Rádio Lixão’) da Filarmônica de Pasárgada. Um quebra cabeça que vai de “Se essa rua fosse minha” a Djavan (“É segredo é sagrado…”), passando por Noel Rosa (“Um Pierrô apaixonado, que vivia só cantando…”) e diversas outras referências à MPB. A música é um bom resumo do trabalho da banda que começou em 2008, quando os integrantes se conheceram na faculdade de música da ECA (USP). Também é um bom resumo do disco, talvez um prólogo. Mas não tudo.

Foto: Inês Bonduki

O humor nas músicas e a descontração no palco contagia a plateia que canta junto às canções do primeiro CD (“O hábito da força”, 2013) e ouve com atenção as novidades do “Rádio Lixão”. Não sobra tempo para o tédio no show da Filarmônica. Em minutos passamos pelo samba (“Ela é dela”, Paula Mirhan hilária com um vaso de flores na cabaça à lá Carmem Miranda), funk (Fiu fiu) e axé (com a divertidíssima “Amor e carnaval).

A banda surgiu com a proposta de aplicar o que os integrantes aprendiam na faculdade (focada em música erudita) na música popular. Com referências que vão de Tom Zé a Radiohead, o som é uma mistura de instrumentos mais eruditos como fagote e clarone com efeitos eletrônicos controlados pelo computador. Lançado pelo selo Coaxo do Sapo, do Guilherme Arantes, o CD conta com produção musical de Alê Siqueira, além de participações  especiais do próprio Arantes, Kassim, Tatá Aeroplano e Tom Zé. Conversamos com Marcelo Segreto, principal compositor da Filarmônica, sobre influências e novidades do CD:

Armazém de Cultura: Vocês estão lançando agora o segundo disco, ‘Rádio Lixão’, como foi o concepção desse disco, desde as participações à produção? 

Marcelo Segreto: Foi muito bacana. Para este segundo disco a gente quis continuar trabalhando com parceiros que a gente havia feito no primeiro CD. Então, a produção musical novamente ficou por conta do Alê Siqueira, o encarte por conta do Guto Lacaz e o lançamento pelo selo Coaxo do Sapo, de Guilherme Arantes. Mas também tivemos a participação de artistas com os quais passamos a conviver após o primeiro disco, como o Tom Zé  e o Tatá Aeroplano.

AC: Quais são as diferenças desde o processo de criação até o resultado final entre ‘O Hábito da Força’ e ‘Rádio Lixão’? O que mais mudou de um disco para outro?

Marcelo: Acho que estamos muito mais maduros neste segundo disco, pois foi só por conta do primeiro disco que passamos a, por exemplo, explorar maiores possibilidades sonoras, efeitos, etc. Pensando no caminho completo dos dois disco posso dizer que: O Hábito da Força foi um disco cujas canções foram compostas durante um período mais longo de tempo. Estávamos querendo gravar o primeiro disco desde 2010 e só conseguimos em 2012. Para o cd Rádio Lixão, o período de tempo de composição foi menor. Isso eu vejo como um ponto positivo, pois pude compor as canções com um objetivo bem claro (que era o disco). Dessa forma, as canção, a meu ver, ganham maior coerência entre si.

Assista o clipe “Seu tipo”, música do primeiro disco da Filarmônica (e entenda o título do texto):

AC: A princípio o objetivo da banda era interpretar canções do Marcelo Segreto, ainda é assim? Como os outros integrantes colaboram com esse processo?

Marcelo: O objetivo ainda é esse, pois compor é minha principal atividade. É o que mais gosto de fazer. Por isso acabo sempre compondo mais, com maior regularidade. No entanto, há alguns integrantes da banda que também são compositores, como o Fernando Henna, o Sérgio Abdalla, a Paula Mirhan e a Maria Beraldo Bastos. E a tendência é a gente fazer parcerias nas composições e nos arranjos. De todo modo, os integrantes sempre colaboram com os arranjos, pois são músicos incríveis, que admiro muito.

AC: O humor e certa “teatralidade” são bem perceptíveis no trabalho de vocês. Buscar esses elementos é um propósito ou surge naturalmente?

Marcelo: Acho que as duas coisas. Surge naturalmente, mas também me esforço pra buscar ideias que acho engraçadas de colocar em música. A teatralidade acho que é favorecida pela interpretação da Paula, pois além de grande cantora, elá é uma ótima atriz.

AC: Acompanhando o trabalho de vocês, percebemos instrumentos bem diversos, o que causa uma sonoridade muito rica e diferente, o que  nos dá a sensação de várias informações e estilos de música. Quais são as principais referências? Os convidados e parceiros influenciam essa sonoridade?

Marcelo: Com certeza. Artistas como o Tom Zé, que participou do novo disco, nos influenciam enormemente. Outros artistas mais distantes, como a banda Radiohead, também nos inspira bastante. Em relação aos instrumentos diversos, acho bacana pois é um estímulo compor e fazer música para instrumentos menos usados na música popular.

AC: Para terminar, o que o pessoal da Filarmônica tem escutado recentemente e indica para quem gosta do som de vocês?

Marcelo: Acho que são muitas coisas. Por exemplo, o grupo Memórias de um Caramujo acabou de lançar um disco muito bonito. O Tatá Aeroplano também.

Ouça o disco “Rádio Lixão” na íntegra:

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s