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A contemporaneidade impressa nas canções de Márcio Lugó

Músico paulistano fala das reflexões em suas letras e o processo de produção dos discos Desacelera e Liberdade Aparente

*Por Camila Lopes

Ouvir Márcio Lugó é agradável do ponto de vista sonoro, e inquietante quando se trata da mensagem. Canções que refletem a urbanização, questões sociais e modernidade, predominam os discos do paulistano. Ouso relacionar sua música ao que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, chama de Modernidade Líquida. De modo simplista, trata-se das relações da contemporaneidade em constante mudança, que são fluidas, ilusórias, efêmeras, em que as pessoas se sentem livres, mas são dependentes de dispositivos. E é exatamente isto que Lugó imprime em suas canções: a liberdade ilusória da sociedade em urbanização.

Foto: Página do artista

Foto: Página do artista

Tanto no disco Desacelera (2010), como no Liberdade Aparente (2014), o que ouvimos são canções escritas por um filho da metrópole, que faz questão de transformar em música o que ele vive todo dia em São Paulo, sem deixar de lado também as canções mais leves, que dão um equilíbrio no disco entre questões sociais, amorosas, urbanização e modernidade.

E de onde vem as influências para sua música? Do rock progressivo à música brasileira, há muita história para contar. E não havia melhor lugar para conversar com o músico, do que em um café na Avenida Paulista. Em nosso encontro, ele falou de suas influências, do processo de produção dos discos, dos seus planos na música e muito mais. Confere aí o nosso papo:

Armazém de Cultura: Eu queria que você começasse contando um pouco da sua trajetória na música. Em que momento da vida você decidiu ser músico?

Foto: Guilherme Vazquez

Foto: Guilherme Vazquez

Márcio Lugó: Têm alguns momentos chaves que aconteceram para que eu me tornasse músico. O primeiro foi quando eu estava na 6ª ou 7ª série, que um amigo meu levou numa aula de inglês uma música do Black Sabbath para fazer aqueles exercícios de tocar e completar a letra, era a música Iron Man. Foi a primeira vez que comecei a me interessar e a tocar baixo numa banda de rock. Outro momento chave para mim, foi uns quatro ou cinco anos depois, quando este mesmo amigo me apresentou Dream Theater, uma banda de rock progressivo. E neste momento eu vi que o buraco era mais embaixo, porque o rock progressivo tem como característica o virtuosismo dos músicos e quando eu vi a galera fazendo, eu falei ‘nossa, é muito complicado’. Então comecei a estudar muito. Nesse momento eu entrei numa banda de rock progressivo, a gente compunha as nossas músicas e foi isso que me fez ir para a faculdade. Porque chegou um momento da minha vida que eu não sabia o que fazer, que curso escolher, e acabei entrando em Relações Internacionais e fiquei duas semanas, vi que tinha alguma coisa errada, então fui fazer faculdade de música. Mais ou menos no terceiro ano da faculdade, em 2007, na aula de História da Música, um amigo apresentou um trabalho sobre o disco Olho de Peixe, o segundo do Lenine. E foi aí que eu me perguntei ‘o que esse cara está fazendo?’, e era um CD de 92, 15 anos atrás na época. E a partir daí eu comecei a me interessar mais por música brasileira e descobri o que eu realmente queria fazer como músico. Porque até então eu estava perdido, tocava baixo e cantava. Só que aí eu lembro que as pessoas viraram para mim e falavam ‘pô, você é músico! Você tem CD? O que você toca?’, e eu como baixista falava que não tinha CD e que tocava de tudo. E aí rola aquele sentimento de que quando a gente faz de tudo, parece que não fazemos nada bem.

AC: E como foi a reação da sua família com a troca da faculdade e sobre a sua escolha de seguir a carreira de música?

Lugó: Olha, no começo foi difícil, logo quando eu decidi largar a faculdade de relações internacionais para estudar música teve aquelas duas ou três semanas de ‘como assim? Você tem certeza?’, até coisas como ‘você não leva jeito’. Mas aí passaram estas semanas e desde então eles são as pessoas que mais apoiam a minha carreira. Eu não tenho o que reclamar não.

AC: Você comentou que o disco do Lenine te influenciou a fazer música brasileira. Particularmente, eu sinto uma pegada de Lenine não só em Trégua, inspirada na música Quadro Negro, do Lenine e Carlos Rennó, como em outras músicas. Conte um pouco sobre a influência dele no seu trabalho e quais outras bandas e músicos te inspiram?

Lugó: Eu e o Lenine temos caminhos musicais muito parecidos. Eu lembro que ele já falou em algumas entrevistas que escutava muito Pink Floyd, e mais essa área do rock, como Led Zeppelin. E daí quando ouviu o Clube da Esquina foi que ele começou a ir para a música brasileira. E para mim foi mais ou menos este caminho também, só que eu escutava outro tipo de rock, e quando ouvi Lenine foi que vim para a música brasileira. Eu acho que mesmo que de repente não tivesse sido ele, talvez fosse parecido mesmo assim, porque os nossos caminhos são parecidos. E o Lenine faz rock, claro que com as influências brasileiras, mas o que ele toca no violão é muito do rock, porque ele faz levadas diferentes que é muito do rock n’roll só que na guitarra. Nas minhas músicas e nas do Lenine você tem que pegar a levada se quiser tocar, não é só a harmonia. Era uma coisa que eu já tinha o gosto, e quando eu vi um cara fazendo isso na música eu me perguntei ‘nossa, eu posso fazer isso?’. Foi aí que eu me preocupei em escrever letras em português, porque na outra banda era só em inglês.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Além do Lenine, eu tenho diversas influências. Eu acho que não tão diretamente como ele, mas hoje em dia muito mais presente do que quando eu comecei a compor. Porque foi tudo muito rápido, em 2007 comecei a me interessar por música brasileira, em 2008 percebi que queria fazer as minhas músicas, em 2010 eu estava lançando o primeiro disco (Desacelera). E não tinha dado muito tempo de maturar o meu jeito de tocar, o que no segundo disco já aparece muito mais, porque eu já tocava violão há mais tempo. Então eu posso dizer que tenho a influência desde a vertente do rock, que vai estar sempre presente porque foi o que eu ouvi durante dez anos da minha vida, mas também da música brasileira, Gil, Milton Nascimento, Caetano. A galera que faz música atual, meus amigos que eu ouço, o que eu mais ouço hoje em dia são as pessoas que vou conhecendo. Fui para Curitiba e voltei com dez discos, de BH voltei com uns cinco. Então, a minha música vai muito pelo que ouço, se eu passo duas semanas ouvindo a mesma coisa, já começo a pensar nos caminhos melódicos, na levada da música. Tem também a galera internacional, por exemplo, gosto muito do John Mayer, mas nem sempre tenho paciência para ouvir porque é muita guitarra, muito solo, mas eu gosto dele tocando. Gosto muito de Jason Mraz, que é mais para o lado pop. Acho que é mais ou menos isso, não lembro algum outro nome marcante agora.

AC: Já que você comentou sobre os seus amigos músicos, quem acompanha o seu trabalho vê que você nunca está sozinho, sempre tem um show com alguém, uma parceria, com o Edu Sereno, Bruno Roberti, Rapha Moraes, entre tantos outros. Como é a relação de amizade e trabalho com todo mundo? E rola de vocês sentarem para compor juntos?

Lugó: Sobre a questão de amizade e trabalho, a gente está sempre trabalhando. Eu estou 100% do meu tempo trabalhando, é impressionante.  Desde a hora que acordo, já faço algo para a minha música, seja algo de divulgação, da parte burocrática ou parte artística, porque tudo que a gente vive é influência na hora de compor. E, por exemplo, eu convivo muito com o Edu Sereno, e a gente está o tempo todo trabalhando. Então é tudo meio que misturado, porque o nosso prazer é o nosso trabalho, temos prazer no que fazemos. A gente cansa, a gente fica estressado, agora por exemplo eu estou com o braço dolorido de ficar na internet o dia inteiro, mas não tem separação, é tudo meio que junto e a gente leva super bem. Quando a gente faz o que gosta, não tem tempo ruim. Daí rola uma identificação de trampo, eu principalmente com o Edu, porque é o cara que é mais próximo com relação a afinidade de se entender muito bem.

Ouça “Sonhei”, do Márcio Lugó com o Edu Sereno, no show Esquinas, Amigos e Canções

E por incrível que pareça, a gente se entende muito bem nesse sentido extra musical, na parte musical a gente acaba não compondo muito junto, não sei o porquê. A gente fez uma música junto, mas nem tocamos ela, não está nos discos, nem tocamos no show. Mas acho que é porque ainda não rolou, mas vai chegar a hora da gente fazer algo junto. Já com os outros músicos,  acho que não tenho parceria musical com outros músicos, tenho parceria apenas de letra. No Liberdade Aparente tem duas parcerias de letras, e no Desacelera tem uma só, mas agora tem umas quatro músicas novas, sendo que três são em parceria com o Paulo César de Carvalho. Ele é um poeta de mão cheia, você chega para compor com ele e é uma aula de história, literatura, gramática, que a gente fica impressionado, não por acaso ele é professor de português. E as últimas três músicas que eu fiz foram com ele, estamos numa sintonia muito boa de compor juntos. Eu não sei se vamos fazer mais para entrar no próximo disco, porque se não vai ficar uma dupla, só eu e o Carvalho, (risos). Mas musicalmente, eu ainda não consegui, não sei se sou eu, mas não rolou essa abertura com outros músicos, mas com parceiros poetas já está rolando, e está bacana. Mas nos shows, é sempre bom, porque tem toda a parte extra musical, de divulgação e produção, a gente acompanha como a outra pessoa trabalha e entra junto para fazer o show acontecer, misturas os públicos e é sempre é uma troca muito boa.

AC: Tanto no primeiro CD o “Desacelera” quanto no “Liberdade Aparente”, a gente ouve músicas carregadas de muita reflexão sobre a modernização, urbanização, a sociedade contemporânea, que é predominante, como em Trégua e Liberdade Aparente. Mas eu também observo composições com uma carga mais pessoal, que relata alguma experiência,como Sonhei, Pra Durar, Sou Assim. Como é o processo de escolha dos temas e das músicas que entram do disco?

Lugó: Olha, isso é uma coisa natural minha. É uma coisa que sai desse jeito. Generalizando, normalmente as músicas de outros artistas falam sobre amor, relações. Eu tenho esse lado também, que é como você falou que vem na Sonhei, Pra Durar, Você é, mas tenho também o lado de alguém que nasceu na cidade grande. E eu gosto da cidade, adoro São Paulo. Meus amigos vivem dizendo que eu nunca viajo, mas eu não sinto necessidade. Viajo quando eu vou tocar. Mas eu gosto de estar aqui, gosto do cimento, da Avenida Paulista e dessa modernidade, por mais louca que ela seja. Então é uma coisa que sai naturalmente de mim. É claro que chega um certo momento que eu vejo que estou com cinco ou seis músicas mais para esta vertente, e foco em algo mais pessoal. E daí com o tempo vai vindo a inspiração para fazer algo nesse sentido. O último disco, o Liberdade Aparente, foi muito mais balanceado do que o Desacelera.  Para você ter noção de como acontece, outro dia estava na casa do Carvalho e eu estava com uma levada de violão, e ele foi levar dois amigos nossos até a porta. Eu estava lá na varanda tocando e daí tinha uma ponta de cigarro soltando fumaça, quando ele voltou eu falei ‘acho que a gente podia fazer algo com a palavra ponta, ponto’, e a gente fez uma música inteira com estas palavras. E a ponta do cigarro que foi o que original, não tem nenhuma. Então, é muito do que a gente está vivendo. Se eu vivo numa cidade grande que tem essas coisas, não tem como negar. Isso é uma coisa minha, mas acredito que tem a ver com a minha identificação com o Lenine, porque ele tem muitas músicas assim, o Pedro Luiz também, é um cara que eu admiro demais, adoro Pedro Luiz e A Parede principalmente, e tem muita música com aspecto social e isso me atrai. Acho que tem uma parte que é nosso papel na sociedade de mostrar o que está errado e não tocar apenas flores. No segundo disco eu aprendi a ser mais moderado com relação a isso, agora vamos ver no terceiro.

AC: O que mudou do Desacelera, que você lançou em 2010, para o Liberdade Aparente, desde as composições até a produção do CD?

Foto: Página do artista

Foto: Página do artista

Lugó: Mudou completamente. No Desacelera, eu trabalhei sozinho a maior parte do tempo, eu era uma pessoa que tinha a urgência de ter um disco na mão e foi muito rápido o processo. Descobri que eu queria fazer as minhas músicas, já comecei a escrever, a compor, sem saber tocar nada, e fui gravar. E eu não construi um universo para isto acontecer, eu criei um universo que era basicamente meu. O Desacelera eu produzi praticamente sozinho, gravei quase todos os baixos, os violões, a bateria eu que falei o que o cara tinha que fazer nas levadas. Claro que tem a influência de cada um e o jeito de tocar de cada um, só que foi tudo conduzido por mim. No Liberdade, eu já estava com o  Universo construido, porque já era dois anos e meio trabalhando nisso, conhecendo mais músicos, conhecendo mais gente. Então já tinha pessoas a minha volta, aí entrou o Rafa Moraes (Ramo Produtora) para produzir o disco comigo, e já é outra pessoa olhando a sua música de fora, com as influências dela. Então, entra as minhas influências, com a do produtor e sai outra coisa diferente. O próximo disco, que provavelmente vou fazer com o Rafa de novo, vai ser diferente do Liberdade, porque eu e ele já vamos ser outras pessoas. Os discos foram bem diferentes nesse sentido, de um ser um processo mais solitário, e o outro mais coletivo. O Desacelera soa um disco mais ao vivo, e o Liberdade mais de estúdio.

AC: Você contou com Financiamento coletivo para lançar o CD e, nesse tempo no Catarse você publicava vídeos do processo de gravação como Making Of. Eu queria que você, como músico, falasse um pouco sobre a importância do apoio em projetos como este e também sobre a experiência de compartilhar com o público o andamento do disco, que para mim é fazer com que as pessoas se sintam próximas e, de certa forma, acompanhem a produção.

foto paralela-capa do cd

CD Liberdade Aparente

Lugó: Eu acho que é essencial, é uma forma de se fazer a música, porque você faz com que a pessoa que te acompanha, já esteja ali desde o processo de criação. Porque antigamente o artista já chegava com o CD pronto, muitas vezes a gravadora tinha dinheiro, eles conseguiam gravar e chegava o produto pronto. Hoje em dia tem muito mais gente produzindo, só que é caro produzir um disco. O pessoal não tem muita noção de quanto custa o investimento. A música hoje em dia não tem valor no mercado, o valor é grátis, você baixa na internet de graça e ponto. E não tem que lutar contra isso, tem que se aceitar e trabalhar em torno disso. O financiamento coletivo faz as pessoas participarem desse processo. Se eu quero lançar o disco, você vai apoiar e não vai me dar o dinheiro, você vai comprar antecipadamente alguma coisa, seja o disco, seja o ingresso para o show. O meu projeto para gravar o Liberdade Aparente foi um terço do valor do disco, só para cobrir algumas coisas. Hoje em dia não é só o artista pequeno e médio que fazem, tem artista grande também.

AC: A pessoa que quer ouvir Márcio Lugó pode comprar o CD físico, comprar na internet ou baixar gratuitamente na rede. Eu vejo também que há uma preocupação sua para que as pessoas ouçam o seu trabalho e não apenas venda, como é na indústria fonográfica. Você, como músico, tem o retorno que espera? Não apenas financeiro, mas na questão da democratização da música.

Lugó: Olha, o retorno financeiro vem dos shows. Claro que não todos os shows, mas os contratados é de onde vem o dinheiro. E das vendas de disco nestes shows. Por exemplo, o próximo show no Centro Cultural de São Paulo, eles me pagam o cachê, o show é de graça para  galera e vou ganhar na venda de disco. Se a pessoa quiser comprar no Itunes, ela paga bem pouco, 8 dólares, mas se ela quiser baixa, que baixe e venha cantando nos shows. Tem amigos meus que gravaram disco em gravadora pequena, e eles não liberaram para baixar de graça. Mas quem perde é o artista, e você percebe isso quando vai no show e vê a galera cantando junto. É muito mais legal quando a galera já tem as músicas, curte e canta junto com você.  Quanto mais gente baixar meus discos, quando mais gente tiver cantando nos shows, melhor. Até porque quem gostar ela vai querer comprar, pelo encarte, pelas letras. Mesmo essa geração que nasceu pós-internet, ainda vai rolar, porque acho que é do ser humano querer algo palpável, o disco autografado.

AC: Com relação à sonoridade, em cada música percebemos mudanças em cada música. Na Tsunami, por exemplo, você usa pandero, em outras você usa o Charango. Comente um pouco a experiência em criar estas sonoridades e o processo de produção.

Lugó: Cada música foi produzida e gravada de uma vez. Às vezes um disco é gravado numa tacada só, todas as baterias, depois todos os baixos. Mas no meu caso não, nós criamos um arranjo de cada vez e isso dá uma temporalidade para a música. Por exemplo, na música Inverte e Roda, foi um baterista, o Marcelo Brasil, lá de Salvador que gravou. Ele só gravou porque estava aqui naquela época, eu estava gravando esta música e aproveitamos. Sobre o charango e o pandero, usamos em músicas que achávamos que tinha a ver. Então foi tudo pensado separadamente. Ao mesmo tempo que é uma unidade geral do disco, porque sou eu em todas as músicas, sou eu cantando, sou eu tocando, e isso gera uma unidade, mas também gera esses diferentes climas por causa disso, porque foram épocas diferentes.

Ouça “Tsunami”

AC: Eu ouvi o Faixa a Faixa comentada no Jardim Elétrico, e você falou que Promessas foi escrita inspirado em livros de crônicas. Você tem algum autor ou livro preferido?

Lugó: Eu leio muita crônica de jornal e revistas. Eu gosto bastante da Revista Ocas também, procuro acompanhar sempre. Sobre livros eu gosto bastante da Martha Medeiros, ela escreve bastante coisa do cotidiano. Uma coisa que as pessoas estranham muito é que não sou muito fã de poesia. Eu leio, mas para uma poesia me tocar ela tem que ser muito boa. Eu gosto muito mais de crônica.

AC: Você esteve recentemente em Curitiba, Recife, Rio, e logo mais tem show em SP de novo. Como é sua relação com o público e de que forma sua música é recebida nas outras cidades?

Foto-show- Rodrigo Fujikawa

Foto: Rodrigo Fujikawa

Lugó: Eu tenho gostado demais de tocar fora de São Paulo. Muito! Primeiro porque são pessoas que já acompanham o seu trabalho, só que elas nunca te tem por lá. Por aqui em SP, pelo menos de dois em dois meses eu estou tocando em algum lugar. Já nas outras cidades, eu nunca estou por lá, então é muito legal como eles chegam felizes e falam ‘pô, que legal que você está aqui’, então a gente se conhece pessoalmente, tira foto, convers, porque muitos deles já são próximos pelo Facebook. Então é demais, são pessoas que viram amigos e amigos que te vêem uma vez por ano.

AC: Para você, qual o lado positivo e negativo de ser músico independente?

Lugó: Olha, o que eu gosto é que somos independentes. Se eu quero botar minha música no Jardim Elétrico eu boto, por exemplo. Não tenho que pedir autorização para outras pessoas. O lado ruim é que a nossa infraestrutura é menor, tudo menor, e acaba a gente tendo que tomar conta de tudo. Por exemplo, em semana de show, a coisa que eu menos faço é tocar e cantar, porque eu tenho que checar se está tudo ok, documentos etc. Tenho pessoas que me ajudam nisto, mas eu estou sempre junto. É muita coisa focada em uma pessoa, é bem desgastante, mas a gente precisa fazer isso. Tem esse lado bom, que a gente faz o que quiser, mas também tem o lado ruim, pois o alcance é menor, fica tudo muito dependente do artista, e você trabalhando com a gravadora já é um pouco diferente. Claro que a gente sempre vai ficar meio que à espreita do que está acontecendo, porque a gravadora vai ter 20, 30 artistas, quem disse que ela vai te dar a moral que você merece? Mas é um monte de gente trabalhando para você, para marcar show é mais fácil, mas fica tudo muito impessoal. Se eu vou tocar no CCSP, eu conheço o programador de lá, para eu voltar lá de repente, sozinho, eu já conheço todo mundo. Quando é a gravadora, se de repente eu saio dela, se eu chegar no CCSP vão perguntar quem eu sou. E a gente conhece muito melhor o nosso trabalho do que qualquer outra pessoa.

Ouça “Trégua”:

AC: Quais são seus próximos passos, além dos shows marcados? Já está pensando em um próximo videoclipe ou até em novo CD?

Lugó: Já estou compondo coisas novas, mas ainda quero tocar bastante. Tem bastante show nesse segundo semestre, muita coisa bacana e eu quero conseguir estender isso até durante o ano que vem inteiro. E aí sim parar para gravar outro disco. A velocidade da mídia, do público e nossa, também, está muito acelerada, e a impressão que dá é que o Liberdade Aparente foi lançado faz tempo, mas ainda é um bebê, lançamos em abril.  É claro que a composição nunca para, acredito que até o fim do ano que vem vou estar com o terceiro disco engatilhado, e aí parar e gravar, e quem sabe lançar em 2016/2017. Mas por enquanto estou focado nos shows com o Liberdade Aparente. Nesse segundo semestre começamos a sair de São Paulo, quero continuar fazendo isso. Provavelmente vem um vinil ano que vem, do Liberdade Aparente e mais para frente começo a pensar no disco novo realmente. Provavelmente vem clipe por aí, ainda estamos decidindo sobre isso. Eu ainda não me reinventei para o próximo disco, tem o tempo de maturação. Outro dia um amigo meu do Rio mandou uma mensagem escrito ‘Só cresce quem renova.’ É isso, eu preciso me renovar para conseguir fazer um disco tão legal quanto os outros, e não fazer mais do mesmo.

* Camila Lopes é estudante de jornalismo, estagiária da TV Cultura e fã da palavra escrita

 

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