Música / Questão de Opinião

O Oritá é POP (ular)

*Por Ana Clara Veloso com colaboração de Ana Carolina Veloso

Pode esquecer a treinada expressão blasé. Também não é preciso estudar Iorubá ou teoria musical. Nesta quarta (01), o Oritá lança no Tom Jazz seu primeiro trabalho, e para os fãs apreensivos, a gente – que conferiu a apresentação privada para financiadores do projeto no Partio – dá spoilers e garante: As notas do trio são fáceis de tocar… em nós.

Ouça “Maria – Mole”

Se você já seguiu alguma dica deste blog, são grandes as chances de ter visto um deles no palco. Bruno Piazza, Fi Maróstica e Gabriel Alterio estão por toda parte. E agora reunidos em um projeto autoral. No Oritá, eles dispensam os caminhos tradicionais da música instrumental para se arriscarem em construções jovens e tão brasileiras. As duas características são talvez as responsáveis por deixar um público ansioso numa cobertura em São Paulo, no último sábado (27), confortável tão rapidamente.

Piano, baixo e bateria equilibrados, qualquer dúvida sobre a qualidade e o profissionalismo do trio se esvai. Um pé começa a bater, ombros a balançar. Estamos em casa, reconhecendo traços e se surpreendendo com escolhas. “Isso parece Ivan Lins”, “5 a seco poderia letrar”, ouço. Mas ninguém realmente sente falta das palavras ali. Mesmo durante os intervalos entre músicas, parece haver um pacto da platéia que acha graça e vê mais charme na timidez combinada dos meninos. A gama de assuntos compartilhados no ambiente fica por conta da pluralidade do CD, reforçada ao vivo.

Entre a leve “Maria Mole” e a moderna “Manhã de Sol”, há uma forte e melancólica/(insira aqui um adjetivo a seu gosto) “Fechando o Punho”. As participações especiais também enriquecem o espetáculo. Bem-vinda seja a guitarra de Dani Black em “Ônzima”. O cantor, aliás, traz para o repertório uma música instrumental autoral que caindo tão bem reforça o caráter atual do Oritá. Pedro Altério, além de cantar duas de seu repertório com Bruno no projeto “Música dos dois”, faz vocal para “Rosa Branca”, cheio de gestos que devem ser repetidos – ao calor do momento – no show desta quarta no Tom Jazz. (Juntam-se a ele no lançamento as cantoras Vanessa Moreno e Bárbara Rodrix e o guitarrista Guilherme Fanti.)

Se no trabalho deles aparecem ainda referências caipiras e se outra faixa está mais para o jazz, dificulta e não importa rotular que estilo predomina no trio. A forte parceria com o público – desde o financiamento coletivo e reafirmada a cada passo dado, como na apresentação privada -, no entanto, consegue provar que existe fome, espaço e vontade de uma nova música instrumental no Brasil. Por enquanto, é justo afirmar: O Oritá é pop-ular.

Ana Clara Veloso é moderadora da página Pedro Alterio NaTerra e  Ana Carolina Veloso é administradora do FC 5 a seco BSB

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s