Abre Aspas / Música

Wado: “Acho bom não falar só de amor”

Carreira, parcerias e dificuldades na vida de músico

*Por Meiri Farias

“Vai doer, mas depois vai passar”. A vida é efêmera na música de Wado e a dor também. O clipe da música “Rosa”, de onde foi extraído este trecho é uma boa amostra do clima que encontramos ao ouvir o disco “Vazio Tropical” (2013). Se o ritmo é contagiante e dá vontade de sair dançando, há certa melancolia, como se a beleza e a dor andassem de mãos dadas. Ou quem sabe, dançassem juntas em sincronia.

Vazio tropical é sétimo álbum do Catarinense situado em Alagoas, produzido por Marcelo Camelo, o disco flerta com a atmosfera dos trabalhos solos do hermano (Sou, 2008 e Toque dela, 2011), sem perder a identidade e características bem próprias da música do Wado. Confira a entrevista:

Armazém de Cultura: Ouvindo o disco “Vazio tropical”, notamos que a efemeridade da vida é um tema recorrente em suas canções (Exemplos: “Vai doer, mas depois vai passa”- Rosa, “Isso também vai passar” – Zelo, “A vida é mesmo por um triz” – Tão feliz). Essa temática foi proposital?

Wado: Realmente é um assunto recorrente nas minhas canções, “Sí Próprio” também tem, do disco anterior (se é tudo por um triz…), mas não é um tema do disco no todo, acho que tenho essa percepção da fragilidade que é isso.

Foto: Página do artista

AC: A crítica social também se faz presente nas suas composições, poderia comentar um pouco?

Wado: Todo assunto que emociona pode virar música, já fiz música sobre carteiros de favela, sobre as manifestações do ano passado, sobre o assassinato do ônibus 174, sobre sexo, sobre a primavera árabe, tanta coisa, acho bom não falar só de amor.

AC: O que mais mudou na sua música do início da carreira até o “Vazio tropical”?

Wado: O Vazio foi mais um disco, a cada disco as coisas tem melhorado, este é meu sétimo disco. O Samba 808 foi o mais bem sucedido até hoje. Continuo trabalhando muito e vivendo feliz assando e comendo.

AC: O disco tem diversas participações e produção assinada pelo Marcelo Camelo e Fred Ferreira. Rola uma influências desses artistas na sua música?

Wado: Tem muita influencia na cara do disco, mas as canções em si existiam antes deles, agora os arranjos são eles, é a cara deles. O disco tem o universo do Camelo no arranjos.

AC: Você mora em Alagoas, certo? Alguns artistas reclamam da dificuldade de divulgação e alcance fora do eixo Rio-SP, você sente isso? E que artistas fora desse eixo você indicaria para que gosta do seu trabalho?

Wado: Moro em Alagoas, mas trabalho no Brasil inteiro e fora também, já toquei na Alemanha, França, Argentina e Portugal, aqui gosto de rodar tudo, já rodei o Brasil de cabo a rabo muitas vezes nesses 13 anos de profissão. Consigo viver partindo daqui, tem uma qualidade de vida estar perto da família. Tem tanta banda boa: Maglore, Silva, Cícero, Mopho, Vibrações, Baiana Sistem, Cris Braun, Russo PassaPusso.

Foto: Página do artista

AC: Você gravou seu disco via edital e a maioria dos artistas com quem conversamos, tem optado pelo financiamento coletivo. O que pensa dessas novas formas de produzir e distribuir música? Afeta muito a industria e consumo musical?

Wado: Eu vivo de música por causa do download gratuito, afeta sim, nós somos a industria, não há intermediação, é ótimo.

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