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Dica de Segunda – X Festival a Arte de Contar Histórias

*Por Beatriz Farias

“A história não faz a gente fugir de nada, ela faz a gente ter uma experiência viva da realidade”, Regina Machado.

Foto: Sistema de Bibliotecas

Foto: Sistema de Bibliotecas

Caro jovem que vem ao meu encontro em mais uma segunda, hoje falo de uma das coisas mais instigantes que a capacidade humana alcança: a arte de contar histórias.  Eu com minha falta de talento para a tarefa diretamente (toda vez que tento me embaralho com o fim, começo a rir antes da hora ou me canso quando observo que a pessoa já sabe o que vai acontecer), venho procurando formas alternativas, mas a verdade é que esse hábito está enraizado em nossa cultura há tantos séculos que habitualmente o fazemos sem perceber.

Como que juntando as coisas mais agradáveis que podemos participar, este sábado (dia 11) começou o X Festival A Arte de Contar Histórias, que é organizado pela Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, e esse ano conta com parceria dos Terminais Urbanos de ônibus e Praças públicas.

Cia Teatro das Senhoritas

O cortejo organizado pela Cia. Teatro das Senhoritas acompanhado de dois músicos atravessa a praça entre as bibliotecas Cassiano Ricardo e Hans Christian Andersen no Tatuapé, juntamente com as pessoas, em clima de festa de rua, onde são recitados poemas de Manoel de Barros abertamente: as moças convidam e de boa vontade senhoras e senhores caminham ao meio e leem algo, mostrando que para ser artista basta sentir.

A programação segue com palestra e contação de história, o clima é intimista, as pessoas interessadíssimas, e é claro para quem participa que escutar faz parte da arte de contar, e para cada um ali não seria de muito esforço subir e narrar algo, é tudo questão de percepção. O que não significa trabalho simples e de pouco estudo, mas como dito a cima, contar é arte em desenvolvimento dentro de nós, o que basta é dar corda pra vontade que nos alimenta.

O que se tira de um evento como esse vai além de seu tema principal, é a importância de olhar pra nossa cidade com propriedade, sabendo que os espaços precisam ser ocupados e que há atividades de qualidade para que não se torne simplesmente monótono. Em meu pouco tempo de vida (veja bem, esbanjo juventude) me deparei com mais gente reclamando da falta do que fazer em uma cidade tão grande como a nossa que é pra se ficar espantado. E é muito claro que se estivermos esperando por incríveis coberturas na televisão vamos continuar dentro de casa, mexendo em nosso celular ou reclamando de todos os problemas que o cotidiano nos trás (e aqui faço uma clara observação: não estou falando de deixar tudo pra lá, esquecer da vida e sair por aí – o que seria muito legal mas infelizmente inviável), por isso o que venho falando é luta antiga de muita gente: é nosso dever de cidadão se apropriar dos lugares e espaço que nos dão essa oportunidade, e mostrar que estamos sim interessados na nossa cultura!

O evento vai até o dia 19 (próximo domingo) se eu fosse você, fechava logo essa matéria e ia correndo procurar o próximo evento a ocupar. A história está esperando para lhe ser contada.

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Poema entregue no cortejo: ‘Do Barro de Manoel’.

* Beatriz Farias não é formada, não tem curso superior nem vergonha de escrever em terceira pessoa fingindo que não é ela. Gosta de gostar das coisas e são dessas coisas que ela fala aqui.

-A equipe do Armazém está acompanhando o Festival e em breve contaremos as novidades para vocês.

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