Abre Aspas / Arte

Arte na garrafa: Conheça o trabalho de Julia Almeida

E quando o supostamente descartável se torna arte?

*Por Meiri Farias

Qual é o lugar da arte? Qual é o suporte adequado, qual é a forma correta de apreciá-la? Em meio a um processo de transformação nos meios e formatos é cada vez mais difícil definir e enquadra a arte em uma prateleira. Mais uma vez é preciso enfatizar o quanto rotular se torna desimportante diante das possibilidades de criação que se apresentam.

Foto: Página da artista

O trabalho da Julia Almeida no Laboratório de Rua é um bom exemplo: Deprimida após sair de um emprego péssimo, precisava ocupar a cabeça e conseguir dinheiro. A lâmpada surgiu enquanto andava de ônibus, transformar suas ideias em objetos de decoração, onde poderia transportar cores e formas de arte para casas e ambientação através de um olhar urbano e sustentável.

Usando garrafas de vidro como principal suporte, Julia apresenta um trabalho que é decorativo e ajuda a compreender esse processo de ressignificação e dessacralização da arte em suas mais diversas manifestações.

Armazém de Cultura: Primeiramente, por que a garrafa? como surgiu essa ideia?

Julia Almeida: A ideia surgiu depois que eu saí de um emprego péssimo. Eu estava bem deprimida e precisava ocupar minha cabeça e também ganhar algum dinheiro, ai um dia no ônibus indo pra faculdade me veio um clarão, igual aqueles de desenho quando surge uma lâmpada em cima da cabeça.

Foto: Página da artista

As garrafas são hoje o resultado de várias experiências e foi bem difícil chegar até aqui. Eu comecei fazendo testes em todo tipo de material, copos, caixas e até uma coqueteleira, e o que deu melhor resultado foram as garrafas de vidro.  A partir daí eu passei a recolher peça por peça, e pegava na rua mesmo as que eu encontrava. Meus amigos até me chamavam de “sucateira”. Mas fazer o que? Tudo pela arte.

AC: Como se envolveu com a arte?

Julia: Acho que desde que eu nasci estou envolvida com arte. Eu sempre participava de concursos de desenho, dança, declamação e até já pensei em fazer faculdade de artes plásticas. Mas tudo como um hobby, porque até um ano e meio atrás nunca tinha passado pela minha cabeça que talvez eu pudesse viver disso.

AC: Você utiliza a arte para criar objetos decorativos, dando assim um valor simbólico diferente a arte. Não é arte apenas para contemplação, mas encontra funcionalidade prática, mas claro, sem perder o valor artístico. Como você vê essa junção de arte+decoração?

Julia:  A arte está até na maneira em que alguém escolhe a estampa de um sofá, a cor da parede da sala, um adorno de mesa. Eu acredito que as duas fazem parte de um mesmo segmento, só é preciso ter um pouco de sensibilidade para conseguir expressar isso.

AC: Algum artista específico te despertou para arte? influenciou o seu trabalho?

Julia: Não existe um específico, mas posso citar um clichê bem conhecido, um não, dois. Os gêmeos. Eles me influenciaram bastante a seguir meu próprio estilo, criar algo único. Todo artista possui uma característica, um traço, uma cor, entende? Se por exemplo você olhar uma obra deles, vai saber na hora de quem é. É essa a inspiração que busco todos os dias para desenvolver minha própria identidade artística.

AC: Recentemente você postou uma garrafa falando sobre mistura de estilos (aqui), que estilos influenciam sua criação?

Julia: Para falar a verdade eu nem sei se eu consigo seguir um estilo. Vou misturando cores e formas e cada peça sai diferente da outra. Mas se se fosse preciso encaixá-las em um, acredito que o mais correto seria o contemporâneo com uma pitada de arte de rua.

Foto: Página da artista

Foto: Página da artista

AC: Quando cria, você segue uma temática específica ou trabalha livremente de acordo com a inspiração?

Julia: Eu trabalho livremente. Exceto quando recebo encomendas bem específicas, como por exemplo, uma amiga me pediu que eu fizesse uma garrafa com uma ilustração do cachorro dela. Eu procurei usar todos os elementos principais que conseguisse, como as cores que ela gosta e etc., mas sem nunca deixar de lado as minhas próprias características.

AC: Como é a experiência de expor o trabalho em feiras? rola uma troca de ideias com outros artistas?

Julia: É bem cansativo, a gente precisa ficar o dia inteiro atrás de uma barraca num espaço minúsculo. Mas por outro lado se tem um contato direto com as pessoas, se descobre o que agrada e o que não. É literalmente uma pesquisa de mercado.

Ah, sempre rola né, a gente acaba criando certo convívio.

Foto: Acervo Julia

Foto: Acervo Julia

AC: Falando nisso, que trabalhos que dialogam com o seu e indicaria?

Julia: É um trabalho bem diferente do meu, mas tem um artista aqui de Embu que é incrível, o NIOB. Já é bem conhecido na região e tem muito talento.

Sendo logo bem tiete, é tipo o artista que eu quero ser quando crescer.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s