Dica de segunda / Música / Questão de Opinião

Dica de Segunda: Zeski (Tiago Iorc)

*Por Beatriz Farias

Existe uma quantidade infinita de formas de se encantar por um disco, produto físico e sensações sonoras que ele passa. Hoje escolho falar de Zeski, o terceiro disco de Tiago Iorc, que você provavelmente já ouviu falar. O meu modo de gostar desse CD é algo extremamente peculiar e diferente da minha mania obsessiva de deixar tocar até enjoar. Criei a consciência que tenho em mãos coisa fina (no melhor sentido que isso tenha), produção cuidadosa e uma arte pra deixar qualquer um arrepiado.

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“Unbreakable neither of us will be. Let it be”

Tenho uma relação sagrada de descobrimento com a primeira parte do disco, composta por letras em inglês. Nunca me interessei por saber cantá-las totalmente, o que eu gosto é do exercício de aprendê-las. Sou tomada da mesma sensação de quando se toma um banho de chuva em dia de calor (que não vem sendo frequente aqui em SP, só porque eu sei que foi o que você pensou), e do processo de alma lavada que se tem ao chegar em casa e trocar de roupa. Tenho um afeto principal às melodias que permeia o campo das minhas lembranças boas, e causa uma percepção de estar em casa, o que não diz necessariamente endereço ou tijolos, mas alguma coisa que abriga.

Ouça “Zeski”, que mostra a forma bem estruturada em que o CD foi pensado, e da minha incapacidade de falar de algo tão simples e carregado de sentidos como a música instrumental.

A segunda parte do disco conta com músicas em português e um choque logo de primeiro momento:

“Pra começar, cada coisa em seu lugar e nada como um dia após o outro”.

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“Um Dia Após o Outro” é a primeira das quatro músicas (a minha preferida de todo o CD, diga-se de passagem) diz de forma simples o que o mundo precisa em tempos de tanta coisa; suspiro de alivio pras horas em que se necessita lembrar da obviedade da vida: “o tempo é que dirá”. A música abre as portas para “Forasteiro”; “Música Inédita” (Duca Leindecker) que conta com a bonita participação de Maria Gadú; e “Tempo Perdido” (preciso dizer, uma das poucas que gosto do Legião Urbana), que encerra de forma espetacular e mezzo acústico o disco.

Apesar da forma separada que foi dito, o CD conta com uma atmosfera singular e a sensação de intimidade consigo mesmo. O menos é muito em alguns casos sim, obrigada Tiago Iorc.

* Beatriz Farias não é formada, não tem curso superior nem vergonha de escrever em terceira pessoa fingindo que não é ela. Gosta de gostar das coisas e são dessas coisas que ela fala aqui.

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