Dica de segunda / Literatura / Questão de Opinião

Dica de Segunda: Por isso a gente acabou (Daniel Handler)

*Por Beatriz Farias

Olá pra você que tinha certeza que eu não conhecia nenhum romance!

Hoje falo de um livro que julguei pelo nome, há alguns anos e dei de presente para minha irmã pra ter uma desculpa pra comprar (falo mesmo). Você já ouviu falar de ‘Por Isso que a gente Acabou‘ do Daniel Handler?

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“Duas tampinhas de garrafa, um ingresso do filme Greta em fuga, um bilhete seu, uma caixa de fósforos, o seu transferidor, o livro de Joan, um açucareiro roubado, um caminhão de brinquedos, aqueles brincos horríveis, um pente de motel e todo o resto. É isso, Ed. Foi por isso que a gente acabou.”

Pode me chamar de desinteressada, chata ou desagradável, mas tenho uma dificuldade gritante de me interessar por livros que contem histórias. Por ser naturalmente ansiosa logo caio no tédio e pego uma poesia, e pra você que duvida da minha idade te dou mais um alarmante: quando vi a quantidade infinita de desenhos grandes e coloridos presente, logo pensei ‘é o que eu quero pra mim’.

A história inteira é uma carta dica de segundaque Minn deixa a Ed junto com todas as coisas que faziam parte da história dos dois, contando a nós e a ele como sentiu cada coisa. De forma pessoal e inocente, ignorando os padrões normalmente comum para um livro jovem, o que está em jogo e ou se espera não é o final, mas os detalhes e os caminhos bem trilhados pelo autor. A forma inteligente que ele tratou o colegial, o astro do basquete e os auto-excluídos estranhos que ninguém gosta nos faz sentir mais humanos, e nada daquela sensação boba de ‘deveria ser eu’ que as vezes cospem pra cima da gente.

É normal que se sinta um desconforto com a forma literal e direta nas primeiras páginas (fiquei algumas semanas sem ler, e até agora não consigo me afeiçoar muito à personagem principal, o que faz com que eu me afeiçoe mais ainda a história), mas a sensação é substituída pela curiosidade de saber o que pode tê-los separado, já que de tão errado que a situação é de forma geral, o único caminho aceitável era dar certo. Esse livro é pra quando você já leu todos os ‘happy end’ possíveis e quer lembrar a si mesmo que ter uma vida normal não te faz uma pessoa menos extraordinária; criar uma vontade doida de entender cinema, só pra saber se a Minn é chata por razão ou só quer pentelhar todo mundo mesmo; não se apaixonar nem pelo amigo, nem pelo astro do basquete. Gostar da própria vida, colecionando os próprios suvenires de amores, amigos,  coisas que vão mas continuam vivas em algum lugar da memória, e o melhor que a gente faz é deixar ir pra longe.

Crédito: Tumblr Inveja Literária

Crédito: Tumblr Inveja Literária

* Beatriz Farias não é formada, não tem curso superior nem vergonha de escrever em terceira pessoa fingindo que não é ela. Gosta de gostar das coisas e são dessas coisas que ela fala aqui.

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