Abre Aspas / Música

A música de Thais Bonizzi: “Não basta ser só bonita, tem que ser a minha verdade”

* Por Meiri Farias

Interpretar uma música não é apenas entoar palavras escritas por outra pessoa. Assim como a compor ou tocar instrumento, é preciso talento e principalmente trabalho e dedicação. O interprete ressignifica o texto que está apresentando, colocando suas histórias, sua subjetividade, seu “eu” naquilo que canta. “Como intérprete, devo escolher a mensagem que eu quero passar, como se eu mesma tivesse escrito aquela música. Não basta ser só bonita, tem que ser a minha verdade”, explica a cantora Thais Bonizzi.

Foto: Dani Gurgel

Foto: Dani Gurgel

Thaís começou a cantar cedo na igreja, mas descobriu a música popular brasileira aos 15 anos. Ouvindo Elis, Chico, Gil, Caetano, Gal se decidiu pela MPB. Em 2012 lançou seu primeiro disco pelo edital do PROAC com produção de Tó Brandileone e composições de artistas como Dani Black, Vinicius Calderoni, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Paulo Novaes, Ricardo Teté e Danilo Moraes. Vamos conhecer mais do trabalho da Thaís?

Armazém de Cultura: Como foi sua descoberta com a música?

Thais Bonizzi: Descobri que podia cantar quando tinha 12 anos. Nessa época eu frequentava a igreja Batista e então comecei a estudar violão e canto. Por alguns anos me apresentei na igreja e também em eventos da escola em que estudava. Quando tinha 15 anos descobri a música popular brasileira. Nessa época, os programas de baixar música começaram a surgir, então eu ficava baixando música o dia todo e fui descobrindo todo mundo, como Elis, Chico, Gil, Caetano, Gal, e sempre um artista “puxava” outro. A partir daí, senti o enorme desejo de cantar esse tipo de música, que até então não conhecia.

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Foto: Dani Gurgel

AC: Você lançou seu disco em 2012 a partir do edital do PROAC, como foi a experiência? Pelas entrevistas que fazemos no Armazém, percebemos que os artistas estão procurando cada vez mais meios alternativos para lançar seus trabalhos (como Editais, Financiamento coletivo), como você vê essa mudança no mercado da música?

Thais Bonizzi: A experiência com o ProAc foi extremamente positiva. Escrevi um projeto de gravação e fui contemplada com o prêmio. A partir daí tive 1 ano para produzir, gravar e lançar o CD! Sem o edital teria sido muito difícil (talvez impossível) ter gravado o primeiro CD. Acho que hoje temos algumas formas de conseguir o financiamento do CD, além dos editais e projetos de ICMS (que envolvem impostos de empresa e pessoa física). O Crowdfunding tem se tornado um grande parceiro nessa trajetória. Somos artistas independentes de gravadoras mas não de incentivos e investimentos. O financiamento coletivo é muito legal porque, além do objetivo final ser a gravação, ele proporciona uma aproximação do artista com o seu público, afinal, quem apoia o artista recebe coisas personalizadas, tem acesso ao CD antes de todo mundo, geralmente recebe ingresso de lançamento….enfim, é como se fosse um “adiantamento” que o público oferece ao artista. Na verdade ele está comprando um produto que ainda não existe e a garantia é o talento do artista que você está ajudando. Acho muito legal esse sistema e um pouco de incentivo de cada pessoa colabora na conclusão de grandes projetos!

Ouça “Relativismo”:

AC: O CD foi produzido pelo Tó Bradileone e têm composições de vários artistas dessa nova geração da MPB como Dani Black, Vinicius Calderoni, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Paulo Novaes, Ricardo Teté e Danilo Moraes, como foi a produção e escolha do repertório de canções que compõe o disco?

Thais Bonizzi: Quando eu inscrevi o projeto no proAc ele já tinha um “esqueleto” de repertório. Quando o projeto foi contemplado, conversei com o Tó e ele topou fazer a produção musical. Juntos ouvimos dezenas de músicas dos mais variados compositores e fomos fazendo uma peneira. Esse processo foi bem gostoso! Nos encontrávamos com os compositores, geralmente na casa do Tó e aí íamos ouvindo e gravando as músicas de cada um. Depois com essas gravações a gente ouvia bastante e ia selecionando. Como intérprete, devo escolher a mensagem que eu quero passar, como se eu mesma tivesse escrito aquela música. Não basta ser só bonita, tem que ser a minha verdade. Depois de escolhidas, o Tó foi fazendo arranjos incríveis e dando vida a cada uma das músicas!

AC: Você é formada em Audiovisual e já teve experiências com música e TV na sua participação no Ídolos e no Som Brasil, como foi participar dessas experiências?

Thais Bonizzi:  O ídolos é uma experiência muito louca! Foi muito importante para eu entender como me relacionar com o grande público, entender o domínio de palco e a importância da direção e do figurino na composição do artista. Antes de participar eu acreditava que realmente só uma boa voz era suficiente para fazer um artista, e na verdade, é muito mais que isso. Pra mim foi bastante difícil porque não queria me “trair” musicalmente e fazer alguma música que eu não gostasse. Acabei cantando Chico, Francis Hime, Adoniram Barbosa, João Bosco, então, mesmo não chegando na final, fui feliz nas minhas escolhas de repertório. É claro que é um programa popular e que hoje a MPB não tem um grande peso com grande parte do público mas para mim era importante fazer parte daquele meio profissional e isso foi bem aproveitado.

Sobre o Som Brasil, queria gravar um por semana! É um programa incrível que valoriza o artista independente e nos dá total liberdade para interpretar e arranjar as musicas. Participei do programa homenageando as Rainhas da Rádio e foi uma experiência incrível.

Ouça “Que Será”:

AC: Falando em Som Brasil, você participou do programa especial dedicado das Rainhas do Rádio. Na era do rádio, as cantoras tinham uma forte relação com o papel de intérprete, tem alguma em especial com a qual você se identifica?

Thais Bonizzi:  Por sorte tive a oportunidade de conhecer algumas dessas rainhas em 2006. Participei da gravação de um DVD chamado “Marlene – A Rainha e os Artistas do Rádio” onde pude conhecer e viver um pouquinho com grandes vozes desta era maravilhosa como a Marlene, Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Ellen de Lima e Ademilde Fonseca. Na época a maioria delas tinha 80 anos e um vozeirão lindíssimo. Pude ouvir histórias da época de ouro e absorver o máximo dessas cantoras de uma época em que, realmente, era a voz que importava! Admiro muito todas elas, além de Emilinha Borba e Dalva de Oliveira.

AC: Quais são os planos para o futuro? Tem apresentações em vista?

Thais Bonizzi:  Tenho me apresentado com um grupo de samba atualmente. Tem sido bem legal pois é uma experiência bem diferente de fazer um som autoral, como o meu CD. Tenho me divertido bastante. Meu próximo plano é gravar algumas coisas e voltar aos palcos de SP. Acredito que o segundo CD não venha agora mas a internet nos possibilita gravar alguns singles sem que seja necessário fazer um CD todo. Vou seguir gravando esses compositores contemporâneos que muito admiro e provavelmente no começo do ano que vem já tem coisa nova na área.

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