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Dica de Segunda – Valente (Vitor Cafaggi)

*Por Beatriz Farias

Quando lidamos com arte, independente da forma como é feita, o que principalmente nos chama atenção é o processo de identificação que sofremos ao lidar com aquilo que é passado, acredito eu. Dessa forma, hoje falo da coleção de quadrinhos Valente do Vitor Cafaggi, e se você acha presunção da minha parte juntar palavras como identificação e valentia em um mesmo paragrafo, sugiro que sigamos com esse texto até o fim.

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Foto: Armazém

Valente conta a história de um jovem a procura do amor de sua vida, esquecendo o estereótipo novela/filmedaDisneycomprincesaseheróisegentequesedábem, dentro do ônibus, da escola, ou a procura de uma boa empada, prepare-se para constrangedores momentos de encontrar-se nas tirinhas na forma de amigo, irmão, paquera (alguém usa essa palavra ainda? favor me informar) ou mesmo (e principalmente), Valente. Valente para sempre que é o primeiro volume, aprevalente para sempresenta a história a você. Com um texto fluido e de fácil entendimento, trás o choque de quem não imaginava esse tipo de diálogo e contexto em forma de quadrinho. A facilidade que Valente tem de encontrar o amor da sua vida, agora com a novidade de ser correspondido, e toda a confusão que isso gera, quando não está pronto pra tanta (ou tão pouca) coisa.

Valente para todas é exatameimage descriptionnte o que o texto diz: confusão sem sombra de dúvida. Aqui temos um lado mais garanhão (você vai entender quando ler, acredite, eu não falo essas palavras no meu cotidiano) desse jovem sedentário que depois de tantos amores platônicos, e jogos de RPG com os piores melhores amigos do mundo pouco sabia sobre a arte de dar ‘nãos’.

Valente por opção, o mais triste dos quatro na minha concepção, mostrvalente por opçãoa a vida depois do ensino médio: todas as esperanças de ser mais popular, praticar esportes e manter um relacionamento frustradas, e ainda assim reagir (da pior maneira possível, claro, aqui estamos falando de -quase- realidade), sair com os amigos, ir a churrascos e conhecer novas garotas.

Ainda não posso falar de form42690994a consciente sobre Valente para o que der e vier, como última leitura, e com o final mais legal e surpreendente de todos, deixou o gosto bom de coisa que não acaba, e dessa forma, poderia nunca mais ter continuação.

Como de costume na forma de escrever e desenhar de Vitor Caffaggi, há uma sensação de infância guardada, uma sutileza nos traços preto e branco e um encontro com quem lê: Valente é um “cara” normal, que odeia Educação Física, não tem os amigos mais populares da escola (francamente, o que é ser popular hoje em dia?), que inventa os maiores amores da vida no ônibus para se livrar do tédio, e desinventa a coragem na hora de pedir um número de telefone ou “garota” bonitinha em namoro. Valente é os excessos seu, meu, que não passa na sessão da tarde a gerações, mas mesmo assim (ou por isso) é a história mais extraordinária que pode ser contada. Valente é história de quem admite ser feliz nas pequenas coisas, e dessa forma é verdadeiramente feliz. (Para conhecer mais do autor leia a entrevista que fizemos com ele, e a resenha de ‘Turma da Mônica – Laços’, feita por Vitor e sua irmã.)

* Beatriz Farias não é formada, não tem curso superior nem vergonha de escrever em terceira pessoa fingindo que não é ela. Gosta de gostar das coisas e são dessas coisas que ela fala aqui.

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