Abre Aspas / Música

Encontro de Camarás

* Por Meiri Farias

Camará é um projeto de música, mas acima disso é um projeto de amizade. Raphael Amoroso e Victor Cremasco se conheceram no colégio, onde a amizade brotou e foi se musicalizando com a Indigo Blue, primeira banda da dupla. Em 2012 lançaram o primeiro CD da Camará de forma independente e agora estão em campanha para financiar coletivamente o segundo disco, via Catarse.

Foto: Eder Yukio

Inspirados por mestres da MPB como Chico Buarque, Tom Jobim e Caetano Veloso, entre outros, o Camará mescla essas influências com a troca de experiências com artistas da nova geração. A reunião de diversos músicos para o Tributo aos Novos Baianos, realizada pelo Jardim Elétrico, é um exemplo de como novas referências e antigas influências se misturam no som dos meninos “A música brasileira, historicamente, sempre esteve muito relacionada à proximidade e amizade de seus expoentes”, diz Victor.

Armazém de Cultura: Vocês afirmar ter inspirações na música de Chico Buarque, Tom Jobim e Caetano Veloso. Como foi o contato de vocês com a música desses artistas? ajudou na descoberta da música de vocês?

Raphael Amoroso: Eu acho que o contato com esses mestres é perene. É como uma fonte inesgotável de remédio para a alma. E a gente não se cansa de beber dessa água.

AC: Podem contar um pouco sobre o início da banda? vocês já eram amigos a bastante tempo, certo?

Raphael: Começou no colégio. Aí surgiu uma peça em que o Victor foi o Gil, eu fui o Chico, e a amizade foi se musicalizando. Primeiro tivemos uma banda que se chamava Indigo Blue – e a gente costuma dizer que ela foi o embrião do Camará. Mas o Camará não é só um projeto musical, é uma camaradagem de vida, de sonhos, e a arte passa por tudo isso que é bonito.

AC: A maioria dos artistas que já entrevistamos para o Armazém também optaram pelo crowdfunding para financiar seus projetos. Como está a campanha? vocês percebem um relacionamento diferente com o público, que agora também pode participar ativamente do trabalho dos artista?

Raphael: A campanha está indo bem. Acredito que o financiamento coletivo seja uma das melhores novas formas de você, enquanto artista, afinar sua relação com o fã. Seria incrível ter meu nome no encarte de um disco do Tom Jobim, por exemplo. Eu emolduraria e colocaria na sala.

AC: O que mais mudou no trabalho de vocês do primeiro disco para esse trabalho que estão começando?

Victor Cremasco: Acho que para todo artista, o salto do primeiro para o segundo disco é um divisor de águas. Ele envolve fazer algumas escolhas e um inevitável amadurecimento musical. Nesse momento, você já tem uma visão mais clara da imagem que está construindo e consequentemente daquilo que seu público espera. Mas claro, sendo honesto com a sua essência, em primeiro lugar. No nosso caso, o primeiro trabalho teve um quê de mosaico. Faixas como “Samba de Amanhã” e “Cecília “nasceram inspiradas pela tradição da MPB, bossanova e samba. Outras, como “Son Dos” e “Pedro”, já trazem toques mais contemporâneos. Em “Azuis”, colocamos um pouco de blues e jazz. E desse jeito, o cd deu conta de tudo o que nós queríamos dizer. Agora, no segundo, queremos encontrar um pouco mais a nossa cara. Mas isso não quer dizer que não estejamos abertos a, de novo, perceber que o melhor caminho seja o da diversidade. Até porque compomos para nós mesmos e as leis da inspiração são, para nossa sorte, bastante imprevisíveis.

Ouça “Samba de Amanhã”:

AC: Como foi a participação do Tributo aos Novos Baianos organizado pelo site Jardim Elétrico?

Victor: Foi um convite muito especial. O Jardim Elétrico tem crescido a cada dia e lançado luz sobre diversos novos nomes da MPB. Ele foi o primeiro site a resenhar nosso cd de estreia, inclusive. Nesse tributo, cada artista gravou uma faixa dos Novos Baianos.

AC: Diversos artistas da nova geração da música brasileira participarão do tributo. Há um intercâmbio, uma troca de experiências dentro dessa nova geração? que trabalhos vocês indicariam para quem já curte o som de vocês?

Victor: É curioso pensar nisso, porque a música brasileira, historicamente, sempre esteve muito relacionada à proximidade e amizade de seus expoentes. Quase todos, em algum momento, já compuseram, tocaram e até militaram juntos. Os próprios Novos Baianos são um belo exemplo de panela da mpb. Hoje, essa nova leva tem uma qualidade impressionante. Estamos em um mundo mais conectado, que nos aproxima, mas no qual, ao mesmo tempo, fazer e divulgar mpb é mais difícil. Assim como é difícil indicar apenas alguns nomes. Sugiro começar conhecendo os trabalhos autorais deste time incrível que participou do tributo (aqui)

Ouça “Maria Rosa”:

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s