Abre Aspas / Música

Pietá: Música que atravessa a arte

* Por Meiri Farias

A Pietá é um encontro artístico de linguagens artísticas que se cruzam. A a banda surgiu no início de 2012 quando os músicos cariocas Frederico Demarca, Rafael Lorga e a cantora natalense Juliana linhares conheceram-se na faculdade de teatro, desde então as duas linguagens passaram a se influenciar na dinâmica, na expressividade, na comunicação “A musica passa pelo teatro, do teatro volta pra música e assim por diante. O teatro e a música são os meio pelos quais a gente se expressa e eles se atravessam mutuamente”.

Foto: Bel Acosta

Confirmando a tendência que estamos notando nas entrevistas que fazemos no Armazém, a Pietá também decidiu lançar seu primeiro disco via crowdfunding “O público que financia diretamente o CD de uma banda, se torna parte daquilo”. O CD “Leve o que quiser”, será composto de canções autorais tem lançamento previsto para março de 2015. Seja pela influencia teatral ou um nome com um quê de poesia, Pietá é música que atravessa as mais diversas manifestações da arte.

Armazém de Cultura: Vocês devem ouvir muito essa pergunta: por que Pietá?

Pietá: A gente escuta muito, mas é bom, que a gente vai renovando a ideia a cada resposta. Achamos que Pietá é uma coisa para cada um. É piedade, para os italianos, é Maria com o filho no colo para os cristãos, já nos deparamos até com a definição “uma potência que aspira à transcendência” do filósofo Negri. Para todos, é indiscutivelmente uma imagem poética e forte. As Pietás foram representadas por vários artistas ao longo dos séculos. Essa é a nossa representação.

AC: Vocês fizeram uma campanha de financiamento coletivo para lançar o disco. Percebemos que essa é uma tendência crescente, vários artistas que entrevistamos escolheram esse caminho para financiar seus projetos. Além do auxilio na questão financeira, vocês notam uma aproximação com o público, já que estão cada vez mais participantes e podendo colaborar concretamente com o trabalho de vocês?

Pietá: O financiamento coletivo surgiu como uma via possível para artistas em início de carreira e para os que já têm uma estrada e não se identificam com o processo tradicional de captação de recursos pra gravação de um disco. Temos certeza de que muitos músicos e outros artistas também ainda vão possibilitar seus trabalhos a partir dessa forma. É notável e talvez seja o mais importante essa cumplicidade que se forma entre as bandas e o público. O público que financia diretamente o CD de uma banda, se torna parte daquilo.

Ouça “Leve o que quiser – Meninas da Lua – Vai Saber”:

AC: Todas as músicas do Pietá são autorais, certo? como é o processo de composição para a banda?

Pietá:Todas as musicas do CD serão autorais. Mas nos shows gostamos de fazer algumas poucas releituras de músicas que aninhamos como se fossem nossas. Quando nos conhecemos, os 3 já trabalhavam com música, cada um em um canto. O processo inicial foi de conhecer e misturar as referências e as composições autorais. Começamos a tocar muito juntos e a nossa criação passou a ser influenciada pela banda. Algumas das músicas surgiram especialmente para o Pietá. O processo de criação varia muito: O Fred traz uma música pronta, ou traz pra gente terminar, ou leva pra um amigo letrar. O Rafa traz o samba pronto, ou traz um assunto, ou sai pra criar com o amigo. Já a Ju esconde um repertório vasto que vamos revelar no projeto infantil que está para nascer.

Foto: Página da banda

AC: Pietá surgiu enquanto estudavam teatro, essa manifestação artística é uma influência para o trabalho com a banda? A experiência com o teatro influência muito?

Pietá: Com certeza. O teatro influencia a gente desde a concepção de cenário, figurino e maquiagem até as piadas improvisadas no palco. A dinâmica, a luz, o olho no olho, a expressividade do corpo, a comunicatividade da fala. A musica passa pelo teatro, do teatro volta pra música e assim por diante. O teatro e a música são os meio pelos quais a gente se expressa e eles se atravessam mutuamente.

AC: Na descrição da página no Facebook, além dos músicos (Frederico, Juliana e Rafael), vocês citam Clarice Lissovsky e Lucas Canavarro entre o membros da banda. Como funciona esse trabalho audiovisual?

Pietá: A Clarice e o Lucas são nossos camaleões artísticos. Eles fazem a divulgação pela página do facebook, fotos, vídeos, arte gráfica, projeção ao vivo nos shows, cenografia, textos. A Clarice está com a gente desde o início quando a banda nem tinha nome, fazendo a direção artística. O Lucas veio depois para trabalhar principalmente na concepção gráfica e nas projeções de vídeo.

AC: Vocês podem contar um pouquinho sobre o lançamento do CD? o que podemos esperar?

Pietá: O CD está agora em fase de pré-produção. Pretendemos lançar em março de 2015 e fizemos alguns convites pontuais de músicos que estiveram do nosso lado nesse caminho para somar. Acho que dá pra esperar um caldo quentinho com vários temperos diferentes.

AC: Quais são as principais referências da banda? e que vocês tem escutado recentemente e indicariam para quem gosta do trabalho de vocês?

Pietá: Nos influencia todo tipo de música, mas no Pietá, principalmente, toda a música brasileira. Nós indicamos André Muato, Metá Metá, Geraldo Junior, Escambo, Mohandas, Projeto Renascimento e toda a galera da Etnohaus, Julia Vargas, Rodrigo Maranhão, Orquestra Revelia, Khrystal, Simona Talma… Os músicos que acompanham a gente e tem um trabalho instrumental lindo: Marcelo Muller, Joana Queiroz, Marcelo Cebukin, Ayran Nicodemo, Jefferson Gonçalves, Beto Lemos…

Ouça “Justino”:

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