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Master Class na Comic: Sidney Gusman fala sobre o papel do editor

Selo Armazém

* Por Meiri Farias

Ele não é quadrinista, mas quando se fala de quadrinho nacional, é impossível não citá-lo: Sidney Gusman é jornalista de formação, editor do site Universo HQ e responsável pela área de planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções. Sua história é curiosa e divertida, mas já falamos um pouco sobre no texto “Sidney Gusman e os Quadrinhos como meio de comunicação”, quando ele participou do evento de finalização do projeto Fanzines nas Zonas de Sampa. Vale conferir e conhecer um pouco mais do seu trabalho, e de como um fissurado por quadrinhos se tornou o responsável pelos projetos de renovação editorial que estão dando um upgrade na MSP. Mas nesse texto iremos focar na participação do Sidão na Comic Con Experience e o que rolou por lá.

Foto: Facebook Sidney

Com a estátua do Astronauta. Foto: Facebook Sidney

Durante a CCXP, o auditório Ultra recebeu verdadeiras aulas de como elaborar, produzir e finalizar quadrinhos, mas como foi dito e enfatizado em todos os painéis dedicados ao tema, quadrinho não é apenas nanquim e papel. Quadrinho é iniciativa  e trabalho duro, mas também planejamento e organização. E é aqui que começa o trabalho do editor, tema que deu origem a Master Class do Sidney.

As Master Classes foram patrocinadas pela Secretaria Municipal de Cultura e reuniu nomes com Timothy Zahn, Cameron Scott Davis, Scott Snyder, entre outros. Aliás, a parceria entre a SMC e a CCXP promete ampliar o conteúdo nacional no evento para o próximo ano. Na abertura, Renato Nery, representante da Secretária, falou dos planos de expandir o calendário nerd da cidade e como o assunto está em pauta na era de convergência cultural.

Esperamos que a promessa seja cumprida, mas já nessa primeira edição da Comic, conseguimos notar um movimento interessante de valorização da produção nacional. No Artists Alley, que contou com a presença de artistas expondo e vendendo seus produtos, a grande maioria eram brasileiros. O auditório Ultra também abraçou a pauta local e embora não tivesse a mesma recepção efervescente do Thunder com suas atrações megalomaníacas, o auditório secundário da Comic ofereceu um espaço de proximidade e discussão contínua. Muito educativo e esclarecedor e tão divertido e encantador quanto o  Thunder.

Veja a galeria de fotos da Comic no nosso Facebook

A master class com o Sidão foi um ótimo exemplo. Abrindo as atividades da sexta-feira (5), Sidney contou sobre sua trajetória, como já dissemos, e exemplificou seu trabalho na prática.

Talvez por ser jornalista e apaixonada por quadrinhos, esse foi um dos meus momentos favoritos da Comic (ou talvez pelas tentativas infrutíferas de desenho e a frustração de não conseguir criar um quadrinho), a aula de Sidney ajuda a abrir os olhos para as possibilidades que esse tema oferece e o quanto o universo dos quadrinhos é mais amplo, complexo e fascinante do que possamos imaginar.

Com experiências em revistas com a Wizard, Mundo Estranho, Sandman, entre outras, Sidão gosta de enfatizar a diferença entre editor de texto e editor de quadrinhos. Ele deixa bem claro que o Brasil não tinha editor de quadrinhos até pouco tempo. O editor de texto precisa adaptar a linguagem da publicação original sem perder a essência ou descaracterizar a obra. Além disso, Sidney sempre gostou de trazer “algo mais”, como por exemplo, notas editoriais que ajudavam a contextualizar a leitura com temas com a qual o leitor não é familiarizado, “Um texto bem escrito não é necessariamente um texto que ‘gaste’ o português. É um texto que todo mundo entende”, diz. O editor se faz necessário ara adaptar o conteúdo e torna-lo inteligível para o público com quem está falando.

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A transição de editor de texto para editor de quadrinhos aconteceu quando foi trabalhar na MSP (quer saber mais? vou perturbá-los até que leiam este texto) e passou a cuidar da parte editorial da empresa. Projetos como “MSP 50” (com artistas convidados e seus desdobramentos), edições especiais e clássicas de tirinhas antigas e o “Prata da Casa” (com funcionários da MSP) e finalmente, as GraphicsMSP da qual continuaremos falando sempre (aqui e aqui). Artistas recriando o mundo de Mauricio a partir de seus próprios traços e perspectivas.

Teasers das próximas Graphics:

proximas graphics

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Como editor de quadrinho, Sidney precisa pensar cada detalhe do projeto: a proposta, autores, prazos, orienta a arte, além de fazer tudo que o editor de texto já faz. Ou seja, cria toda a estrutura necessária para que trabalhos como estes cheguem até nós. O projeto valoriza a produção nacional e trabalhos menos conhecidos do grande público, acabam expostos na “maior vitrine de quadrinhos do país”.

Em termos de organização, a master class teve um problema desagradável. O tempo que tinha programado para passar seu conteúdo, aparentemente foi reduzido em cima da hora. Sidão não se abalou e disse que iria “estourar” o tempo e surgiu uma tensão no auditório Ultra. A atitude da equipe da Comic foi bastante hostil e deixando um clima desagradável no auditório. Pontos para o Sidão que demonstrou respeito ao público e a seu próprio trabalho.

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