Abre Aspas / Música

Danilo Moraes: Música com sotaque brasileiro

* Por Meiri Farias

Ele cresceu mergulhando no universo da música. Com o pai, o músico e ator Wandi Doratiotto, se acostumou a ver shows, ensaios, frequentar programas de rádio e TV e começar a absorver essa atmosfera artística. Danilo Moraes é músico e compositor e já tem uma extensa experiência tanto em parcerias como em projetos próprios. Já atuou com diversos artistas como Chico César, Ná Ozzetti, Miriam Maria, Premê, Mário Manga, Ceumar, Inácio Zatz, Celso Sim, além de produzir o disco “Pronto”, juntamente com seu pai.

Foto: Página do artista

Confira nossa conversa com Danilo sobre suas experiências e planos na carreira:

Armazém de Cultura: Conversando com a banda Camará, Victor Cremasco disse uma frase que nos chamou muita atenção: “A música brasileira, historicamente, sempre esteve muito relacionada à proximidade e amizade de seus expoentes”. Você que já fez parceria com diversos artistas como Chico César, Zeca Baleiro, Rodrigo Campos, concorda com essa afirmação?

Danilo Moraes: Concordo parcialmente… essas pessoas que você citou se tornaram próximos ou amigos  antes de se tornarem meus parceiros, isso é verdade. Mas a amizade veio depois de uma admiração ao trabalho, ou seja, a gente busca ficar mais próximo de quem a gente admira e aí, podemos virar parceiros e/ou amigos. Mas pra sair uma parceria não é necessário que os parceiros sejam amigos. Nesses meus casos, os parceiros viraram mais amigos depois que a parceria já tinha se consumado.

AC: Com vários discos lançado (tanto solo quanto em parceria), poderia contar um pouco de como é fazer trabalhos tão diversos?

Danilo: Acho que o importante em uma parceria é acharmos pontos em comum aos trabalhos. Aí eu gosto de ir fundo nesses pontos em comum. Pensar numa temática, num estilo que seria o daquele trabalho e aí deixar rolar. No meio do processo, descobre-se que o trabalho ficou diferente da proposta inicial numa coisa ou outra, o que pode ser legal, né? Depois de mais solidificado, a gente pode ver melhor qual o potencial daquela parceria. Acho que cada trabalho que fiz em parceria, seja com meu pai Wandi Doratiotto, com o Ricardo Teté, com o Chico Salem, com o Paulo Cesar de Carvalho, etc, os trabalhos são bem diferentes entre si, mas tem muitas coisas em comum, afinal eu estou ali presente em todos… Mesmo meus discos solo, que levam o meu nome como o artista centralizador dos trabalho são resultado de muitas parcerias, nunca fiz nenhum deles sozinho e eu também sinto que vou mudando com o tempo.

Assista “Desafio”: 

AC: Como é o seu processo de composição? como geralmente surgem as ideias para fazer uma música?

Danilo: Eu gosto de fazer de todos os jeitos. Começar compondo a melodia (era mais assim que eu compunha, começava com o violão e a melodia), partir de uma levada, uma célula rítmica. Mas sempre gostei de partir de uma letra já pronta ou um poema que nem era pra ser musicado. Acho bacana assim porque quando termino a minha parte (raramente escrevo as letras), a canção já está pronta.  Com meu parceiro mais recente, o Paulo Cesar de Carvalho, temos composto bastante assim, partindo de poemas dele, e tem rolado muito bem.

AC: O fato de seu pai, Wandi Doratiotto, também ser artista, influenciou muito no seu trabalho como artista?

Danilo: Com certeza. O Premê (Premeditando o Breque), grupo que meu pai faz parte há quase quarenta anos, foi minha maior influência musical. Cresci vendo os shows, ensaios, passagem de som, indo a programas de radio e TV que eles faziam, enfim, mergulhado no universo musical profissional. Estou agora, junto com Alexandre Sorriso, fazendo um filme documentário sobre o Premê que deve ficar pronto em 2015. Pra quem não conhece vai ser bacana conhecer um pouco desse grupo que, na minha opinião, foi um dos mais criativos dos anos 70/80 no Brasil. E pra quem conheceu, com certeza vai poder matar um pouco a saudade.

AC: Na descrição da sua página você conta que morou em Paris e se apresentou por lá na época. Como foi a recepção do público na Europa? qual é a maior diferença em relação a tocar aqui?

Danilo: Na França fui muito bem recebido. O Francês tem aquela visão maravilhada do Brasil: Futebol, mulheres e música. Qualquer brasileiro que se encaixe em um desses três grupos será recebido, no mínimo com curiosidade. Aí tem que trabalhar direitinho, porque eles também conhecem a fama de enrolador do brasileiro. O que achei bacana é que precisei fazer menos lobby lá do que aqui pra conseguir coisas bacanas. Acho que eles valorizam mais o trabalho em si e menos a politicagem e puxação de saco. Sei lá, foi a minha impressão. Voltei gostando mais ainda da música brasileira e tive a certeza desde então que tenho que fazer uma musica sempre com um sotaque brasileiro.

AC: Você tem dois discos com o Ricardo Teté (“51” e “A Torcida Grita”), como é esse trabalho de parceria?

Danilo: Foi muito bacana. Tenho muita admiração pelo Teté e nos damos muito bem trabalhando juntos. Ganhamos o festival da Cultura em 2005 (e com ele uma grande vaia – o que foi uma experiência interessante pro currículo) e como resultado desse prêmio, gravamos o CD “A Torcida Grita”, produzido pelo Swami Jr., meu disco mais bem produzido e ousado musicalmente. Gravamos também o programa Ensaio na TV Cultura, do Fernando Faro, o que é uma honra.

Assista: “Teresa e a Torcida” (com Ricardo Teté):

AC: Por por falar nisso, quais artistas acompanha e indicaria para quem gosta do seu trabalho?

Danilo:Tenho ouvido muito o CD recém lançado do meu amigo (também parceiro do Carvalho) Galego. O disco chama “Transe Atlântico” e está muito bom. O cara é super talentoso e ótimo compositor. Gosto muito do disco “Zulusa” da Patrícia Bastos, produzido pelos meus amigos Dante Ozzetti e Du Moreira. O disco “Tremor Essencial” do Celso Sim está muito bom também. Tenho tocado guitarra na banda dele e adoro.

AC: Para encerrar, quais são os planos para agora e um futuro próximo?

Danilo: Quero gravar mais um disco autoral, mas não tenho pressa. Tenho também um disco (e um show, que fiz até bastante por aí) em homenagem ao Jackson do Pandeiro pronto para ser gravado, mas o valor dos direitos autorais faz com que eu não possa gravá-lo. Preciso arrumar patrocínio, se não não vale à pena. Mas estou com muitas musicas novas, provavelmente o disco autoral sairá antes.

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