Dica de segunda / Música / Questão de Opinião

Dica de Segunda: As 5 músicas mais BONITAS lançadas em 2014

* Por Beatriz Farias

*A ideia dessa lista é livremente inspirada na “Cinco músicas brasileiras mais bonita” que o site  Música Pavê faz anualmente

Pois bem, você pode estar se perguntando porque apenas 5, já que nas duas listas feitas anteriormente usei o modelo de 15. A verdade é que essa lista é algo extremamente intima e que muda de pessoa a pessoa, então colocar um monte de músicas faz perder o sentido que é escolher aquelas que me emocionaram mesmo (entendendo que quando digo emocionar, não me refiro simplesmente a lágrimas e sofrimento). O critério de escolhas é o lançamento oficial do artista, ou ela ter entrado em um disco de 2014 (então pode ser que algumas você já tenha visto em vídeo de show, essas coisas). Sem mais enrolação:

Épocas – 5 a seco

Tenho um forte por história em músicas e aqui começo de forma a contradizer, ou seguir linha direta deste raciocínio: desde a primeira vez que ouvi essa canção não consigo deixar de observar os ambientes que ela nos dá, os sons nos levam a lugares tão próximos da nossa vida que achamos extraordinário que alguém tenha aberto essa porta: é permitido reclamar da vida quando as coisas parecem estar certo demais? Confere. Liberdade é se dar conta de vez em quando, que “o foda é que a vida não para”, ou lembrar que “tardes não vão voltar”, isso é reconhecer que a época é algo extremamente mutável e passageiro, e por isso dura tanto dentro da nossa cabeça.

Já “Épocas” é a sensação de lágrima que não cai, pessoas passando e a vida evoluindo rapidamente sobre você que está parado observando tudo isso. O mundo, que segundo Pedro Viáfora e sua voz de transformar as sensações, a cada segundo tem mais saudade e a gente, que ouve e entende o quão precioso é ter uma música assim pra notar tudo isso.

Rosa dos Ventos – Bruno batista (com Dandara)

Lembro muito claramente da primeira vez que ouvi essa música (dia 17 de abril, para efeito de informação), a sensação que tive foi de imersão imediata. Algo na forma como é cantada ou tocada, não sei. Meu pai diz que é a letra: a letra fala de tudo.

O silêncio sempre invade minha casa quando coloco essa canção para tocar, não há muitas coisas para serem ditas: me fui revelada. A música que cobre uma reticência interior tem um entendimento para longo prazo. É tanto assunto que sem esforço me pego vendo “Jim Carrey deixar Clementina numa cena de Eternal Sunshine”, dançando no espaço, brindando com fogo, e vestindo essa música que não me coube, simplesmente já era. O complemento da letra do Bruno Batista com a interpretação da Dandara é de uma coragem escancarada: perceber o que se faz da vida mesmo quando não se é de orgulho, doçura que assusta. Verdade que permeia todos os estados da alma, ato de admitir-se e ser.

Assuma – Castello Branco

Conheci essa canção em uma lista do Soundcloud juntamente com várias outras que para ser sincera, agora nem lembro o nome. E é importante relatar isso porque é exatamente o que me faz ver a grandiosidade que ela tem. Essa música é pra pegar na mão e não soltar nunca mais.

Para comprovar as várias formas que se tem para indicar que o importante é se assumir como gente, aqui eu vejo uma amostra muito clara da leveza das coisas. Essa música é retorno à casa de infância do coração, ver os problemas indo embora, ou perceber que há sempre um jeito. Existe uma forma de mostrar que a vida é boa sem ser livro de autoajuda que a gente comprar na banquinha de jornal e aqui está a porta de entrada, os diferentes sons são os caminhos que nós percebemos para entender que há sempre algo para descobrir.

Eu não sei quantas vezes na vida uma música fará o coração bater tão descompassado como essa fez ao ouvir a frase: “Deus está no ato de assumir a si”, então essa é uma daquelas oportunidades para não perder. Assuma.

 

Sempre Tem Céu Azul- Matheus Von Krüger

As músicas surgiram fáceis na minha cabeça ao pensar nessa lista exceto esta que agora falo, que demorei mais de uma semana para identificar o que sempre me faz querer largar a cadeira e dançar numa festa com fogueira (mesmo morando em São Paulo), quando a ouço. É preciso estar disposto a se entregar para gostar de uma canção feito essa.

Quando falo de “se entregar” logo vem na cabeça algo que exija muita concentração, e daí veio minha dificuldade de compreender o porquê essa música é tão verdadeiramente bonita: a simplicidade. Mesmo com o arranjo e os sons que nos ajudam a entrar nesse clima de festa de rua, o que nos trás a alegria genuína é essa linguagem que todo mundo entende. Porque todo mundo sabe o que é “deixar o amor reverberar até tremer vidraça”, e não tem tristeza que aguente a um convite tão sincero.

Sonhos Lúcidos – Pitanga em Pé de Amora

Deixei essa música por último por alguns acasos que merecem ser destacados. Poderia falar de todos os sentidos e sentimentos que a dou: de como a letra justifica uma vontade extremamente ardente de ser artista, de se estar nesse mundo. Ainda assim seria uma vaga “inexplicação” para uma coisa que só quando você der play vai entender.

Por fim, deixo essa música como justificativa deste ano tão cheio de sabores,  e a maior amostra do que falamos tanto sobre música brasileira: simplesmente É, assim como essa canção.”Qual é o fundo do mundo da gente”.

*A música começa no segundo 0:27

**Esse vídeo é antigo, mas a música foi lançada no cd em 2014

*Beatriz Farias não é formada, não tem curso superior nem vergonha de escrever em terceira pessoa fingindo que não é ela. Gosta de gostar das coisas e são dessas coisas que ela fala aqui.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s