Questão de Opinião

Os gostos e desgostos da Mafalda

* Por Meiri Farias

Mafalda é o tipo de personagem que parece ter vida própria, independente até mesmo do contexto de sua própria tira. Em 2014 a garotinha de papel completou 50 anos  e ganhou uma exposição itinerante que já passou por diversas cidades da Argentina e países como o México e Chile. A homenagem as criações do cartunista Quino fica em São Paulo até o dia 28 de fevereiro, na Praça das Artes.

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Mafalda é uma daquela tiras que você provavelmente conhece. Talvez não ao ouvir o nome descontextualizado, mas no primeiro quadrinho o repertório é ativado. Junto a Calvin and Hobbes, Peanuts, Hagar, Turma da Mônica e Níquel Náuseas, a personagem de Quino saltava das páginas dos meus (e provavelmente dos seus também) livros didáticos da escola para fazer questionar o que está acontecendo com esse nosso mundo, sua maior preocupação.

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(Se é o momento para confissões, é preciso revelar: até hoje furto os livros didáticos de língua portuguesa da minha irmã. E devoro começando pelas tiras).

Joaquín Lavado, o Quino, começou a usar o lápis com um tio que era pintor e desenhista. Frequentou e abandonou a Escola de Belas Artes e após o serviço militar obrigatório, começa a publicar suas primeiras ilustrações. Em 1964 passa a publicar Mafalda e daí seu traço sempre em preto e branco se torna popular em diversos jornais e revistas.

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A garotinha contestadora, de humor ácido e crescente preocupação social, reflete em suas tiras sobre a situação do mundo e por meio de suas historinhas cotidianas, nos dá um panorama histórico do que era a classe média argentina nos anos 60 e um pouco das crises e avanços que a America Latina e o resto do mundo passavam. Mafalda vive dentro de um contexto específico, mas suas reflexões espelham dramas contemporâneos. A garota é fã de Beatles, tem uma relação ambígua com a televisão e a todo o tempo critica a atitude resignada da mãe. Efervescência da cultura pop, expansão da mídia de massa e surgimento de pautas como o feminismo, surgem de forma quase infantil e aparentemente despretensiosa, mas as historinhas do Quino também são (e talvez principalmente) para adultos.

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Prova disso é a quantidade de visitantes “grandinhos” na mostra. Quando havia crianças, estavam acompanhando pais ainda mais empolgados ao se encontrar dentro do território de sua tira favorita. A exposição é eficiente em se desdobrar em espaços independentes e criativo, mas que se integram. Logo na entrada encontramos o carro da família de Mafalda, um Citroen CV 2, ícone da classe média argentina nas décadas de 60 e 70 (algo equivalente, no sentido econômico e de popularidade, ao Fusca no Brasil). Ainda na entrada, do lado direito, os visitantes tiram fotos sentado em bancos brancos (perdoem a cacofonia) contornados como que a lápis para imitar o traço do quadrinista.

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A facilidade de acesso ao local da exposição é um dos pontos positivos: a Praça das Artes fica próxima ao Metrô São Bento (linha 1, azul) e conta com um espaço amplo onde as instalações da exposição puderam ser bem distribuídas. Entre um espaço e outro encontramos uma seleção de tiras e frases marcantes da Mafalda. Sala de invenções, uma réplica de apartamento padrão da época, espaço dos personagens e até mesmo uma sala onde o visitante pode escolher o cenário da tirinha para tirar sua fotografia, são alguns dos espaços que compõe “O mundo segundo Mafalda”, mas para ilustrar melhor escolhemos algumas salas que mais nos agradaram para detalhar:

Confira nossa galeria completa de imagens da exposição!

Os gostos e desgostos da Mafalda:

 A personalidade forte da Mafalda é percebida com clareza nesse espaço, uma vitrolinha onde podemos ouvir Beatles e a parede da primavera são algumas das paixões da garota. Mas como nem tudo são flores, as moscas, sopa e os comentários da Susanita compõe os desgostos da Mafalda.

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Sala dos Mundos:

“O mundo é a maior preocupação de Mafalda.

Sofre com ele.

Sente dor por ele.

Sente que o mundo está doente, triste, a ponto de se suicidar.

Sabe que está um pouco louco.

É por isso que o cuida, o mima, limpa, embeleza…

Em sua esperança por vê-lo melhor, coloca-o de cabeça pra baixo”

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Produção de tirinhas:

Sem dúvida uma das melhores partes da exposição é produzir sua própria tira! crianças e adultos disputam um espaço nas mesinhas para utilizar carimbos e criar sua própria versão da Mafalda.

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* A exposição vai até o dia 28 de fevereiro, na Praça das Artes: Av. São João, 281.

Próximo ao Metrô São Bento. Entrada Gratuita

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