Dica de segunda / Questão de Opinião

Dica de Segunda: Projeto Latitudes

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* Por Beatriz Farias

Quando comecei a fazer essa dica tinha a intenção de publicá-la nas férias, já que estamos falando de algo para se fazer sem pressa. Se você pensou em assistir séries na internet (é porque leu o título do texto) também entende o quão prazeroso é gastar seu tempo conhecendo coisas novas sem precisar sair de casa. Como todos sabem as férias já acabaram, mas como sempre se acha um tempinho, hoje falo de uma webserie que conheci recentemente no blog Abraçando Elefantes, e que pode ser assistida inteira em mais ou menos duas horas, mas aviso de antemão caso esteja pensando em assistir enquanto descansa de pensar: Latitudes é uma cilada.

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A série que foi criada para o Youtube, televisão e cinema – nessa ordem, e com cenas inéditas em cada meio – é divida em oito capítulos, onde cada episódio se passa em um lugar diferente do mundo. Olívia(Alice Braga) é editora de moda que vive em hotéis caros, aeroportos, estações de trem e restaurantes, onde se encontra com José (Daniel de Oliveira), um prestigiado fotógrafo.

Desde os figurinos e maquiagens até as bebidas que tomam, somos guiados ao processo de identificação do personagem, já que não há uma real introdução que nos conte, é preciso ser um pouco incoerente para entender as colagens entre passado/presente/futuro e gostar, já que está diretamente relacionado à forma que digerimos as situações, sem necessariamente uma ordem cronológica. Já a caracterização psicológica dos personagens é o que dá a lógica de realidade (com o perdão da rima), mesmo quando estão se apaixonando não são drasticamente desconstruídos – e daí é impossível não mencionar a passagem do segundo episódio em que ela comenta que “passar a noite com alguém é mais fácil, já que pela manhã a gente fica bem mais exposto”, ao quarto capitulo, onde os dois passam o dia juntos. Ou ainda do sexto, onde eles saem de madrugada como “amantes escondidos”, ao oitavo, em que caminham de mãos dadas entre uma feira cheia de gente, a luz do dia -, ao mesmo tempo em que é bonito ir vendo a armadura dos dois caindo, oscilando entre o medo de estar exposto, e a necessidade de ser espontâneo em alguma coisa.

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Desde os grandes diálogos sem interrupção (capazes de durar até dez minutos), passando ao fato da trilha sonora praticamente nula na maioria das conversas, aqui se vê uma preocupação com a qualidade da cena, que quando mesclada com imagens e diálogos soltos são de tirar o fôlego. Não é puro entretenimento, é diversão pra quem gosta do cru. Entender que mesmo passando por lugares tão espetaculares, o tempo em que ficam dentro de hotéis deixa claro a intenção: as paisagens são lindas, as cores para fazer qualquer filtro de Instagram parecer bobagem, mas não é guia turístico, é o nu do retrato. O interior de alguma coisa. Piada de mal gosto, estão sempre a trabalho.

O capitulo acaba no exato momento em que a gente começa a entender o que está acontecendo, e assistindo pela terceira vez o final começo a me dar conta: Latitudes é um perigo para as férias ou qualquer momento de descanso, eis a minha contradição. Vai que te dá na telha de sair do lugar onde você está agora e fazer o que realmente queria? Ou simplesmente dar o play e perceber que instigando para mudar o que já deixou de modificar ou não, aqui está algo que merece o tempo que você ganhou assistindo.

Assista o trailer:

Episódios disponíveis neste link

Beatriz Farias

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