Cinema / Especial Oscar 2015 / Questão de Opinião

Grande Hotel Budapeste: Uma experiência cinematográfica em camadas

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* Por Gilberto Teixeira

O filme de Wes Anderson é daquelas narrativas que tem uma estrutura complexa de vários círculos concêntricos ou se preferirem de histórias dentro de histórias que nos deixa tontos. Há um escritor que nos conta como chegou a história de um de seus livros mais famosos ouvindo o velho dono de um hotel que por sua vez conta a história de seu mestre, um grande concierge de hotel que viveu nos anos de 1930.

grande hotel budapeste

Essas estruturas são sempre fascinantes, pois elas vão revelando segredos como se fossem camadas em uma escavação arqueológica, e o diretor consegue explorar isto muito bem com personagens extremamente cativantes, ainda que um tanto estereotipados.

Durante o filme vamos mergulhando nas camadas da narrativa, indo aos anos 1960 e recuando ainda mais até os anos 1930, quando o misterioso dono do hotel, na interpretação inigualável do ator Fahid Murray Abraham é apenas um lobby boy que inicia a carreira no fascinante mundo dos grandes hotéis e é guiado por seu grande mestre o congierge M. Gustav, interpretado magistralmente por Ralph Fiennes, um expert em seu ofício que vive uma vida pessoal absolutamente monástica mais uma vida profissional cheia de encanto e aventura.

O grande hotem Budapeste poster

Uma qualidade fantástica é a participação de um grande elenco, caracterizado de forma tão peculiar que é necessário certo tempo de exposição na tela para que possamos identificar os gênios por trás das personagens. Não é por acaso que a produção arrebatou os Oscar de melhor figurino e maquiagem.  É o caso de Willian Dafoe, Harvey Keitel, Edward Norton, e Bill Murray. Cada um desses personagens possui uma profunda verdade, ainda que contrastada por uma caracterização um tanto inverossímil.

É, sem dúvida, uma obra autoral, é possível identificar um estilo muito pessoal em todos os detalhes, o que é uma tendência cada vez mais rara no cinema de Hollywood. A forma como ele é filmado, com uma explosão de cores e lente grande angular que distorce a imagem conferindo-lhe uma estranheza que dá um toque de fantasia a tudo o que se vê constitui os sinais dessa marca autoral que dá ao filme um encanto especial.

Para além da história cheia de ação e que traz a ambientação do período entre guerras e da sombria ascensão dos regimes totalitários, ele é, antes de tudo, uma grande experiência cinematográfica que dialoga com a própria história do cinema.

 

Direção: Wes Anderson.   Elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, F. Murray Abraham 

Duração: 99 min.  Classificação: +14

Trailer:

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