Dica de segunda / Questão de Opinião

Dica de Segunda: Uma vida inteira (Alice Braga e Bruno Autran)

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* Por Beatriz Farias

“Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas.”

Essa dica é feita nos embalos de um domingo preguiçoso, ao som de algo que já parou de tocar e a vontade de que o mundo – e você também – veja a importância das coisas subentendidas.

Antonio Prata escreveu há uns bons anos uma crônica chamada “O Salto” para a revista Capricho, e não, amigo leitor, não decidi simplesmente mostrá-la hoje, apesar de ter bons argumentos para te fazer largar esse texto e clicar no link acima, peço que continue, daí assim no final, terá uma agradável surpresa em assistir este curta – que é o principal motivo desta nossa conversa – e perceber, como percebi “com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas”, que a vida é feliz.

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O curta que hoje vos mostro é inspirado em nada menos que a crônica que acabo de citar para dar sentido ao inexplicável acontecimento do momento. Dirigido por Bel Ribeiro e Ricardo Santini, “Uma vida inteira” dá cor aos cinco minutos entre a pós primeira noite de um casal e a premonição do fim de um relacionamento.

Com a delicadeza que o cotidiano proporciona, Bruno Autran e Alice Braga (atores atentos em parecerem seres humanos sem glamour, vivendo uma rotina comum de quem sabe dar valor às pequenezas especiais) conseguem nos mostrar as nuances de um relacionamento – que pode ou não acontecer – em quinze minutos em um youtube perto de você. Há um certo fascínio pessoal entre filmagens que envolvam colagens entre presente, passado e futuro, mas  essa em especial nos deixa com um gosto de coisa que não sabemos inteiramente, por isso deduzimos, e aí está a forma mais bonita de conhecer o que não é palpável, e deixar que exista.

Se em movimento o texto ganha um caráter leve, preocupado em ilustrar bem o que não coube na narrativa, a crônica quando lida nos dá a impressão de coisa que está preste a explodir. Mas não aquela explosão de cor vermelha em que todos saem de cara feia, a explosão do autor é

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colorida, como só quem não é daltônico dos sentidos é capaz de entender. Certo dia briguei com um amigo por causa dessa crônica, e aqui vem a justificativa para que eu fique do lado das palavras ditas por um “estranho” (expressão carregada de indignação, já que uma pessoa que entra em sua alma com esse tipo de significado o que mais é do que conhecido de longa data?): a esperança intensa de que este cronista te fala por intermédio meu (e fala a você, todo mundo, que vai decidir ler depois) não te absolve de se esborrachar no chão se por acaso decidir “se enlaçar com a solidão em pleno ar”, mas te garante que não foi miserável em meio às oportunidades de dar um salto – o passo – que for.

O meu último pedido à você que nesta segunda feira (chuvosa ou de sol? ainda não tenho como saber) pode correr o risco de se embrenhar com essas imagens, embaraçar-se na crônica, é que não permaneça intacto ao toque de “Santa Chuva” (assista para entender, fiz de propósito) ou ao chamado de alegria simples que vem ao terminar e perceber que a vida é esse momento em que você decide se fazer feliz.

Assista “Uma vida inteira”:

Beatriz Farias

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