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Dica de Segunda: A bolsa amarela (Lygia Bojunga) #EspecialdeLiteraturaInfantil

Dica * Por Beatriz Farias Eu não fui uma criança com muitos apoios tecnológicos. Passava meses sem ver televisão, computador era artigo luxuoso que eu nem sonhava em adquirir, brincar de boneca era extremamente entediante e brincar na rua era perigoso, meus pais diziam. Daí você que já está pensando que a estranheza desta que fala foi explicada, te ajudo um pouco mais a chegar lá: apesar de tudo isso, tinha uma estante repleta, transbordando e caindo de livros. Não sei bem como foram chegando, muita coisa ganhada, um monte de livro didático (o resto que não vou contar da minha infância passei lendo os contos de livros de literatura que minha irmã mostrava) e alguns presentes de natal, aniversário e dias das crianças. Aprendi a ler cedo (não tão cedo como a dona deste blog, que por tanta necessidade de estar a par da parte mais preciosa do conhecimento, aprendeu a ler em casa, antes de ir pra escola), então não faço ideia do primeiro livro que tive em mãos, mas hoje escolhi o pioneiro da minha vontade de guardar o mundo numa trouxinha e sair carregando nas costas: A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga.

Lygia Bojunga - A Bolsa AmarelaA Bolsa Amarela é a história de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela ) – a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. A partir dessa revelação – por si mesma uma contestação à estrutura familiar tradicional em cujo meio “criança não tem vontade” – essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo que se sucedem episódios reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a menina segue rumo à sua afirmação como pessoa.”

Peguei essa breve explicação do blog No Meu Mundo, porque sintetiza claramente o que você precisa saber antes de começar a ler esse livro. Eu não sabia nada dessas coisas, mas via essa capa colorida (percebam que a resolução não é das melhores, mas fazia questão que a edição fosse a mesma que eu tenho) com essas fontes bonitas e queria entender o que essa Lygia aí tinha de tão legal para minha irmã falar tão bem dela. Daí que eu não botava muita fé em livros com ilustrações (no auge da minha terceira série isso era muito coisa de criança, fala sério), achei uma citação do livro em um exercício, e toda feliz da vida fui mostrar a professora que tinha esse livro diferenciado que cai até em atividade da escola. Foi um pouco mais tarde que descobri quem era Lygia Bojunga na fila da livraria, as coisas mudaram de figura claro, mas esse livro tem esse eterno gosto de inocência ciente: história pela história sem contexto ou ligação com escritor.

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Agora vem aquela parte difícil (ou fácil demais, e por isso difícil em dobro) em que explico porque escolhi o livro para comemorar essa semana da literatura infantil, e mesmo achando que a foto acima diz mais do que posso tentar, acho importante comentar ainda: a criatividade foi a melhor forma que encontrei de lidar com a infância. Mais do que não aceitar as coisas como as coisas são, me sentia tanto na pele de Raquel que muitas vezes pegava minha mente dando continuidade às cenas da história. Porque o galo fala, o guarda-chuva e o alfinete também, e meu Deus, onde fica esse mundo louco de tudo? Preciso me mudar pra lá! Ainda assim, a minha implicância de mais catatauzinha conseguia ser mais irritante que a que hoje uso para desafiar a irrealidade, então ficava extremamente curiosa com essa coisa de guardar a vontade: será que é uma metáfora (tive que aprender cedo o significado dessa figura de linguagem, a fim de sobreviver ao que propriamente invento), ou só ficção mesmo? Eu nunca entendi exatamente esse livro, mas é por isso e assim que entendi tudo, e sempre que lia um trecho (como esse aí que coloquei) tinha uma vontade louca de ter um dia extraordinário, uma vontade louca de inventar alguma coisa e ser feliz naquele momento. Para provar que o tempo não passa destruindo tudo o que tem de precioso, hoje a minha vontade gorda, Raquel, foi de escrever também, e esse texto é em sua homenagem que me ensinou desde pequena a importância de valorizar o que a gente gosta de fazer. Beatriz Farias

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