Cinema / Dica de segunda / Questão de Opinião

Dica de Segunda (na quarta!): Animações

Dica

* Por Beatriz Farias

Essa é provavelmente uma das primeiras vezes que não mostro conteúdo nacional aqui, e isso hoje acontece pois (eu não conheço curtas nacionais) decidi fazer a mini lista depois de me interessar por esses que coloquei, então não foi exatamente uma seleção. Aqui me dei o direito de não falar teoricamente, e não apenas porque não domino o assunto (e falo sem vergonha, e extremamente interessada em aprender) mas também porque é bom demais gostar de uma coisa curtinha assim que dá dó quando acaba, mas também a alegria de minutos, que é única em sua pequenez, e por isso meche tanto com a gente, quando gostamos ou não. Vamos desacelerar um pouquinho agora e dar o play?

Untitled design

-The Last Knit

Esse curta é um retrato bem detalhado da geração. O fazer sem propósito, mecânico e sem emoção é a necessidade de chegar, estar sem viver. O curta bem tricotado é irônico e se não fosse pela delicadeza das cores e desenhos, extremamente assustador e doentio. As nossas manias e solidões aqui estão no ápice da tristeza, é preciso se incomodar.

-Paperman

Vejo há muitos anos nos likes do meu Tumblr, um gif em preto e branco que mostra esse jovem tentando fazer a moça – que está em um outro prédio – reparar nele, mas não sabia do que se tratava. Conheci sua origem faz dois meses e gostei do primeiro segundo. Porque é cotidiano, fala de se dar conta dos detalhes, lembra 500 Dias Com Ela, o que eu sei de Medianeras e essa beleza de encontrar o que você nem sabia que procurava e se deliciar com o improvável.

-The Lighthouse (Po Chou Chi)

O curta mostra uma relação de pai e filho que minha descrição não alcança em poesia. Sem diálogo algum, somos guiados por uma trilha sonora que narra o que vamos sentindo com as mudanças de estações, o capricho no desenho que muito parece feito a mão e essa emoção que os afetos familiares trazem com simplicidade, emocionar-se está autorizado, ainda mais se vier na lembrança frase da música de Celso Viáfora: “Os filhos estão de partida”.

-French Toast (Fabrice Joubert)

Nunca fiz teste de QI mas não julgo ser elevado. Ainda assim acredito ter algumas certezas que carrego sem o medo do julgamento, e em uma análise na aula de redação encontrei este curta que comprova a unanimidade: uma das coisas mais inteligentes que já vi. Os minutos passam rapidamente com um misto de humor e mistério (melhor que Sessão da Tarde!) para um final de dar nó na garganta: a nossa sociedade foi dividida em alguns personagens que fingiremos não reconhecer quando olhamos no espelho.

-The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (William Joyce, Brandon Oldenburg)

O curta retrata o amor pela leitura em sua forma mais redentora e catártica, apresenta uma critica a era digital e demonstra a importância do impresso. Mas isso quando vestimo-nos de olhar clinico, porque se você já se encantou nem que seja por um livrinho, entende a emoção clichê (e também por isso) sincera que sentimos . A história tem gosto de infância, o carinho de quem nunca se esquece que o que é tem a ver com o que lê. A literatura nos salva de nós mesmos.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s