Abre Aspas / Música

O apanhado afetivo de Iria Braga

* Por Meiri Farias4

Ela sempre quis cantar, mas sua arte também permeia o teatro. De qualquer forma, o lugar da Iria Braga é no palco e ela sabe disso. “Eu amo um camarim, um foco, uma bela iluminação. Os elementos cênicos fortalecem a música”. Como cantora, busca no olhar de atriz possibilidades na interpretação, sempre fortalecendo a linha tênue da arte que se complementa.

Paranaense de Curitiba, Iria tem licenciatura em música pela EMBAP (Escola de Música e Belas Artes do Paraná) e seu primeiro disco solo traz composições de artistas como Cartola, Arrigo Barnabé e Paulinho da Viola, entre outros. Um verdadeiro “apanhado afetivo”, como ela define. Conheça mais do trabalho da artista em entrevista ao Armazém:

Foto: David D'Visant

Foto: David D’Visant

Armazém de Cultura: Além do trabalho como cantora, você tem formação acadêmica na área, certo? Como estudar música afetou o seu trabalho?

Iria Braga: Sim. Me formei em Licenciatura em Música pela EMBAP, mas, ao longo da minha vida fiz diversos cursos e aulas particulares. Na verdade, até hoje faço, quando me interessa. Entendo estudar não como obrigação, mas como processos de conhecimento em camadas mais profundas da arte que produzimos, consequentemente transformação e desenvolvimento. Tirando toda a defasagem e problemáticas de um curso superior e ângulos reducionista que vemos a “Música”, revi e (revejo) muito dos meus “achismos” musicais e me abro para universos que desconheço. Eu já era cantora e atriz quando entrei na Escola e foi muito bom. Não racionalizando tanto essa questão, mas, esse lance de que cantora não estuda porque é só ter feeling está ultrapassado. Melhor é o equilíbrio.

AC: Falando nisso, poderia contar um pouco como foi a sua descoberta com a música? como se descobriu cantora?

Iria: Pode soar lugar comum (risos) mas a verdade é que nunca pensei fazer outra coisa desde criança. Cantava horas a fio em casa, sozinha, no meu quintal, para as galinhas, para meus gatos e cachorros que não eram poucos, para as plantas e árvores. Depois comecei a cantar na igreja e com minha prima e tia mais nova fizemos um Trio. Essas são minhas recordações mais remotas e felizes. Nada de família de músicos ou pais na expectativa que eu me tornasse uma cantora. Em 1997, na adolescência procurei o conservatório de MPB de Curitiba e de lá pra cá não parei mais. Parece estranho dizer mas nunca tive dúvidas com relação a minha escolha profissional. 

Foto: David D'Visant

Foto: David D’Visant

AC: Além da música, você também é atriz. Essas duas linguagens se influenciam mutuamente? como o teatro interfere no seu trabalho de interprete?

Iria: O teatro me provocou imprimir minha personalidade no que produzo. Os processos que vivencio no palco, com diferentes diretores e propostas, me deram uma espécie de elasticidade cênica. Entretanto, não busco personagens quando canto, me coloco em “estados” diferenciados, investigo possibilidades musicais e interpretativas com olhos de atriz. Em contraponto, sondo minha loucura e meus vendavais emocionais com olhos de cantora. Não sei onde isso começa ou termina. (risos) Quando construo um show gosto do ambiente dramático que o teatro evoca. Eu amo um camarim, um foco, uma bela iluminação. Os elementos cênicos fortalecem a música.

AC: O seu disco solo traz composições de artistas como Cartola, Arrigo Barnabé e Paulinho da Viola, entre outros. Como foi a escolha desse repertório?

Iria: A maioria das músicas foram escolhendo ficar. A cada show realizado uma ou duas músicas permanecia forte no repertório. Como é o caso de “Peito Vazio” que vem do meu primeiro show em homenagem a Cartola, depois “Estrela de Sal” e “Baião do Mato” do show “Flor de Maracujá”, assim por diante. O disco é um apanhado afetivo mesmo, que vai dos compositores, a toda equipe envolvida, as fotos… e quando é assim não tem muita dificuldade. Não tive preocupação com a duração das faixas, com o que ia ficar mais hermético ou não. Não fiz pensando numa receita de um disco comercial. Nesse sentido ele é muito livre.

Ouça “Peito Vazio”:

AC: Aliás, quais artistas mais te influenciaram musicalmente?

Iria: Resumidamente: Elis Regina, Maria Bethânia, Meredith Monk, Björk, Milton Nascimento, Billie Holiday, Joyce Moreno, Egberto Gismonti, Jocy de Oliveira e Tom Jobim.

AC: Temos conversado com bastante gente de Curitiba e notado bastante movimentação na cena musical da cidade! O que você tem escutado e indicaria para quem quer conhecer o que está rolando na música de Curitiba?

Iria: Realmente a cidade está efervescendo e isso é o máximo! No fundo, sempre se produziu muito em Curitiba, o que difere é que agora se presta mais atenção e há meios mais dinâmicos de divulgação. Nos diferentes estilos tem ótimas surpresas surgindo, obviamente não vou conseguir sugerir sobre todos: Rogéria Holtz, Ana Cascardo, Janine Mathias, Michele Mara, grupo Molungo, Gustavo Proença, Roseane Santos, Katia Drumond, Gisele Canto, Estrela Leminski, Bernardo Bravo, Eduardo Gomide, Juliana Cortes. Tem mais a Vilma Ribeiro, O Escambau, Black Cherry.

Ouça “Crotalus terríficus”:

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