Abre Aspas / Música

Tô na vida: Ana Cañas é música que transborda

Abre Aspas

* Por Meiri Farias

O cantar dela vai muito além da voz, é uma expressão legitima de sua identidade, é quase um grito de liberdade. Ana Cañas canta com seu timbre marcante, mas canta com a pele, com o corpo, com a presença. O cantar de Ana transborda.

A cantora, que descobriu sua vocação para música já depois dos vinte anos, teve seu despertar ao entrar em contato com o trabalho de Ella Fitzgerald e depois cantando jazz na noite paulistana. Hoje se prepara para lançar o quarto disco da carreira “Tô na vida” e fala sobre mudança de envolvimento e dedicação. “Foi um processo de verticalização total, busca pela coesão. Amadurecimento através da dor e do questionamento dos caminhos”, conta. O clipe do primeiro single, que leva o nome do disco, foi divulgado na última semana.

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Armazém de Cultura: Na última semana você lançou o primeiro single e clipe do novo disco, “Tô na vida”. Poderia contar um pouco sobre a música e sobre a arte que ilustra o single (que está muito bacana por sinal!)?

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Arte que ilustra o single “Tô na vida”

Ana Cañas: Obrigada! A música é uma parceria minha com Arnaldo Antunes e Lúcio Maia (que também produz o disco, junto comigo). É uma canção simples, direta, que versa sobre o tema do arrependimento pós-‘cagada’. (risos) É também uma aproximação mais direta com a soul music, no arranjo e na atmosfera (timbrística e vocal). O clipe seguiu o mesmo caminho da música, com simplicidade e a ideia da peruca veio através do filme “O Desprezo” do Godard. A Brigitte Bardot usa uma peruca neste filma para se metamorfosear no final de uma relação. É uma metáfora muito eficiente dentro da linguagem cinematográfica. A arte da capa do single foi feita pelo meu irmão, Rafael Cañas. É uma espécia de escultura fotográfica, utilizando fotos da Caroline Bittencourt – feitas para a capa do disco.

AC: ” Tô na Vida” é o seu primeiro disco totalmente autoral, certo? Além disso, o que mudou estética/musicalmente na mensagem que você quer passar em relação aos trabalhos anteriores?

Ana: Mudou tudo. Mudou o meu envolvimento, dedicação e empenho no trabalho. Foi um processo de verticalização total, busca pela coesão. Amadurecimento através da dor e do questionamento dos caminhos. Passei um ano compondo, e no final, totalizamos mais de 30 canções. Mudou também o time com quem trabalhei (Lúcio Maia, Mario Caldato, Estúdio El Rocha). Foi maravilhoso, essas pessoas são realmente incríveis. Fiquei muito contente com o resultado.

AC: Você é uma artista de presença marcante no palco, ter estudado artes cênicas contribuiu – ou não – para a forma com que você se manifesta (em relação a expressão muito única e autêntica) no palco?

Ana: Eu sou uma péssima atriz! Mas conhecer um pouco sobre o teatro é sempre alimento para a dialética com toda arte, especialmente a música.

Foto: Caroline Bittencourt

Foto: Caroline Bittencourt

AC: Você conta que seu despertar para música surgiu depois do contato com a obra de Ella Fitzgerald. E no Brasil, alguma cantora em especial foi referência para o seu trabalho? 

Ana: Várias! Marina Lima, Rita Lee, Cássia Eller, Maysa, Gal, Elis.

AC: E na cena atual, tem algum artista com a qual se identifica ou agrada musicalmente?

Ana: Muitos. Arnaldo Antunes, Nação Zumbi, Criolo, Luiz Capucho, Duda Brack e Ventre.

AC: Em entrevista para a revista Serafina no ano passado você conta que não já tentou estudar música, mas não é tão interessada em adquirir o conhecimento técnico. Para você, qual é a melhor “escola” para o artista?

Ana: Acho que a melhor escola é aquela que te convém. É o que funciona pra você. O que te dá tesão, o que mexe com as suas vísceras e te transforma num artista melhor, que te faz crescer. Não existem regras, nem fórmulas. Para mim, o viés técnico me despertou o desinteresse, na verdade. É quase uma antítese. Foi ao contrário e deu errado. Somente a prática viva – como cantar em bares, por exemplo – é que me instigou de verdade. Uma relação orgânica, viva e roots da música me ensinou (e ensina). Essa natureza da relação mantém aceso o meu amor pela música.

Ouça “Tô na vida”:

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