Abre Aspas / Música

Thamires Tannous (en)canta por melodias

Abre Aspas

*Por Meiri e Beatriz Farias

As canções que Thamires Tannous canta têm cores semelhantes às escolhidas para estampar o disco: leveza que espelha os diversos  caminhos que sua voz nos conduz. Essa que é  entrega plena, confissão de quem confia no que diz. A melodia chega como casa onde as palavras se sentem a vontade para abrigar, acolher.

Foto: Mariana Caldas

Foto: Mariana Caldas

Ao ouvir o início da percussão na música que intitula “Canto para Aldebarã”, o impacto do trabalho de Thamires chega em ondas suaves e suas cores vibrantes. A música, parceria entre Dante Ozzetti e Kléber Albuquerque, é uma das poucas do disco que não é de autoria de Thamires (a outra é Terra de Sonhos, de Almir Sater), mas não há dúvidas de que a canção é o fio do novelo que tece a própria história da artista: Aldebarã vem do árabe “al-dabarãn” que significa “aquela que segue”. A estrela mais brilhante da constelação de touro abre o primeiro disco da cantora sul-mato-grossense que acredita no que canta, sendo ou não de sua composição. “Eu acho que não é a gente que escolhe a música, é a música que escolhe a gente”, explica.

O trabalho conta com a produção de Dante e parcerias de letristas nas nove músicas com autoria de Thamires, “eu sempre tive essa coisa de melodia muito presente”, conta. A cantora explica que para os próximos projetos pretende trabalhar também com a letra, mas sua maior familiaridade sempre foi com a melodia. Em “Canto para Aldebarã” fez o exercício de compor inspirada pela percussão árabe, sonoridade que revela sua influência dessa cultura que se faz presente por sua ascendência libanesa. “Eu achava tão rico aquilo que eu quis juntar com meu mundo musical”. O universo melódico e colorido é ilustrado pelo trabalho gráfico de André Turtelli Poles e fotos de Mariana Caldas de Oliveira, em um encarte que canta junto com as músicas e se junta à este tecido de misturas: a reverência a cultura árabe que se entrelaça à suas influências tipicamente brasileiras.

Ouça “Canto para Adelbarã”:

Alma de artista

A música tomou proporção de “profissão” nos últimos cinco anos, mas Thamires já sabia que tinha alma de artista desde os dois anos – idade que ela teve seu primeiro registro musical: um vídeo onde se apresentava de vassoura na mão e pedia silêncio da plateia. Depois encantada com o violino começou a estudar o instrumento e integrou a Orquestra Jovem e Clássica do Mato Grosso do Sul, onde também descobriu sua vocação para cantar, o fazendo em algumas apresentações. Aos dezesseis anos veio para São Paulo terminar a escola e depois cursou publicidade, sem saber muito o porquê “era um mundo que não tinha nada a ver comigo”, ainda assim, trabalhou três anos na área na Editora Abril.

Em 2010 as coisas começaram a mudar: fez um mochilão pela Europa onde teve contato com muitos músicos de rua, o que acabou aflorando novamente a sua arte. “Foi muito especial, me reconectou com a essência da música”, conta. No fim do ano conclui a faculdade de música e conta que a conhecimento formal do assunto ajuda na carreira: “Eu consigo ter embasamento teórico para explicar para quem eu quiser o que estou buscando”, mas ainda assim enfatiza que não tem uma visão absoluta de nada e que a prática pode ter uma influência ainda maior na carreira de um músico. “Acho que o palco é a melhor escola do artista”, diz.

Foto: Mariana Caldas

Foto: Mariana Caldas

Em 2014 participou do “Tinindo e Trincando”, tributo aos Novos Baianos organizado pelo blog Jardim Elétrico, cantando “Na cadência do samba”. Thamires conta que a influência não é tão direta em seu trabalho, mas que “cada coisinha que você ouve a vida inteira, acaba que está ali em algum lugar”. Entre suas referências, sente dificuldade de citar pela diversidade de nomes mas destaca a escola da “canção” mineira. “A canção que fala da natureza, que vem lá do meu estado, que também tem muito em Minas Gerais. Acho que a cultura do Mato Grosso do Sul e de Minas é parecida, isso me influencia muito”. Almir Sater, Milton Nascimento, Clube da Esquina, além de grandes cantoras como Elis Regina, Gal Costa e Ceumar  (“adoro a forma que ela trabalha a canção ligada ao regionalismo”), são alguns dos citados. “Eu gosto muito da canção que conta uma história, apesar de achar que a música tem uma papel mais alto que a letra”, mais uma vez enfatizando importância da melodia em relação a música.

Entre os planos para o futuro, Thamires conta que em 2016 começa a produção do seu próximo disco, que segundo ela vai seguir um caminho bem diferente. “Mas a essência da música não se perde, vai ter a minha cara” conta enquanto explica que pretende resgatar um pouco do rock que sempre gostou muito “eu quero mostrar um lado meu mais ‘atitude'”. No rock, MPB misturada com referências árabes, a cantora sabe que a arte também é responsabilidade “O artista tem um papel, ele não está ali só cantando por prazer próprio, ele transmite uma mensagem”, como canta em “Lar”, décima faixa do seu primeiro disco “Nada mais vale que a entrega do coração”.

Ouça “Lar”:

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