Música / Questão de Opinião

O Dilúvio de Dani Black – Primeiras percepções

Faz quase vinte dias que não chove em SP e finalmente a necessidade interna se aquieta. Um dilúvio invadiu a casa toda

*Por Meiri Farias com colaboração de Beatriz Farias

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Quando um dilúvio chega nada fica impassível. O dilúvio te derruba e você pode se deixar levar ou se erguer, maior e melhor do que era antes. A música é um bom termômetro de humor para mim: ela pode expressar bem os sentimentos e assim como o dilúvio, derrubar ou lavar a alma. Depois de semanas rodopiando em uma espiral de melancolia, me atentei para o lançamento do novo trabalho do Dani Black. O músico paulistano que já tem no currículo um primeiro disco (Dani Black, 2011), um EP (EP SP Dani Black Ao Vivo, 2013), parcerias com nomes de peso da música nacional como Zélia Duncan e Chico César, além de composições gravadas por Ney Matogrosso, Maria Gadú, Elba Ramalho, entre outros, apresenta seu segundo disco “Dilúvio”.

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O contato com o trabalho mais recente do músico é um misto de entusiasmo e conforto. Por mais contraditório que possa parecer, o conforto vem justamente de saber que um trabalho do Dani não poderia ser menos do que entusiástico, vibrante e rico em cores, sabores e texturas. Dani se afirma como músico formidável e compositor inteligente, o artista de 27 anos já alcançou o que chamamos de status de “pequeno grande ídolo” (entenda na entrevista que fizemos com Guga Pine ) – artista jovem que já influencia outros músicos.

O disco traz 11 músicas, todas assinadas por Dani, o que também acho bem significativo. Sempre enxerguei uma personalidade muito particular na música do artista e ver sua mão em todas as canções é afirmação dessa identidade muito definida e ainda assim, sempre diversa. “Dilúvio” também conta com colaborações de peso: a produção é assinada com maestria por Conrado Goys e Milton Nascimento também dá o ar de sua graça participando da música “Maior”, umas das mais reflexivas e impactantes do disco. Vale citar também o projeto gráfico caprichadíssimo que teve direção de arte de Patrícia Black-  irmão do Dani – Paulo Bueno e Uibirá Barelli. A divulgação da capa já prometia explosão e delicadeza, conferir o encarte é a confirmação.

Ouça “Fora de mim”:

Entre as canções, encontramos as já divulgadas “Areia” e “Seu Gosto”, a primeira com um arranjo de cordas luxuoso que abre o disco. Das já conhecidas do público se destacam “Linha Tênue” (anteriormente gravada por Maria Gadú) e “Só sorriso”, que já fazia parte do repertório e inclusive está presente no EP de 2013. Entre uma pegada mais descontraída (“Fora de mim” e “Ganhar dinheiro”) até as mais intensas (“Bem mais” e “Maior”), temos o melhor do trabalho de Dani: alternância de climas que faz cantar e entoar (“Mas gosto mesmo é disto aposto no oficio de sonhar / Eu vou devaneando e antes que perceba estou no ar” – Fora de Mim)  à refletir e se refletir em uma canção como “Bem mais” (“Tarde ou cedo não será suficiente / E vai querer bem mais”).

Ouça “Bem mais”:

Dani Black está melhor e sua música está maior do que nunca. Mas ouso prever que o “Dilúvio” (que definitivamente já é um dos melhores discos do ano) é só o começo. Dani Black irá bem mais longe.

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Dilúvio | 2015 – Download

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