Dica de segunda / Literatura / Questão de Opinião

Dica de Segunda: Paulo Leminski

*Por Beatriz FariasDica

A dica desta segunda vem em formato diferente para se adequar nesta homenagem/carta aberta/testemunho porque era de extrema importância que neste dia em especial se comentasse o poeta. Foi necessário modificar a ideia deste espaço extraordinariamente hoje porque gostar de Leminski não é uma indicação minha, é consequência de apreciar o que ele deu ao mundo.

Desde que me lembro de existir, questiono-me da necessidade de escrita do ser humano. Para além da comunicação, é ato de cuidado. Relacionar o inaceitável ao que se recebeu por força maior, é natureza. Autoconhecimento, vez ou outra intragável e por isso o mundo reconhece. O escritor transborda e é dessa fonte que a gente segue bebendo. Dia desses um poeta desejou “uma linda ressaca de poesia” e acredito que o significado ecoa nessa dica hoje, porque se tem um efeito que ainda não passou é o do porre que tomei do Leminski.

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Paulo Leminski foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro. A Wikipedia não deixa em destaque, mas foi também filho, amigo, marido e pai, um ser humano sagaz, na totalidade que a palavra propõe.

Hoje completaria 71 anos.

Li dia desses Maria Ribeiro comentando que Gregorio Duvivier é sua amizade platônica. Do próprio Duvivier já li que quem exerce este papel em sua vida é Antonio Prata. Uso desta quadrilha Drummondiana não apenas porque confio nos escritos de todos os envolvidos mas como justificativa para a tese que desenvolvi entre Leminski e minha pessoa. Não foi necessário que que eu tenha vivido ao mesmo tempo que o senhor de peculiar bigode, ou que diretamente nos apresentássemos. Leminski adentrou a alma porque seu escrito é atemporal. Desmembrando tudo o que existe, tinha o olhar dos curiosos e é dessa lente que observamos esse mundo sincero, tosco e vibrante: sem filtros.

Paulo Leminski

Leminski por Leminski

Além de sensível com o acaso, o homem era um visionário desses de não deixar pedra sobre pedra, de dar tapa na cara carinhosamente, fazer chover e logo depois apontar o sol. Porque no seu escrito está um pouco da nossa dúvida eterna por estarmos aqui somado a forma de ser feliz pra sempre, que é bem parecido com o silêncio dos inquietos.

Esse mundo ora entediante ora magnificente que o curitibano canta com ironia é mais que o símbolo de uma sociedade que pintamos de toda vida e poesia, porque ele era dos que brincam em serviço, desses que estão do lado de quem ri e dança pra o que a vida aponta, e por isso o que escreveu tem essa força. A extrema beleza de um mundo pintado de cores reais. Olha Leminski, seu nome é lembrado. Não acho que esse era seu almejar extremo mas acontece porque é impossível não notar quão grandioso é essa sua fórmula de falar pelos detalhes. Não é que você economizou palavras, é que sua escrita foi além. Você saltou das páginas e fez um ser que sentia cheiro de mofo na poesia respirar aliviada da liberdade que esse negócio carrega, e que graça as palavras tem meu senhor! E que graça tem falar a seu respeito. E que gratidão ficou aos terráqueos, mestre.

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