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Toscomics: Conheça o trabalho de Samanta Flôor

Abre Aspas

* Por Meiri Farias

Samanta Flôor escreve e desenha histórias em quadrinhos desde pequena, por ser um “criança de apartamento” sempre foi incentivada pelos pais a criar. Atualmente a situação se modificou um pouco: é ela que desenha para crianças. Arquiteta de formação, voltou a fazer quadrinhos há alguns anos e acabou de lançar o livro “O astronauta de pijama” pela editora Marsupial. Além da HQ infantil, Samanta publica tirinhas, ilustrações e esboços em sua página no Facebook e no Tumblr, boa parte delas com temas divertidos e inusitados que geram identificação (0 tosco e o fofo em uma só tira, sem dúvida uma das minhas favoritas).

Imagem: página da artista

Imagem: página da artista

Em 2013 lançou o álbum “Toscomics” pela Café Espacial e em 2014 lançou dois gibis independentes “Click” e ” Três”. Este ano recebeu indicações em três categorias do HQ MIX  por “Click” (novo talento desenhista, novo talento roteirista e publicação independente one-shot). A artista gaúcha também está envolvida em outros projetos como um gibi de culinária que será lançado na FIQ, além de ter divulgado recentemente que está entre os artistas escolhidos para participar do livro que homenageia os 80 anos do Maurício de Sousa. Conheça um pouco das múltiplas facetas do trabalho de Samanta:

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Armazém de Cultura: Você publicou recentemente o livro “O Astronauta de pijama” pela editora Marsupial, como é desenvolver um trabalho focado no publico infantil?

Samanta Flôor: A produção não é muito diferente do que costumo fazer, acho que meu trabalho já tem uma pegada infantil. Mas é mais difícil de publicar, porque neste meio eu preciso da editora, não dá pra fazer de forma independente, como com os quadrinhos. E é um mercado difícil de entrar, mas estou trabalhando nisso, pois é algo que quero há bastante tempo.

Capa do livro "O astronauta de pijama"

Capa do livro “O astronauta de pijama”

AC: Você é formada em arquitetura, certo? como foi que se descobriu quadrinista?

Samanta: Quando eu era criança escrevia e desenhava muitas histórias em quadrinhos. Eu e meus irmãos somos “crianças de apartamento” então meus pais nos incentivavam muito a criar e desenhar. Nós 3 desenhávamos e escrevíamos. Apenas eu segui esse caminho profissionalmente, mas meus irmãos ainda desenham – um deles faz jogos e já fez muitas animações em 3D. Mais tarde eu larguei um pouco as HQs e fiquei mais no desenho, talvez por causa de um senso crítico. Voltei a fazer quadrinhos alguns anos atrás e aí não parei. Conhecer muitas pessoas no meio acabou me incentivando muito a produzir e, principalmente, a mostrar o que eu faço.

AC: Recentemente a cartunista Carolina Ito (Salsicha em Conserva) chamou a atenção para o pequeno número de mulheres indicadas no prêmio HQ MIX- apenas 13% é de produções foram feitas exclusivamente por mulheres. Você acha que ainda temos falta de representatividade e/ou reconhecimento do trabalho da mulher com quadrinhos? Ainda é um meio machista?

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Samanta: Tem muita mulher produzindo hq, então não é por falta de representatividade. Não sei se seria falta de reconhecimento, acho que é falta de conhecimento mesmo, o que é muito ruim. Existe um coletivo dedicado a mostrar o trabalho de autoras chamado Ladys comics. O que essas moças fazem é extremamente importante para o mercado e a produção nacional. Elas inclusive já conseguiram realizar um evento próprio, através de financiamento coletivo.

Tem muita quadrinho sendo produzido atualmente no Brasil, ótimas hqs de homens e mulheres, que ficaram de fora da premiação. Acho que não é possível contemplar a todos. Mas sim, existe machismo no meio porque existe machismo em todo o lugar, ainda.

Imagem: página da artista

Imagem: página da artista

AC:  Em junho você publicou na sua página do Facebook que terá lançamento na FIQ (#CulináriaEmQuadrinhos), pode nos adiantar alguma coisa sobre esse projeto?

Samanta: É um gibi sobre culinária que eu, Marília Bruno, Felipe 5 Horas, Leo Finocchi e Fernanda Chiella lançaremos pela Balão Editorial. Cada um transformou receitas em quadrinhos. Lançaremos oficialmente na FIQ, mas talvez ele já esteja à venda no stand da Balão na Multiverso Comiccon.

AC: Além do autoral, você também faz trabalhos de ilustrações para editoras e publicidade. O que é mais difícil: criar um projeto do zero ou trabalhar com uma pauta determinada por outra pessoa?

Samanta: Certamente é mais difícil criar trabalhos comerciais, porque existe essa meta de vender, não é um trabalho autoral, existe menos liberdade, prazos apertados, etc. Mas é algo que eu curto fazer, alguns trabalhos são bem interessantes e eu sempre aprendo algo novo com cada um, coisas que acabo aplicando no meu trabalho autoral.

AC: Você também já fez uma exposição em Portugal, como foi essa experiência?

Samanta: Sim! A revista Café Espacial organiza exposições coletivas por lá (em Beja) e como eu lancei um gibi sozinha (da série: café espacial apresenta) acabei com uma exposição só minha. Infelizmente não pude ir, mas foi uma honra muito grande.

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As tirinhas sobre comida sempre são divertidas! vale conferir (e se identificar)

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