Abre Aspas / Música

Juliana Cortes: O início de uma nova cor

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

Para quem vive em São Paulo é comum ouvir (ou mesmo comentar) de como a cidade é cinza, por vezes de forma pejorativa. Sempre achei engraçado o nariz torcido ou a implicância, já que sou admiradora assumida da tonalidade e da beleza que se pode encontrar em céu cinzento. Um pouco mais ao sul, Juliana Cortes desvenda o cinza em Curitiba: “Gris” seu próximo disco é o prata, o início de uma nova cor.

Dois anos depois do primeiro álbum “Invento”, Gris promete uma pegada mais pop e traz produção assinada por Dante Ozetti. Com composições de artistas como Maurício Pereira, Vitor Ramil, Arrigo Barnabé, entre outros, o lançamento está previsto para outubro.

Foto: Miriane Figueira

Foto: Miriane Figueira

Armazém de Cultura: O que pode adiantar sobre “GRIS”, seu novo disco?

Juliana Cortes: Adianto que é lindo! (risos)… Um disco concebido no ar! Viajei todas as quintas-feiras para São Paulo durante 10 meses. Fui parar em Buenos Aires, Montevidéu, Rio de Janeiro… tudo para buscar o som que existe dentro de mim. É um disco extremamente sensível ao momento da minha vida: corpo e alma.

Dentre as novidades, tem o Dante Ozzetti que deu um novo rumo ao meu trabalho. Tem também duas letras escritas para mim, uma pelo Luiz Tatit e outra pelo Arrigo Barnabé (realizei um sonho!)… O disco também conta com a participação super especial do Paulinho Moska além de grandes instrumentistas como Antônio Loureiro (vibrafone), Diego Schissi (piano), Santiago Segret (bandoneon), Juan Pablo Navarro (contrabaixo), Ronaldo Saggiorato (baixo), Vina Lacerda (percussão), Guilherme Kastrup (percussão), Romildo Weingarther (violoncelo), Du Moreira (baixo)…. Ufa!

AC: Depois de dois anos do lançamento do seu primeiro disco “Invento”, você está finalizando o novo álbum. O que mudou no seu trabalho nesse período?

Juliana: Os dois discos se completam. Invento é uma parte mais jazz enquanto Gris é mais pop. O primeiro é cheio de improvisos e o segundo tem uma escrita mais elaborada… Eles praticamente coexistem… mostram o que ouço, o que gosto e o que vivo.

De uma maneira mais poética, “Invento” é o escuro, o inverno… “Gris” é o prata e simboliza o início de uma nova cor.

AC: Seu trabalho reúne canções de artistas diversos, de Paulo Leminski à  Maurício Pereira. Como foi a escolha do repertório?

Juliana: Ah… essa foi a parte mais difícil. Demorei muito para escolher cada canção. Não havia uma temática em especial mas eu queria escolher canções que não falassem de/somente amor. Queria um disco mais existencialista… A primeira canção que surgiu foi uma parceria da Estrela Leminski e do Leo Minax. MISMO – que recebeu a participação do Paulinho Moska – parece ter sido feita pra mim. Quando escrevi o Leo Minax solicitando autorização para gravar, ele me mandou mais 3 músicas (uma mais linda que outra). Escolhi uma parceria com o Chico Amaral, inédita. As próximas músicas que escolhi vieram depois de muitas horas de audição. Revirei o acervo de compositores que eram mais próximos ou que fui encontrando pelo caminho. Ouvi Arthur de Faria, Marcelo Delacroix, Dany Lópes, Jorge Drexler, Arrigo Barnabé, Alegre Corrêa, Teo Ruiz, Alzira E, Luis Felipe Leprevost, Troy Rossilho, Luis Felipe Gama, Pedro Luís, Djavan, Trio Quintina, Vitor Ramil, Chico Mello, Indioney Rodrigues, Villa-Lobos… foi uma loucura! …. E pensar que ainda falta escolher uma!

Foto: Miriane Figueira

Foto: Miriane Figueira

AC: Você acha que o atual cenário musical favorece o artista independente no país? quais as principais vantagens e desvantagens?

Juliana: Ser um artista independente é ter menos compromisso com a tal “venda” e isso pode ser uma vantagem se você olhar por uma lado mais artístico. Por outro lado, é difícil conseguir sobreviver sob esta perspectiva. Nós fazemos música para comunicar, para tocar na rádio, para tocar na TV e ser um artista 100% independente torna essas tarefas muito mais difíceis.

O “mercado” da música ainda é um lugar desconhecido pra mim. Por enquanto, continuo vendendo minha canção como uma “vendinha” de cidade do interior.

AC: Quais foram suas principais referências musicais?

Berlioz, Maria Callas, Stockhausen, Arrigo Barnabé, Chico Mello, Elis Regina, Mercedes Sosa, Egberto Gismonti, Vitor Ramil, Billie Holiday, Liliana Herrero…

AC: No release você cita o “quasi-isolamento” de Curitiba por estar fora dos grandes centros de difusão da música. Você sentiu muitas dificuldades em sua carreira devido a esse “isolamento”? que artistas da cena local você indicaria para quem se interessou pelo seu trabalho?

Juliana: Sinto dificuldade em todas as etapas do trabalho: da criação à distribuição. Estar em Curitiba significa estar fora dos grandes eixos das gravadoras, produtoras e distribuidoras e isso significa que você precisa se deslocar ou jogar muito mais energia no trabalho para ser ouvido de uma forma mais ampla. É essa a sensação que tenho quando digo “isolamento”… por outro lado, sinto que estar em Curitiba desperta certo interesse e curiosidade no mercado musical mas é preciso ser muito persistente.

Dos artistas curitibanos, é impossível não citar o Grupo Fato, Fred Teixeira, Du Gomide, Estrela Leminski, Janaina Fellini, Bernardo Bravo, Sérgio Coelho, Fole Baixo, Iria Braga, Trio Quintina, Troy Rosilho, Homem Canibal, Banda Gentileza, Lemoskine… Curitiba tem som!

Ouça “O Velho Leon e Natália em Coyoacán”:

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