Abre Aspas / Música

Barcamundi: Exaltando as bonitezas da vida

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

O ano de 2015 vem se mostrando frutífero em lançamentos. Dos mais diferentes gêneros, discos criativos e interessante têm chegado até nós e conquistado um espaço no fone de ouvido. Provavelmente até o fim do ano faremos uma relação detalhada dos trabalhos mais bacanas que encontramos no caminho, mas hoje trago até vocês “Barcamundi“, primeiro disco da banda homônima.

Tenho uma curiosidade imensa sobre a origem do nome das bandas, dos discos, dos livros, enfim, tenho um curiosidade imensa sobre a origem das palavras, seja pela etimologia ou pela história contida nela. Foi um surpresa imensa descobrir que o nome não tinha uma história pregressa, mas não deixa de fazer sentido. Barcamundi é uma exclamação, uma exaltação discreta das bonitezas da vida. É uma palavra que se basta e dá vontade de sorrir, assim como a música cheia de cores a banda de Niterói.

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Armazém de Cultura: O que é “Barcamundi”, como surgiu esse nome?

João: Barcamundi é só o nossa banda mesmo (risos) Uma rápida procura na internet e o que há de mais próximo é um peixe chamado “Barramundi” e artigos relacionadas ao Barcelona (Barça Mundi). O Nino Navarro (irmão do Gil e do Leon e músico parceiro) havia sugerido Navio Mundo (porque soava bem) e meu pai, numa conversa sobre as possibilidades de nome para a banda, acabou sugerindo Barcamundi quase que instantaneamente. O nome agradou a todos e ficou. Gostamos dele porque é abrangente, “positivo” e cria uma marca nossa. Também tem a questão de Niterói, das barcas, que não foi pensada anteriormente mas que faz sentido. Além disso o nome tem nos ajudado porque de vez em quando aparece um fã distante do Barcelona curtindo a nossa página!

AC: Este é o primeiro disco de vocês, certo? como foi o surgimento da banda?

João: É o primeiro sim. Eu, o Gil (baterista), o Leon, o Matheus (guitarristas) e a Gabi (vocais) somos amigos de escola e a banda surgiu a partir de um grupo que incluía o Leon, o Gil e o Matheus. A partir daí entramos eu, a Gabi e o Pedro (nessa ordem), sendo que o Pedro (baixista) é amigo meu de faculdade. Consideramos que a banda foi oficialmente formada com a entrada do Pedro e com o nosso primeiro show, que foi no Festival de Bandas da Engenharia da UFF, no final de 2013.

Ouça “O trem e o pássaro”:

AC: O CD é autoral, certo? como é a composição das músicas, como cada integrante contribui?

João: O CD é totalmente autoral. Tirando Outro Par (Leon e João), Todo Dia (Gil, Matheus e João) e Silêncio ou Solução (Matheus), as composições do CD são minhas, basicamente por causa do meu ritmo de composição. O Matheus, guitarrista da banda, é um incrível compositor e a tendência é que as criações dele ganhem cada vez mais espaço. O Pedro, baixista, também é muito talentoso e já possui algumas composições prontas. Um desafio legal que estamos nos propondo é começarmos a criar mais juntos.

AC: Qual as principais vantagens e desvantagens em ser uma banda independente hoje? Ainda é muito difícil?

João: Pelo lado positivo há tudo o que ser independente traz de liberdade criativa. Acho que o boa parte do resto das vantagens está vinculada às dificuldades. Por exemplo: a falta de incentivos e espaços para apresentação faz com que os artistas independentes se unam, divulguem os trabalhos uns dos outros etc. Talvez a maior dificuldade seja o retorno financeiro: posso dizer que a Barcamundi, hoje em dia, oscila entre gastar para fazer música e ser autossustentável, o que está longe do nosso ideal. É difícil, mas vale a pena.

AC: A arte da capa está muito bonita! poderiam contar um pouco sobre?

João: Muito obrigado! A pintura da capa fui eu que fiz e é uma tentativa acertada (no ponto de vista da banda) entre várias. Foi feita com tinta para roupa (da minha irmã, que faz moda) em papel A4, ou seja, de forma bem despretensiosa. O design do CD (que inclui a cor de fundo da capa e a orientação da arte) é da Mariana Magno, com finalização da Sílvia Dantas. A idéia era criar algo orgânico, simples, marcante e razoavelmente colorido, para representar a diversidade do nosso som.

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AC: Vocês provavelmente trazem diversas referências musicais, poderiam citar algumas? Há algum artista ou banda que influenciou diretamente o trabalho de vocês?

João: Cada integrante possui diferentes referências. Para retratar essas diferenças, eu posso citar Clube da Esquina, Sá Rodrix e Guarabyra e Nick Drake, o Matheus curte Radiohead, Fionna Apple e Grizzly Bear, o Pedro gosta de Benito de Paulo, Chico Buarque e Elton John, a Gabi Milo Greene, Ben Howard e Bon Iver, o Gil curte The Doors, The Smiths e Nirvana e o Leon gosta de Rolling Stones, Perota Chingó e Tom Waits.

Possuímos influências mais em comum como os Beatles, o que certamente não é exclusividade da nossa banda. O Leon um dia falou que eu e o Matheus influenciamos bastante o som dele e acho que é por aí: nós nos influenciamos muito e somos bastante abertos à ideias novas.

AC: Atualmente é muito difícil (que bom!) “rotular” a música que vem sendo produzida no país. Ainda assim, sempre encontramos pontos de identificação nos trabalhos que escutamos. E vocês, com que artistas/banda se identificam e indicariam para quem gostou do trabalho de vocês?

João: Em Niterói temos alguns músicos parceiros, alguns com os quais já fizemos shows, como o Nino Navarro (irmão do Gil e do Leon) que tem uma mente musical incrível, a Gragoatá que tem dois compositores muito talentosos e a voz da Rebeca Sawuen, a Overdrive Saravá que é eficiente, criativa e ousada, o excelente compositor Daniel Caldeira, a Tomba Orquestra com climas e temas muito interessantes e ótimos músicos, a Jungle Switch com melodias marcantes e muita energia, entre outros.

Nacionalmente, o Bruno Berle me impressionou muito com seu CD solo e com sua banda Troco em Bala. A Metá Metá tem cada vez mais feito a minha cabeça e dispensa comentários. Ultimamente, ouvi o primeiro álbum da Duda Brack e não parei mais, é incrível.

Ouça “Navalha de Occan“:

 

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