Abre Aspas / quadrinhos

Revista Risca! – Quadrinho, mulher e a conquista de um espaço de direito

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

Começa a palavra e erra uma letra, risca. Rascunha um desenho, não fez sentido, risca. Vai passar um bilhetinho, a professora olhou, RISCA RISCA RISCA!  Se o riscar parece dar um sensação de que algo deu errado, por outro pode ser a forma de (re)começar, recriar, repensar. Afinal, a verdade é que tudo começa com um risco.

imagem bonitinha

Riscando e arriscando, as meninas dos Lady’s Comics estão em campanha de financiamento coletivo em prol da viabilização da Risca! uma revista dedicada a reunir mulheres e quadrinhos com temas como a presença da mulher negra nas HQs, identidade de gênero, aborto e as precursoras da nona arte no Brasil.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta criaram  o site Lady’s Comics há cinco anos com o objetivo de reunir a produção feminina de quadrinhos, pesquisas e vídeos. O projeto foi tão bem sucedido que em 2014, também por meio do financiamento coletivo, as Lady realizaram o “1º Encontro Lady’s Comics – Transgredindo a representação feminina nos quadrinhos” em Belo Horizonte, que contou com debates, exposições e oficinas, sempre discutindo e afirmando a memória das mulheres no cenário das HQ’s.

criadoras do ladys comics

Armazém de Cultura: Porque “Risca!”? Poderia explicar um pouco sobre a escolha do nome?

Lady’s Comics: Nós pensamos em um nome curto que pudesse ser simples e tivesse a ver com o mundo dos quadrinhos. Acabou que riscar faz a gente pensar em (re)começar não apenas um desenho, mas nas histórias das histórias em quadrinhos. A gente precisa disso: construir/resgatar juntxs uma memória que não seja esquecida ou perdida e que fortaleça quem éramos, o que somos e onde queremos chegar. Acabou que RISCA! é uma busca de uma memória que não queremos perder mais, é uma resistência de mostrar que todas começam assim, riscando, rascunhando despretensiosamente e conquistando espaços.

AC: Essa é a segunda experiência de vocês no Catarse, certo? O que acham do crowdfunding? vocês acham que o financiamento coletivo ajuda a redefinir a forma de se pensar o mercado editorial?

Lady’s: Com certeza. Com o financiamento colaborativo pulamos uma etapa que seria a da seleção e publicação por meio da editora. Entramos em contato diretamente com o público interessado. E isso é realmente interessante pra podermos saber o que agrada no apoiador. O crowdfunding tem se mostrado o maior meio de publicação para quem quer fazer Histórias em Quadrinhos.

AC: No Lady’s Comics vocês focam na produção feminina, poderiam contar um pouco como surgiu a ideia e como o site começou?

foto do face

Lady’s: O site surgiu de uma curiosidade em saber quem eram as quadrinistas mulheres do Brasil. Percebendo uma necessidade em falar sobre o assunto, montamos o site e, em uma semana, já tínhamos uma boa repercussão. Vimos que era mais que necessário um espaço como esse para que as pessoas pudessem perceber que há mulheres fazendo quadrinhos.

AC: O que podemos esperar do conteúdo da revista? como ela será composta editorialmente (quadrinhos, matérias, entrevistas)?

Lady’s: Para o primeiro volume pensamos em conteúdos pouco abordados nos quadrinhos, que são: identidade de gênero, aborto e a representatividade da mulher negra nos quadrinhos. Junto com artigos e entrevistas, daremos um panorama sobre as precursoras dos quadrinhos e teremos dois quadrinhos feito pelas quadrinistas Aline Lemos e Laura Athayde.

Quadrinho da Laura Athayde que estará na revista

Quadrinho da Laura Athayde que estará na revista

AC: Vocês planejam dar continuidade a revista, criar uma periodicidade?

Lady’s: Sim, queremos. Ainda não sabemos a periodicidade, mas pensamos que uma ao ano já é meio que certo e com diferentes temas a serem abordados.

Tem bordado de recompensa!

Tem bordado de recompensa!

AC: A visibilidade do trabalho da mulher no quadrinho é um tema delicado. Recentemente a Carolina Ito (Salsicha em Conserva) chamou a atenção para o fato de que apenas 13% das indicações no HQ Mix foram para mulheres. O mundo do quadrinho é muito machista? Qual é a maior dificuldade para as garotas que decidem por esse caminho?

Lady’s: Sim. E alguns fatos podem ilustrar esse sentimento, como a fala de alguns quadrinistas sobre o tema, as premiações existentes e o número de publicações de mulheres por editoras. Acreditamos que a maior dificuldade está no fato do não reconhecimento dessas autoras, o que acarreta nesse fatos que citamos. Se ainda pensam que quadrinhos é “coisa de menino”, é porque há uma falha na divulgação.

AC: Temos acompanhado vários projetos com propostas bacanas de representatividade e empoderamento feminino. Vocês teriam alguma sugestão de outro trabalho que admiram e/ou apoiam?

Lady’s: Espeficificamente sobre Mulheres e Quadrinhos no Brasil tem o grupo no facebook com o mesmo nome, a página MnQ (Mulheres nos Quadrinhos), Inverna, Zine XXX e o Mina de Hq. Fora do Brasil tem Chicks on Comics, Caniculadas, Spring. Sobre outros temas sugerimos: Think Olga, blogueiras negras, Capitolina, blogueiras feministas, Revista AzMinas e Revista FalaDelas.

antiga capa
Conheça o trabalho das meninas qui: http://ladyscomics.com.br/

Para contribuir com o financiamento coletivo: Catarse

Saiba mais:

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