Abre Aspas / Fotografia / Literatura

Frida em Foto: A identidade de um rosto que também é nosso

Abre Aspas

*Meiri Farias

Até o início do próximo ano, mais precisamente dia 10 de janeiro, o Instituto Tomie Ohtake (SP) recebe a exposição “Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas mexicana”, que além de contemplar a vida artística da pintora mexicana, apresenta ao público o trabalho de outras artistas como Maria Izquierdo, Remedios Varo, Lenora Carrington.

11217676_862020700591705_7458576562239386969_n

Chama a atenção como a figura da Frida transcendeu sua obra e tornou-se uma personalidade da cultura pop: de camiseta a tatuagem, mostras diversas e homenagens a perder de vista, a artista mexicana se tornou um símbolo de resistência feminina e feminista. Dentro desse cenário tão propício e inspirador, nasce o trabalho de Juliana Krupahtz e Mariana Piccoli, de Santa Maria (RS). Frida em Foto é um  livro de fotografias de mulheres interpretando autorretratos da artista. O projeto, que nasceu durante a disciplina de História da Arte – onde Mariana era professora e Juliana sua aluna, está em financiamento coletivo no site Catarse. Conheça um pouco dessa história e descubra como colaborar!

Armazém de Cultura: Como surgiu a ideia para esse trabalho?

Juliana Krupahtz: O projeto começou durante a disciplina de História da Arte, no curso de Desenho Industrial, na Universidade Federal de Santa Maria. No caso, eu, Juliana, sou acadêmica do curso e a Mariana ministrava a disciplina. A proposta era desenvolver um produto do Design inspirado em um artista ou movimento da história da arte. A minha paixão pela Frida Kahlo achou a oportunidade perfeita para unir Frida e fotografia, e como projeto final foi escolhido fazer um livreto com as fotografias registradas. Depois do trabalho finalizado, ele teve uma repercussão muito boa, e então surgiu a ideia de expandi-lo e levar para fora, através do financiamento colaborativo.

AC: Frida se tornou um personagem marcante na cultura pop e cada vez mais trabalhos, exposições e etc, vem trazendo sua persona como inspiração. No seu caso, porque Frida?

Juliana: Quando iniciei a disciplina, já tinha um grande interesse e até uma ansiedade em poder estudar mais sobre as obras de Frida, ao executar esse trabalho, consegui unir a minha paixão pelas obras dela a mais três temas que amo: fotografia de retratos, feminismo e psicologia.

A história da Frida não era algo para se deixar passar, tendo a oportunidade de estudá-la mais a fundo e poder analisar cada obra por um viés sentimental foi fundamental para que a escolhesse como peça chave do trabalho. Além disso, iria poder fotografar mulheres que iriam viver a história do quadro, de Frida, colocar roupas parecidas com as da artista (que desafiavam os padrões estéticos da época e capturar todos esses sentimentos dentro de uma obra cheia de significado.

Pelo Suelto – Juliana Olsson

AC: Como é a escolha das mulheres que serão fotografadas? Como é o processo da realização das imagens?

Juliana: No início, quando comecei a fazer o trabalho, chamei cinco mulheres que admirava e que tivessem características únicas, cada uma era bem diferente da outra, porém todas símbolo de luta e poder da mulher. Na hora, todas toparam, e daí saíram as cinco primeiras fotos, que estão sendo divulgadas.
Agora que estamos aumentando o livro, iremos fazer mais cinco fotografias, e então abrimos para que mulheres que eu ainda não conhecia pudessem entrar no projeto. Elas entraram em contato através da página no Facebook e por e-mail, e foi maravilhoso conhecer pessoas que se identificavam com o projeto e agora ter a oportunidade de registrá-las e escolher uma obra para cada uma. Após o contato inicial, eu e a Mariana escolhemos as obras que queríamos registrar, que fossem todas autorretratos da Frida – principalmente pela carga emocional que eles contêm -, e fazemos uma análise da história da obra, tentando fechar com a modelo que mais se identifica. Eu envio a obra e a análise para ela ler, e se ela me der ok, organizamos a produção e o ensaio é feito no estúdio, aqui na universidade mesmo.

AC: O trabalho será viabilizado por meio e financiamento coletivo, como está sendo essa experiência? O que acha sobre essas novas formas de viabilizar projetos artísticos e culturais?

Juliana: Eu acho fantástico a ideia de podermos comprar e conhecer trabalhos que as vezes estão tão fora do nosso alcance e nem temos ideia que estão sendo produzidos. E muitas vezes, são ideias ótimas que demorariam muito para entrar no mercado, já que teriam de se adaptar a tantas regrinhas por aí. O financiamento colaborativo nos dá a liberdade de poder lançar um projeto da maneira que queremos que ele nasça, e se agradar, agradou. Todo mundo têm acesso, todo mundo faz parte do processo, pois sem alguma das partes ele não tem como se concretizar.
A única parte ruim nesse processo todo é o medo de não conseguir atingir a meta. Nós planejamos muito e tiramos tudo que era desnecessário para diminuir o nosso orçamento ao máximo, e mesmo assim, são muitas pessoas que tem que ser alcançadas para que se consiga o financiamento.

AC: Tem chamado a atenção a quantidade de bons projetos que evocam representatividade e empoderamento feminino. Você acha que é um momento propício a discussão do feminismo? Que outros trabalhos sobre a temática você indicaria?

Pelo Corto - Kamyla Belli

Pelo Corto – Kamyla Belli

Juliana: Esse foi um fator relevante na hora de pensar se daria certo colocar o projeto para financiamento. Nós, mulheres, estamos nos conscientizando dos problemas da sociedade machista cada vez mais, mais mulheres estão sendo empoderadas. Há um crescimento de páginas maravilhosas no Facebook divulgando informação de qualidade para fazer a gente pensar e se dar conta de muitas coisas que sempre foram consideradas ok, mas não são nada aceitáveis. O tempo é propício e aberto a discussão do feminismo, sim, acredito. E espero que continue crescendo, porque não está nem perto do que queremos.

Existem alguns projetos/blogs que acompanho e que com certeza eu indico, como o movimento Vamos Juntas? que ia lançar um aplicativo através do Catarse, o projeto Outras Meninas, o blog Girls With Style e a página Não Me Kahlo que está sempre postando matérias para quebrarmos cada vez mais os nossos paradigmas.

AC: Além da Frida, que outras figuras femininas – públicas ou não – são inspiradoras para você?

Juliana: No momento estou lendo sobre Tina Modotti, fotógrafa italiana, amiga de Frida e ativista na luta revolucionária. Além dela, são figuras inspiradoras Simone de Beauvoir e Pagu.

Saiba como apoiar no Catarse!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s