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Cidade das culturas: Avenida ocupada

São

Mudança gradual de comportamento tira o paulistano de casa e o leva a ocupar o espaço público. Confira uma série de matérias sobre cultura como processo de ocupação do espaço público e direito à cidade

*Por Meiri Farias

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17h do primeiro domingo do horário de verão e algumas pessoas começam a dispersar, mas uma quantidade considerável de jovens, idosos, crianças e famílias inteiras continuam a caminhar com tranquilidade pela Avenida Paulista. Mesmo com céu nublado e temperatura inferior a 20°, os paulistanos se muniram com suas bicicletas e foram ocupar a avenida cartão postal da cidade, o que a partir dessa semana deve tornar-se rotineiro aos domingos devido a medida municipal que transformou a abertura de algumas vias da cidade em política pública.

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A medida gerou desconforto em alguns setores da sociedade e o Ministério Público censurou a decisão do prefeito, alegando que a cidade já havia excedido seu limite de situações onde a avenida é aberta à população e que o acordado era que apenas na Parada Gay, Réveillon e Corrida de São Silvestre, os carros fossem impedidos de entrar na avenida, chegando até a ameaçar multar a prefeitura em R$ 30 mil. Em resposta o prefeito convidou os promotores e técnicos do MP para visitar a Paulista e “tirar suas próprias conclusões”. Segundo matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo no sábado (17), o promotor do MP José Fernando Cecchi Junior declinou o convite. Haddad justifica a transformação da medida em política pública com um alinhamento ao Plano Nacional de Mobilidade. Foram realizadas audiências com moradores, comerciantes e frequentadores da região, além de análises de impacto.

Para Nabil Bonduki, secretário de cultura do município, algumas pessoas resistem à medida de “fechamento da avenida” devido a cultura do automóvel que se instaurou na cidade desde o impulso da industrialização nos anos 1950. Para ele, essa geração que cresceu ouvindo Roberto Carlos cantar Cadilaques, foi projetada para ver o automóvel como símbolo de progresso. “Eu prefiro falar de ‘abertura’ da Avenida Paulista, fechamento para os carros e abertura para as pessoas. Acho que faz parte do direito a cidade”. Já a deputada Luiza Erundina acha que é necessário fazer mais. “Eu acho que faz sentido, mas não é uma única medida que resolve os problemas de acesso a cidade.” A deputada enfatiza a necessidade de que o problema seja analisado em uma perspectiva de integração metropolitana.

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Além da Paulista, outras duas vias impediram a passagem de carros no domingo: Avenida Luíz Greshikin, na região do M’Boi Mirim (zona sul) e trecho da Rua Benedito Galvão em Aricanduva (zona leste). Segundo o secretário do transporte Jilmar Tatto, o objetivo é que até novembro todas as subprefeituras abram uma avenida para a população aos domingos. O secretário também afirmou que está sendo estudado um sistema de cadastramento que permita a passagem de carro dos moradores da Paulista.

Veja todas as matérias da serie São Paulo das Culturas

** A matéria faz parte de uma reportagem realizada para o curso “Repórter do Futuro – Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter”. Até sexta publicaremos um “capítulo” por dia, não deixe de acompanhar. Amanhã teremos a conclusão do especial!

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