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Achiles Neto: Amor é sorte de encontrar

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

“O amor não tem essa necessidade de ser eterno, ele só precisa ser intenso”, diz Achiles Neto como introdução, antes de cantar a música “Corte e Costura” em um vídeo do coletivo MIRA. A explicação do artista sobre a criação da canção, me emocionou tanto quanto a música em si. Achiles canta um amor sem obrigação, um “amor com defeito” e por isso mesmo, um amor mais real, que em suas imperfeições nos reflete humanos.

FOTO Fernanda M.

A canção, enquanto letra e melodia, já seria o suficiente para emocionar e despertar interesse sobre o artista. Mas não foi (somente) esses elementos que me levaram a querer descobrir o trabalho do baiano de Maracás. Achiles canta com tanta, por falta de palavra melhor, verdade que não se pode ficar impassível. Talvez porque a sensação que transmite é que não é apena interprete de sua canção, mas ele próprio se faz música para o sentimento desaguar.

Depois do impacto de “Corte e Costura”, você vai precisar saber mais. Então, seja bem vindo a entrevista da semana e descubra que assim como no amor, a beleza na arte é sorte de encontrar.

Armazém de Cultura: Conhecemos seu trabalho por meio dos vídeo do coletivo MIRA! poderia contar um pouco sobre o coletivo e sua participação nele?

Achiles Neto: Não sei se sou a pessoa mais adequada para falar em nome de um coletivo tão diverso quanto o MIRA. Ao meu ver, o MIRA reúne propostas, talentos e musicalidades distintas de jovens compositores e músicos do cenário carioca. A finalidade do Coletivo é que cada artista/grupo empreste suas mãos para o outro, com o intuito de fortalecer mutuamente seus trabalhos. Fui convidado pelo Rodrigo Miguez e pelo Leo Middea e confesso que tem sido uma experiência única participar das discussões com o grupo e dividir expectativas com a música. Nesse meu processo de mudança para o Rio de Janeiro [sou baiano, natural de Maracás], o Coletivo MIRA representa, na música, o abraço de boas vindas que recebi quando cheguei aqui.

AC: No vídeo  de “Corte e costura” você fala que é uma música sobre o amor em visão mais sincera e talvez, mais realista do sentimento. Como foi a composição da canção? é uma parceria com Conrado Pera, certo?

Achiles: “Corte e Costura” é a terceira parceria minha com o compositor Conrado Pera. Ele me enviou um áudio com a música pronta e eu só fiz letrar. Sempre fico muito ansioso e inseguro quando recebo alguma música dele para colocar a letra. Conrado, além de ser um grande amigo, é também um compositor com sensibilidade admirável! O Universo conspirou para que eu recebesse o áudio dela num momento muito propício. Estava vivendo essas coisas que a gente descobre aos 20 e poucos anos e que desconstroem todas as certezas e expectativas que a gente tem sobre a vida.  O amor é uma delas. Foi muito bom constatar suas fragilidades, suas versões mais humanas, sua realidade polirromântica… Melhor ainda é identificar essas constatações como fruto de minhas próprias vivências amorosas, minhas frustrações e decepções, minhas leituras e meus ouvidos curiosos.

Ouça “Corte e Costura”:

AC: Geralmente perguntamos qual música o artista gostaria de ter composto, mas como já estamos nesse assunto, qual é a música de amor que você ouve e pensa “queria que essa música fosse minha!”?

Achiles: Confesso que sou do tipo que não tem nada de preferido/a, inclusive música. Não por opção, mas por circunstância da vida mesmo. Eu simplesmente gosto de muitas coisas e deixei de hierarquizar meus gostos. Mas já que estamos falando de canções de amor, há uma música do Gilberto Gil que eu gosto muito, chamada “Seu olhar”. Essa música marcou muito minha infância e eu sempre a canto no chuveiro. A relação que ela tem com passagens de minha vida a tornou um verdadeiro mantra. Não somente ela, mas o disco “Dia Dorim Noite Neon” inteirinho!

AC: Você também faz parte da banda CAIM, certo? poderia contar um pouco sobre esse projeto?

Achiles: O CAIM é uma banda que ainda não é uma banda porque surgiu de um duo. O projeto nasce de minha parceria com o compositor Marcus Marinho. Nós nos encontramos em 2009, no primeiro dia de aula do curso de Direito. Fomos colegas de sala e amigos desde então. De lá para cá, participamos de muitos festivais de música, gravamos um disco em formato voz e violão e ano passado lançamos um segundo disco, desta vez como CAIM. O disco “Ciência, Arte, Ideologia e Música” abre os caminhos para esta nossa necessidade de dialogar com mais parceiros e imprimir no CAIM o sentimento de banda. É o trabalho na música por qual eu tenho mais orgulho!

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AC: Você é da Bahia, certo? no Armazém buscamos conhecer e apresentar artistas de vários lugares e de grande interesse sair um pouco do eixo Rio-SP. O que você indicaria do que está sendo produzido de música baiana e nordestina de forma geral?

Achiles: A Bahia tem produzido coisas maravilhosas! Talvez vocês já tenham ouvido falar em Tiganá Santana, Baiana System, Virginia Rodrigues, Orquestra Rumpilezz… Mas eu gostaria de falar também de Marcus Marinho, Geslaney Brito e Iara Assessú, Jana Vasconcellos, Priscila Magalhães, Filipe Lorenzo, Danilo Fonseca, Coro de Cor, entre outros! Amigos talentosos que eu gosto de ouvir e lembrar.

AC: Falando nisso, o que te influência na música atual? algum artista em especial te “despertou” para a música?

Achiles: Em geral, os artistas das gerações anteriores à minha tiveram mais importância na formação de meu ouvido musical. Assim como a maioria das crianças, o ambiente musical de minha família, muito potencializado pelo fato de meu pai ser também um músico, sempre foi o responsável pelas influências diretas ou não que imprimi na minha relação com a música. Escutei muitas coisas que meu pai ouvia e, quando cresci, voltei a ouvir esses artistas por iniciativa própria. Elis, Gil, Caetano, Djavan, Marisa Monte, Zizi Possi e Emílio Santiago foram os artistas brasileiros que mais tocaram lá em casa, juntamente com Michael Jackson, A-ha, Celine Dion, Queen, entre outros. É muito bom fazer esse caminho de volta  e perceber o quanto desses artistas ficou e a importância desses momentos em minha percepção de música. De lá para cá, fui redescobrindo coisas que soavam novas e muitíssimo encantadoras. Gosto muito de uma cantora espanhola chamada Silvia Perez Cruz. A sutileza e o cuidado que ela tem com a emissão das notas me chamaram muito a atenção. Conheci recentemente o talento do mexicano Omar Rodriguez Lopez e fiquei encantado! Mônica Salmaso é a cantora que inspira muito a forma como eu gosto de usar minha voz. Mas a música dos baianos continua sendo, talvez, minha maior influência. Não poderia ser diferente. Ouvi muito Gil, Caetano e Novos Baianos e não posso desconsiderar a importância deles no meu processo de feitura das canções, de meu canto. Minha passagem por Vitória da Conquista, cidade onde residi por 6 anos, e o contato que tive com os compositores e cantores de lá também foram fundamentais para os significados que produzi a respeito do sertão de onde vim, que é a minha cidade natal, Maracás. E este é só o começo dos encontros com artistas de todo o canto… Acho que todo músico tem algo de bom para afetar um outro.

AC: Quais são seu planos atualmente? 

Achiles: O CAIM está finalizando a turnê do disco “Ciência, Arte, Ideologia e Música” e já começa os trabalhos de pré-produção do segundo disco, que tem previsão de lançamento para o início de 2017. Paralelo a isso, estou produzindo um EP com o baixista do CAIM, Tiago Menezes, que deve ser lançado no início do ano que vem. O EP reúne canções minhas em parceria com amigos compositores. É um trabalho de “cantautor”, como se diz ultimamente. Logo em breve vocês poderão ter acesso.

Foto: Arthur Garcia

Foto: Arthur Garcia

One thought on “Achiles Neto: Amor é sorte de encontrar

  1. nossa que demais,gostei do artigo e das informações e conteúdo
    que traz para nós,para ficar-mos conectado com essa informação.vou passa essas
    informação para meus amigos online.

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